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Home Notícias Brasil

Direita se distancia de Flávio e rejeita contestação das urnas após carta nos EUA

Valdemar diz que “ninguém aprova” documento, Tarcísio pede respeito ao resultado e partidos que apoiaram senador reconhecem vitória de Lula

Por Redação
29 de outubro de 2026 - 12:34
em Brasil
Direita se distancia de Flávio e rejeita contestação das urnas após carta nos EUA

Foto: Cristiano Mariz

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A decisão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil após a derrota presidencial e divulgar, já nos Estados Unidos, uma carta em que inicialmente se apresentou como “verdadeiro presidente eleito” encontrou resistência justamente entre lideranças e partidos que estiveram ao seu lado durante a eleição.

Do presidente nacional do próprio PL a governadores, senadores e dirigentes de partidos de centro-direita, as manifestações caminham em direção diferente daquela adotada por Flávio: reconhecimento do resultado das urnas e defesa de que a oposição ao quarto governo Lula seja exercida dentro das instituições.

O movimento aprofunda o isolamento do senador na acusação de fraude eleitoral, feita sem apresentação de provas.

Nesta quinta-feira (29), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi direto ao ser questionado sobre a carta divulgada pelo candidato de seu próprio partido:

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“Não gostei. Não gostei.”

Depois de visitar Jair Bolsonaro, Valdemar ampliou a crítica.

“Ninguém aprova a carta. Ninguém aprova isso”, afirmou. Segundo ele, o partido pretende seguir adiante depois da eleição: “Nós queremos tocar o país para frente, queremos tocar o partido para frente”.

É uma posição especialmente significativa porque Valdemar foi um dos principais responsáveis pela candidatura de Flávio e comandou o partido durante toda a campanha.

PL reconheceu vitória antes mesmo da carta

A divergência não começou depois da chegada de Flávio aos Estados Unidos.

Um dia após o segundo turno, o próprio PL reconheceu oficialmente o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo TSE”, informou a legenda em nota.

O partido manteve críticas relacionadas aos gastos públicos e anunciou que poderia questionar judicialmente suposto abuso de poder político e econômico, mas não rejeitou a contagem dos votos nem declarou fraude eleitoral.

A diferença entre questionar judicialmente aspectos de uma campanha e afirmar que uma eleição foi fraudada tornou-se ainda mais evidente depois da carta de Flávio.

Seu coordenador de campanha e atual líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não possui elementos para acompanhar a acusação.

“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

Marinho classificou a carta como possível “desabafo” de alguém que se sente injustiçado, mas deixou claro que não poderia endossar a tese de fraude sem provas.

Tarcísio: “A eleição acabou”

Outro aliado importante que se distanciou da posição de Flávio foi o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Tarcísio havia participado ativamente da campanha presidencial e revelou que aconselhou Flávio a permanecer no Brasil depois da eleição.

Segundo o governador, a orientação dada numa reunião com integrantes da campanha era utilizar os instrumentos previstos na legislação caso houvesse questionamentos contra a chapa vencedora, sem rejeitar o resultado eleitoral.

Depois da divulgação da carta, Tarcísio foi ainda mais claro:

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente.”

Ele afirmou compreender a indignação do aliado, mas acrescentou que “o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”.

Tarcísio defendeu ainda uma oposição “forte” exercida dentro das instituições democráticas.

Tereza Cristina também pede respeito às urnas

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e uma das principais lideranças da direita no Congresso, adotou posição semelhante.

Ela apoiou Flávio durante a campanha, mas afirmou depois da eleição:

“O atual momento exige serenidade e respeito ao resultado das urnas.”

Tereza acrescentou que “a eleição acabou” e defendeu que a direita agora concentre esforços em fiscalizar o novo governo e defender suas pautas no Congresso.

Aécio chama comportamento de “incompreensível”

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, foi mais duro.

Ele classificou como “incompreensível” o comportamento de Flávio e afirmou que a oposição deve ser exercida em território brasileiro.

