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Home Colunas

Amor ao livro

Por João Baptista Herkenhoff
10 de junho de 2021 - 11:16
em Colunas

João Herkenhoff / Lidia Neves-Ufes - 

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O destino dos livros seria o esquecimento sem a intermediação dos livreiros e dos bibliotecários porque o livro não tem pernas para andar sozinho.

O livreiro deve ser um incentivador da leitura, um apóstolo do saber.

Os capixabas devem lembrar-se de Nestor Cinelli, o primeiro grande livreiro do Espírito Santo.

Nestor vendia livros fiado. Muitos fregueses  só pagaram a conta depois que se formaram.

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Dizem que, por causa da televisão, as pessoas estão lendo menos. Não sei.

Televisão e livro são veículos diferentes.

Na televisão eu não posso parar num quadro, como no livro eu me detenho numa página para relê-la e meditar no que li.
Não posso na TV fazer algo como escrever notas marginais ao texto.

Não posso colocar a televisão debaixo do travesseiro, como que para continuar a leitura durante o sono.

Televisão eu não folheio. 

Televisão eu não levo comigo para o banco da praça, ou para o consultório médico, enquanto espero minha vez de ser atendido.

Não posso fazer algo como abrir uma página ao acaso, ou ler um trecho para a esposa, a avó ou a namorada. 

A televisão quer me dominar, não sou sujeito, sou objeto.

O livro é dócil companheiro, conversa comigo.

O livro não grita, não cassa minha liberdade, não quer fazer de mim um autômato.

De televisão eu posso gostar.

Amar, amar mesmo, só o livro eu posso amar.

Não obstante a disparidade entre o público televisivo e o público que frequenta o livro, a influência dos textos produzidos pelo invento de Gutenberg impressiona e espanta.

Não foi sem razão que, no decorrer da História, os livros foram censurados, apreendidos e queimados pelos déspotas.

Ninguém sabe o nome dos déspotas que puseram fogo nos livros. Os livros queimados foram reeditados e até hoje são lidos.

Devo a uma bibliotecária grande parte do amor que adquiri pelos livros. 

Eu a chamava de Dona Telma.

Era a responsável pela Biblioteca Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, minha cidade natal.

Indicava-me, e aos colegas, os bons livros. Transmitia aos frequentadores de nossa Biblioteca Pública o gosto que ela própria tinha pela leitura. 

Ensinava-nos a conservar os livros com capricho, cuidado e carinho.

Seria desejável que, em todos os municípios do Brasil, houvesse pelo menos uma bibliotea municipal.

Sempre gostei de ganhar livros e doar livros. Recebo o presente de um bom livro como quem recebe um tesouro.

Tags: ColunaDIREITO E CIDADANIA
João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff

JOÃO BATISTA HERKENHOFF, é Juiz de Direito aposentado. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória e também um dos fundadores do Comitê Brasileiro da Anistia (CBA/ES). Por seu compromisso com as lutas libertárias, respondeu a processo perante o Tribunal de Justiça (ES), tendo sido o processo arquivado graças ao voto de um desembargador hoje falecido, porém jamais esquecido. Autor de Direitos Humanos: uma ideia, muitas vozes (Editora Santuário, Aparecida, SP).

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