Foi no sufoco, na pressão e com a emoção reservada aos grandes clássicos. O Atlético está na semifinal da Copa do Brasil. Depois de sair atrás do Cruzeiro, o Galo aproveitou a expulsão de Villalba, cresceu na partida e conseguiu uma virada por 2 a 1 nos minutos finais, nesta terça-feira (1º), diante de 42.992 torcedores na Arena MRV.
Kaio Jorge colocou o Cruzeiro na frente ainda no primeiro tempo. Victor Hugo empatou aos 32 da etapa final e Fred, aos 43, acertou um belo chute para virar o clássico e colocar o Atlético entre os quatro melhores da competição.
Como o primeiro confronto havia terminado empatado por 1 a 1 no Mineirão, o resultado eliminou o Cruzeiro e colocou o Galo na semifinal, onde enfrentará o vencedor do clássico entre Grêmio e Internacional.
Empurrado pela torcida desde os primeiros minutos, o Atlético começou melhor. Cassierra acertou a trave de cabeça logo no início, enquanto Cuello e Bernard também encontraram espaços para levar perigo à defesa celeste.
O Cruzeiro suportou a pressão e conseguiu equilibrar o clássico. Aos 29 minutos, veio o lance que mudou o placar. A arbitragem marcou pênalti para a Raposa e Kaio Jorge assumiu a cobrança. O atacante bateu e colocou o time celeste em vantagem.
O gol obrigava o Atlético a buscar a reação para evitar uma nova eliminação diante do maior rival, justamente depois de ter caído para o Cruzeiro nas quartas de final da Copa do Brasil de 2025.
O Galo ainda tentou responder antes do intervalo, mas não conseguiu superar Otávio. O Cruzeiro foi para o vestiário vencendo por 1 a 0 e, naquele momento, ficando com a vaga.
A história começou a mudar aos 15 minutos do segundo tempo.
Villalba, que já tinha cartão amarelo, atingiu Cuello com o braço em uma disputa próxima à área atleticana. Raphael Claus mostrou o segundo amarelo e, em seguida, o vermelho. O Cruzeiro ficava com dez jogadores e ainda teria meia hora para suportar a pressão do Atlético.
Eduardo Domínguez avançou o time. Artur Jorge tentou reorganizar a Raposa para defender a vantagem, mas o campo passou a se inclinar em direção ao gol de Otávio.
A pressão aumentou com as entradas de jogadores como Victor Hugo, Alan Minda e Gustavo Scarpa. O Cruzeiro recuou e passou a encontrar cada vez mais dificuldades para sair em velocidade.
Até que, aos 32 minutos, o Atlético finalmente encontrou o empate.
Fred recebeu a bola e encontrou Victor Hugo dentro da área. O camisa 30 dominou e bateu forte para vencer Otávio e fazer a Arena MRV explodir.
O 1 a 1 naquele momento levava a decisão para os pênaltis. Mas o Atlético queria mais.
Victor Hugo quase conseguiu a virada pouco depois, acertando a trave. O Galo continuou rondando a área celeste enquanto o Cruzeiro tentava resistir com um jogador a menos.
Quando a disputa de pênaltis já começava a aparecer no horizonte, veio o golpe definitivo.
Aos 43 minutos, Victor Hugo encontrou Fred na entrada da área. O camisa 7 pegou de primeira e acertou um chute colocado, com a bola ainda tocando na trave antes de entrar.
Golaço.
Virada.
E classificação atleticana.
O gol teve um significado especial para Fred. Contratado para reforçar o Atlético nesta temporada, o meio-campista marcou justamente em um clássico decisivo seu primeiro gol como profissional pelo clube. Antes disso, já havia dado a assistência para Victor Hugo empatar.
A Arena MRV virou uma festa. Nos minutos finais, a torcida puxou gritos de “olé” e, depois do apito final, a comemoração continuou nas arquibancadas e nos telões do estádio, com provocações ao rival.
O Atlético terminou a partida com 61% de posse de bola e 25 finalizações, contra 13 do Cruzeiro. O Galo ainda acertou a trave duas vezes e obrigou Otávio a trabalhar durante boa parte da pressão construída na etapa final.
A vitória ampliou também a sequência de invencibilidade atleticana para 14 partidas, com oito vitórias e seis empates.
Expulsão e substituições repercutem no Cruzeiro
Do lado celeste, a expulsão de Villalba e as decisões tomadas por Artur Jorge no segundo tempo ficaram no centro das discussões após a eliminação.
O Cruzeiro vencia por 1 a 0 quando perdeu o defensor. Com a equipe em inferioridade numérica, o treinador acabou retirando ao longo da etapa final Gerson, Kaio Jorge e Matheus Pereira, três dos principais nomes técnicos do time.
Depois da partida, Artur Jorge explicou que Gerson pediu para deixar o campo por desgaste. Segundo ele, as demais alterações buscaram dar velocidade para explorar os espaços deixados pelo Atlético e aumentar a capacidade de marcação da equipe.
O treinador também foi questionado sobre a decisão de manter Villalba em campo mesmo depois do primeiro cartão amarelo. Artur Jorge defendeu a escolha e afirmou que um jogador precisa saber administrar a condição de estar pendurado, mas reconheceu sua responsabilidade pelas decisões tomadas durante a partida.
A expulsão mudou completamente o cenário do clássico, embora o Atlético já tivesse criado oportunidades quando as equipes estavam com 11 jogadores.
No lado alvinegro, a leitura foi justamente essa. Renan Lodi destacou após a classificação que o Atlético já conseguia construir jogadas antes da vantagem numérica e valorizou principalmente a resposta dos jogadores que saíram do banco.
Victor Hugo foi o maior exemplo.
Depois de um período afastado por problema físico, entrou no segundo tempo, marcou o gol de empate e deu a assistência para Fred completar a virada. Uma participação decisiva em pouco mais de meia hora dentro de campo.
Outro personagem da classificação foi Everson. O goleiro entrou em campo mesmo com uma fratura no pé esquerdo sofrida no primeiro clássico. Segundo o departamento médico do Atlético, ele passou por tratamento intensivo e recebeu bloqueio anestésico para conseguir atuar. O procedimento precisou ser repetido no intervalo.
Com a vaga garantida, o Atlético agora espera Grêmio ou Internacional para conhecer seu adversário na semifinal. Os gaúchos empataram por 0 a 0 no primeiro confronto e decidem a classificação nesta quinta-feira (3), na Arena do Grêmio.
As semifinais estão previstas para os dias 1º e 8 de novembro.
Para o Cruzeiro, resta assimilar uma eliminação dolorosa depois de ter ficado a aproximadamente meia hora de despachar novamente o rival.
Para o Atlético, a noite terminou como começou nas arquibancadas: em festa.
O Galo saiu atrás, viu o Cruzeiro colocar uma mão na classificação, reagiu diante de sua torcida e encontrou, aos 43 minutos do segundo tempo, o gol que transformou a Arena MRV em palco de uma das noites mais marcantes de sua temporada.