Aécio destacou que seu partido fará oposição ao governo Lula, mas “dentro das regras da democracia, com respeito às instituições e ao processo eleitoral”.

O PSDB também divulgou nota reconhecendo a escolha feita pelos brasileiros nas urnas.

A posição tem um precedente importante. Em 2014, depois de perder para Dilma Rousseff por pequena diferença, Aécio e o PSDB pediram uma auditoria do resultado. A verificação foi realizada e não encontrou evidências de fraude. Anos depois, o próprio Aécio reafirmou que não possuía indícios de fraude naquela eleição.

União Brasil diz que eleição teve lisura

O União Brasil, que declarou apoio a Flávio no segundo turno, também rejeitou a contestação das urnas.

Em nota assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, o partido classificou a democracia como um “valor inegociável” e afirmou que o compromisso com o sistema eleitoral não pode depender de quem vence ou perde.

“A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”, declarou.

A nota termina com uma mensagem direta:

“A eleição terminou. O Brasil continua.”

MDB reafirma confiança no sistema eleitoral

O MDB, que chegou dividido ao segundo turno, com diretórios estaduais apoiando candidatos diferentes, também divulgou posicionamento institucional depois da carta.

“O MDB reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”, afirmou a legenda.

Republicanos e Podemos, partidos que também tiveram setores apoiando Flávio, haviam reconhecido a reeleição de Lula logo depois da votação.

O PSD, que adotou neutralidade no segundo turno, seguiu a mesma linha institucional. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, parabenizou Lula e Geraldo Alckmin e afirmou que seus parlamentares manterão uma relação republicana com o novo governo.

Até o vice reconheceu a derrota

Nem mesmo Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio, acompanhou a autoproclamação feita pelo senador nos Estados Unidos.

Gaspar criticou o que chamou de mudança das regras eleitorais e fez críticas ao “sistema”, mas reconheceu que a chapa havia sido derrotada.

Também agradeceu diretamente aos 59,8 milhões de brasileiros que votaram na candidatura e afirmou que a atuação política continuará por meio das grandes bancadas eleitas pelo PL na Câmara e no Senado.

Carta ampliou distanciamento

Flávio divulgou a carta depois de chegar a Miami com a mulher e as duas filhas.

Na primeira versão, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusou a eleição de ter sido fraudada.

O documento passou por alterações e a expressão acabou substituída por “líder do Brasil”, mas a acusação de fraude permaneceu.

Não foram apresentadas provas que sustentem a afirmação.

Lula recebeu 64.256.232 votos, ou 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041, ou 48,21%, de Flávio. A diferença foi de 4.430.191 votos.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que as eleições transcorreram dentro da “mais absoluta normalidade” e reiterou a segurança da apuração. Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro.

Saída do país também desagradou aliados

O distanciamento não se limita às acusações de fraude.

Tarcísio confirmou que havia aconselhado Flávio a permanecer no Brasil. Rogério Marinho afirmou que não sabia antecipadamente da viagem. Valdemar Costa Neto também declarou que não havia sido informado e disse que, segundo Jair Bolsonaro, nem mesmo o pai sabia que o senador deixaria o país.

Flávio saiu do Brasil depois de receber uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar seus passaportes e permanecer no território nacional no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele nega irregularidades.

Já nos Estados Unidos, afirmou que pretende liderar de lá a oposição ao novo governo.

Mas os movimentos das últimas horas mostram que essa “liderança” pode não se confirmar já que não encontra apoio dentro de sua própria base.

O presidente de seu partido rejeitou a carta. Seu coordenador de campanha afirma não existir prova de fraude. O principal governador que o apoiou defende respeito ao resultado. Lideranças do PP e PSDB dizem que a eleição terminou. União Brasil, MDB, Republicanos e Podemos reconheceram a vitória de Lula.

Tags: aécio nevesDireitaeleições 2026Flávio BolsonaroLulaMDBPLPSDBRogério MarinhoTarcísio de FreitasTereza CristinaUnião BrasilValdemar Costa Neto
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