A Polícia Civil de São Paulo identificou oito suspeitos de participação na morte do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, espancado e roubado depois de se afastar de um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Santos, no litoral paulista.
Segundo a atualização mais recente da investigação, os suspeitos são dois adultos, de 18 e 19 anos, e seis adolescentes: dois de 17 anos, três de 16 e um de 14 anos.
Três adolescentes já foram apreendidos. Outros investigados são procurados pela polícia, que obteve mandados de internação provisória contra menores e de prisão temporária contra os adultos. Um dos maiores de idade é apontado como responsável pela conta usada para transmitir parte do ataque ao vivo pelas redes sociais.
Marcelo foi atacado por volta das 3h da madrugada de sábado (24), depois de participar de uma apresentação da Banda Esquerdantina nas proximidades do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, na Avenida Conselheiro Nébias.
Ele se afastou dos amigos para ir ao banheiro e não retornou.
Imagens de câmeras de segurança mostram Marcelo caminhando sozinho quando é abordado inicialmente por dois integrantes do grupo. Outros se aproximam em seguida, cercam o engenheiro e passam a agredi-lo.
Parte da ação também foi transmitida ao vivo pelos próprios suspeitos.
Na gravação, um dos integrantes exige a entrega do telefone e ameaça a vítima. Marcelo é atingido, cai e continua sendo agredido enquanto está no chão. O celular e outros pertences foram levados.
Adolescente de 17 anos é apontado como autor do primeiro soco
Entre os apreendidos está um adolescente de 17 anos que praticava boxe e é apontado na investigação como suspeito de ter dado o soco que derrubou Marcelo.
Ele foi localizado em Itariri, no Vale do Ribeira, depois de ter seguido para a casa da avó.
Outro adolescente, de 14 anos, apresentou-se à polícia e acabou apreendido. Um terceiro menor foi localizado posteriormente, na quarta-feira (28).
Por determinação legal, os nomes dos adolescentes não são divulgados.
A Justiça decretou medidas de internação provisória, enquanto a Polícia Civil continua procurando os demais envolvidos.
Polícia aponta sequência de roubos
A principal mudança na investigação ocorreu depois da análise de câmeras, vídeos publicados nas redes sociais e outros crimes registrados na região naquela mesma madrugada.
O delegado seccional de Santos, Rubens Eduardo Barazal Teixeira, afirmou que o grupo é suspeito de ter cometido pelo menos outros cinco furtos ou roubos de celulares e correntes antes ou depois do ataque contra Marcelo.
Segundo a polícia, os adolescentes investigados já tinham registros anteriores por atos infracionais semelhantes a furto e roubo. Um dos adultos também possui passagens policiais.
A Polícia Civil orientou pessoas que tenham sido vítimas de crimes naquela madrugada e ainda não tenham registrado ocorrência a procurar uma delegacia.
O objetivo é reconstruir a movimentação do grupo e individualizar a participação de cada investigado.
Motivação política é descartada pela polícia
O fato de Marcelo ter acabado de participar de um evento pró-Lula e estar usando material de apoio ao presidente levantou inicialmente dúvidas sobre uma possível motivação política.
Também surgiram relatos de que a agressão poderia ter relação com homofobia.
Até agora, porém, a Polícia Civil afirma não ter encontrado elementos que sustentem nenhuma das duas hipóteses.
Para os investigadores, as provas reunidas indicam que Marcelo foi abordado para ser roubado e acabou morto durante a ação.
O caso é tratado como latrocínio, roubo seguido de morte.
A conclusão ainda não encerra a investigação. A polícia continua analisando as imagens, depoimentos e dados digitais para definir exatamente o que cada integrante do grupo fez durante o ataque.
Crime foi transmitido ao vivo
Um dos elementos mais importantes para a identificação dos suspeitos foi produzido pelos próprios integrantes do grupo.
Parte da abordagem foi transmitida ao vivo por uma conta no TikTok.
Na gravação, é possível ouvir ameaças feitas a Marcelo enquanto integrantes do grupo exigem seu telefone. O vídeo registra a abordagem pouco antes de o engenheiro ser derrubado.
Um dos dois adultos investigados é apontado como responsável pela conta utilizada na transmissão. A Justiça decretou sua prisão temporária, mas ele ainda era procurado pela polícia na última atualização.
Além das imagens produzidas pelo grupo, investigadores utilizam câmeras de segurança da região, registros de redes sociais e depoimentos de testemunhas.
O trabalho conta com apoio do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), estrutura de inteligência da Secretaria da Segurança Pública especializada na análise de informações digitais.
Marcelo morreu dois dias depois
Amigos começaram a procurar Marcelo depois de perceberem que ele demorava a retornar.
O engenheiro foi encontrado desacordado na região da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
Ele foi socorrido e levado inicialmente para a Santa Casa de Santos, onde permaneceu em estado grave. Posteriormente foi transferido para o Hospital São Paulo, unidade universitária vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Marcelo sofreu traumatismo craniano grave e permaneceu internado em coma induzido. A morte foi confirmada na segunda-feira (26).
Engenheiro ambiental, ele cursava mestrado em Ecologia Marinha na Unifesp.
A universidade lamentou a morte e pediu rigor na investigação, identificação e responsabilização dos envolvidos.
A família autorizou a doação de rins, pâncreas, fígado e córneas, atendendo a um desejo de Marcelo.
Investigação ainda pode identificar mais envolvidos
Embora oito pessoas tenham sido identificadas, a Polícia Civil não considera encerrado o trabalho de identificação.
As imagens mostram pelo menos sete pessoas participando diretamente da abordagem, mas os investigadores também analisam eventual atuação de outros integrantes antes, durante ou depois do crime.
O caso é conduzido pelo 4º Distrito Policial de Santos, com apoio do 3º DP, da 3ª Delegacia de Investigações sobre Homicídios e de equipes de inteligência.
Neste momento, o quadro da investigação é de oito suspeitos identificados, três adolescentes apreendidos e ordens judiciais expedidas contra outros envolvidos.
A polícia continua trabalhando para localizar os demais e determinar a responsabilidade individual de cada um no ataque que terminou com a morte de Marcelo.


