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Home Notícias Brasil

El Niño ganha força e pode provocar seca, calor e chuvas extremas no Brasil

Fenômeno pode estar entre os mais intensos desde 1950; previsão aponta mais chuva no Sul, seca no centro-norte e temperaturas elevadas em grande parte do país

Por Redação
8 de outubro de 2026 - 16:33
em Brasil
El Niño ganha força e pode provocar seca, calor e chuvas extremas no Brasil

Rafa Neddermeyer / ABR

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O El Niño continua ganhando força no Oceano Pacífico e deve provocar impactos cada vez mais perceptíveis no clima brasileiro nos próximos meses. As projeções apontam aumento do risco de seca e incêndios no centro-norte do país, chuvas acima da média e possibilidade de cheias no Sul, além de temperaturas mais elevadas em grande parte do território nacional.

Boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e outros órgãos federais aponta 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Se confirmado, o episódio poderá ficar entre os mais intensos registrados desde 1950.

As condições de El Niño foram confirmadas em junho e, desde então, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial vem aumentando. No fim de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do oceano já superavam 2°C nas áreas central e leste.

Nesta quinta-feira (8), o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou que o fenômeno voltou a se fortalecer em setembro. O índice Niño 3.4 chegou a 2,1°C acima do normal e, em partes do Pacífico Equatorial leste, as anomalias ultrapassaram 4°C.

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A NOAA calcula em mais de 83% a possibilidade de manutenção de um El Niño forte a muito forte até o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2027. Para outubro a dezembro, o órgão norte-americano aponta 83% de chance de o episódio atingir um patamar considerado historicamente muito intenso segundo seu próprio índice de classificação.

Brasil pode enfrentar dois extremos

No Brasil, os principais efeitos esperados aparecem em sentidos opostos.

No Sul, a tendência é de chuva acima da média, aumentando o risco de enchentes, inundações e elevação dos rios. Rio Grande do Sul e Santa Catarina já registraram episódios de chuva volumosa e cheias durante 2026. O Serviço Geológico do Brasil emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a região ao longo do ano.

No Norte, Nordeste e em áreas do centro do país, o cenário é diferente. A redução das chuvas associada às temperaturas elevadas pode intensificar a estiagem, diminuir a umidade do solo e aumentar o risco de queimadas e incêndios florestais.

Dados do Cemaden mostram que o número de municípios brasileiros classificados em seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês. Os municípios em seca severa aumentaram de 153 para 197, principalmente em estados como Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.

No Nordeste, cerca de 16% do território já apresenta condição de seca grave. Na Região Norte, o agravamento da estiagem afeta principalmente Roraima, Acre e Amazonas, onde alguns municípios enfrentam dificuldades para captação de água e problemas de navegação devido à redução do nível dos rios.

Calor também deve aumentar

Outro efeito esperado é a elevação das temperaturas.

O boletim dos órgãos federais prevê valores acima da média em grande parte do Brasil durante os próximos meses. A tendência é de períodos prolongados de calor, especialmente nas regiões onde a chuva permanecer irregular ou abaixo do normal.

Para outubro, há também possibilidade de episódios de onda de calor, principalmente durante a segunda metade do mês. O El Niño interfere na circulação atmosférica e pode dificultar a entrada e a permanência de massas de ar frio em algumas áreas do país.

Mesmo assim, os meteorologistas destacam que o fenômeno não determina sozinho o tempo em cada cidade. Frentes frias, condições do Oceano Atlântico e sistemas atmosféricos regionais também interferem na quantidade de chuva e na temperatura.

Agricultura entra em alerta

A intensificação do El Niño também preocupa o setor agropecuário.

Nas áreas mais secas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte do Sudeste, a falta de chuva pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento de culturas como soja e milho, além de afetar lavouras de café e a disponibilidade de pastagens e água para os rebanhos.

No Sul, o problema pode ser justamente o excesso de água. Embora a maior disponibilidade hídrica possa beneficiar algumas culturas, volumes elevados de chuva aumentam o risco de encharcamento do solo, doenças fúngicas e dificuldades para plantio, manejo e colheita.

Segundo o Inmet, o excesso de umidade pode afetar especialmente o trigo e dificultar o plantio de soja e arroz.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Embora ocorra a milhares de quilômetros do Brasil, a alteração da temperatura do oceano modifica a circulação dos ventos e da atmosfera em escala global. Como consequência, muda o transporte de umidade e interfere na formação das chuvas em diferentes continentes.

No Brasil, historicamente, episódios de El Niño estão associados a maior volume de chuva no Sul, redução das precipitações no Norte e em partes do Nordeste e temperaturas mais elevadas em diversas regiões.

Os órgãos brasileiros ressaltam, porém, que essas são tendências climáticas. A ocorrência e a intensidade dos eventos extremos dependem da interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos e oceânicos.

O monitoramento atual indica que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos durante o início de 2027.

Tags: agriculturaBrasilchuvasclimaEl NiñoEnchentesInmetInpemeio ambienteNOAAonda de calorprevisão do temposeca
Redação

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