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Home Notícias Internacional

Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank

Presidente deixa o cargo após colapso de banco ligado a antigos sócios, pressão por impeachment e protestos; vice Pedro Alliana deve assumir o governo

Por Redação
5 de novembro de 2026 - 14:43
em Internacional
Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank

Santiago Peña / Reprodução-X

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pela resolução do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país.

Peña havia assumido a Presidência em agosto de 2023 e tinha mandato até 2028. A saída ocorreu horas depois de a Câmara dos Deputados avançar com um pedido de impeachment e após o presidente perder apoio dentro do próprio Partido Colorado.

Na mensagem em que anunciou a renúncia, Peña afirmou que enfrentava um dos momentos mais difíceis de sua vida e pediu desculpas à população. Também defendeu a devolução dos recursos dos correntistas e a proteção dos fundos públicos atingidos pela crise.

Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência, conforme a linha sucessória prevista na Constituição paraguaia. O processo de impeachment que também havia sido apresentado contra ele foi arquivado por deputados colorados nesta quinta-feira.

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Crise começou com queda do Ueno Bank

A crise ganhou dimensão nacional na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o procedimento de resolução do Ueno Bank.

Segundo o BCP, a instituição apresentou índice de solvência inferior a 50% do mínimo exigido depois de ajustes realizados em seus demonstrativos financeiros durante o processo de regularização. O procedimento foi aberto para liquidar de forma ordenada a situação do banco e proteger os depositantes.

Uma revisão divulgada por uma agência classificadora de risco também apontou problemas na qualidade dos ativos, operações com empresas vinculadas e falhas na documentação de determinadas transações.

A intervenção deixou milhares de clientes sem acesso imediato a depósitos e provocou forte reação política e social.

O Ueno Bank tinha quase 3 milhões de clientes, segundo dados divulgados pela própria instituição antes da crise. O banco também mantinha recursos públicos e previdenciários, incluindo depósitos do Instituto de Previsión Social, responsável pelo sistema de aposentadorias de grande parte dos trabalhadores paraguaios.

O IPS havia elevado seus depósitos no Ueno de cerca de US$ 20 milhões para aproximadamente US$ 345 milhões nos últimos anos.

Entidades de trabalhadores, governadores e organizações empresariais passaram a cobrar a recuperação dos recursos públicos e previdenciários mantidos no banco.

Ligações de Peña com o banco ampliaram a pressão

A crise atingiu diretamente Santiago Peña por causa de sua relação anterior com o grupo controlador do Ueno.

O presidente foi acionista da Ueno Holding até 2025, segundo registros citados pela imprensa paraguaia. A oposição passou a apontar conflito de interesses diante do crescimento dos depósitos de órgãos públicos no banco durante seu governo.

Um grupo de 35 deputados apresentou formalmente pedido de impeachment contra Peña e o vice Pedro Alliana. O documento acusatório citava, entre outros pontos, o vínculo anterior do presidente com a holding e decisões tomadas por órgãos públicos envolvendo o banco.

A pressão aumentou quando Horacio Cartes, ex-presidente do Paraguai e principal líder do Partido Colorado, passou a apoiar o afastamento de Peña.

Antes da renúncia, Cartes reuniu-se com Alliana para discutir a sucessão presidencial.

Entidades empresariais também passaram a pedir a saída do presidente. A Associação de Empresários Cristãos do Paraguai divulgou manifesto defendendo a renúncia e investigação judicial dos fatos relacionados à crise.

Protestos ocorreram em Assunção, com manifestações diante do Congresso e críticas ao governo.

Presidente do Banco Central também caiu

A crise já havia provocado mudanças no comando do Banco Central.

Na terça-feira, Peña pediu a renúncia do então presidente do BCP, Carlos Carvallo. Pedro de Jesús Acosta assumiu interinamente a instituição enquanto o governo buscava reorganizar a resposta à crise.

Nesta quinta-feira, o Banco Central começou a pagar a garantia de depósitos aos primeiros clientes do Ueno.

Na primeira etapa, recebem os correntistas com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com a instituição e que possuam conta em outro banco ou financeira do país. Quem tiver até esse valor receberá integralmente o saldo garantido.

O BCP informou que novos grupos de depositantes serão incluídos gradualmente no processo.

Alliana deve assumir a Presidência

Com a saída de Peña, Pedro Alliana deve assumir o comando do país.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados e integrante do Partido Colorado, Alliana fazia parte da chapa eleita em 2023 e permanece na linha constitucional de sucessão.

O Paraguai entra agora em uma nova etapa da crise, com o governo tentando restabelecer a confiança no sistema financeiro, garantir a devolução dos depósitos e esclarecer a destinação dos recursos públicos mantidos no Ueno Bank.

Ao mesmo tempo, autoridades do banco, integrantes do governo e dirigentes do Banco Central são alvo de investigações e denúncias apresentadas por parlamentares.

A crise que começou dentro do sistema financeiro terminou, em menos de uma semana, derrubando o presidente da República.

Tags: América do SulBanco Central do ParaguaiCrise BancáriaParaguaiPartido ColoradoPedro Allianapolítica internacionalSantiago PeñaUeno Bank
Redação

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