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Home Colunas

ANORA E O OSCAR

Por Ediel Ribeiro
12 de março de 2025 - 08:21
em Colunas

Reprodução - 

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São Paulo – Ainda empolgados com o primeiro Oscar do Cinema Nacional, por “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, o mesmo diretor de “Central do Brasil”, fomos, eu e a Sheila, assistir “Anora”, o filme ganhador de cinco estatuetas.

A expectativa pelo filme que tirou de Fernanda Torres o título de melhor atriz e arrematou cinco estatuetas era alta. Afinal, Anora foi considerado pela Academia de Hollywood o melhor filme, a melhor direção, o melhor roteiro original, a melhor montagem e a melhor atriz.

Confesso, me decepcionei.

O filme conta a história de Anora – ou Ani, como ela gosta de ser chamada – uma jovem stripper do Brooklyn que conhece Ivan, o filho de um oligarca russo na boate em que trabalha. Os dois engatam um improvável romance e Anora vive uma breve história de Cinderela contemporânea.

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Inexperiente e alienado, cercado de luxo e ostentação, Ivan se encanta por Ani. Depois de um final de semana juntos, Ivan leva a garota para Las Vegas e lá o casal resolve oficializar o relacionamento intempestivo e se casam, sem o conhecimento dos pais de Ivan.

Porem, para a família dele, é impensável a união do herdeiro com uma profissional do sexo. E assim que os pais descobrem que Ivan e Ani se casaram, tem início uma corrida contra o tempo para anular o matrimônio.

Este é o roteiro ganhador do Oscar. Não gostei.

O filme, dirigido por Sean Baker, é extremamente arrastado e vazio. Cenas repetitivas e previsíveis. Os diálogos são fracos, com algum toque de humor, mas os personagens acabam sendo completamente superficiais.

Você não sabe quem é Anora de verdade e nem se o filme é um drama ou uma comédia. Essa confusão sobre qual o gênero do filme deixa o público sem saber se ri ou se chora.

A ausência de um plot twist talvez seja propósital. A quebra de ritmo na segunda parte do filme dá ao espectador a esperança de um ponto de virada que mude completamente os rumos da história, trazendo novos elementos ou dando novos significados aos que já apareceram. Nem isso. A história continua Previsível e Óbvia.

Depois de sua pior e mais caótica sequência – a ridícula, sem sentido e dispensável cena do tribunal – Também não faz sentido, a cena em que a garota gananciosa – que tinha recebido 15 mil dólares por um final de semana de sexo – aceitar apenas 10 mil dólares para se divorciar, por vontade dos pais milionários do rapaz.

Onde está a originalidade do roteiro? O filme repete a fórmula de “Uma Linda Mulher” e “Se Beber, Não Case!”, sem o charme, sem a beleza, sem o humor sutil e sem a originalidade dos outros dois.

Em que cena do filme, a atuação de Mikey Madison supera a de Fernanda Torres em Ainda Estamos Aqui? Ainda que Madison esteja bem no papel, ela não oferece nenhuma performance extraordinária, digna de premiação. Principalmente frente às atuações de Fernanda Torres e Demi Moore, as outras candidatas ao Oscar de melhor atriz.

Com quase duas horas e vinte minutos de duração, Anora é, de fato, um filme bem dirigido e bem editado, e só.

O filme, dirigido por Baker, foi uma das produções mais baratas entre os indicados ao prêmio de Melhor Filme, custando US$ 6 milhões — atrás apenas de “Ainda Estou Aqui”, feito com US$ 1,36 milhão.

Apesar do orçamento considerado modesto, a produtora investiu pesado na campanha para o Oscar: US$ 18 milhões. Três vezes mais do que o necessário para tirar o filme do papel. Talvez isso explique o fato de o filme ter levado cinco estatuetas.

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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