A deputada federal eleita Ana Elisa Silva (PT-MG), de 21 anos, denunciou ter recebido ameaças de morte e estupro, além de ataques racistas, durante a campanha eleitoral em Minas Gerais.
As mensagens foram enviadas por e-mail em 5 de setembro. Segundo a equipe jurídica da então candidata, o autor se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco, citou dados pessoais de Ana Elisa para demonstrar que sabia como localizá-la e também fez ameaças contra familiares. A Polícia Civil investiga o caso.
Parte do conteúdo foi divulgada pela própria Ana Elisa nas redes sociais. Nas mensagens, o remetente utiliza ofensas racistas contra a presença de mulheres negras na política e faz ameaças explícitas de violência sexual e de morte.
O autor também fez referência à supremacia branca e à Ku Klux Klan, organização racista surgida nos Estados Unidos. Até o momento, não há confirmação de que o responsável pelas mensagens pertença efetivamente a qualquer organização desse tipo.
Ameaças semelhantes atingiram outras candidatas
O caso de Ana Elisa não foi isolado durante a campanha em Minas Gerais. Bella Gonçalves e Andréia de Jesus, também candidatas pelo PT, registraram denúncias por ameaças de morte e estupro recebidas em setembro.
Segundo apuração à época, as mensagens apresentavam semelhanças. Os autores se apresentavam como integrantes de grupos supremacistas brancos e mencionavam informações pessoais das candidatas e de familiares.
As denúncias foram encaminhadas à Polícia Federal e passaram também a ser acompanhadas pelo Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais por possível violência política de gênero.
O Ministério Público Eleitoral informou que atua em conjunto com a Polícia Federal para apurar os fatos, identificar os responsáveis e adotar medidas para evitar novos episódios de intimidação. A PF declarou que não comenta eventuais investigações em andamento.

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais também informou que o Gabinete Integrado de Segurança das Eleições acompanhava os casos.
Ana Elisa afirmou durante a campanha que as ameaças não a fariam desistir da disputa. O episódio também recebeu manifestações públicas de solidariedade de políticos de diferentes campos ideológicos. Entre eles, Cleitinho Azevedo, que pediu a identificação e prisão dos responsáveis.
Eleita com mais de 500 mil votos
Mesmo após as ameaças, Ana Elisa manteve a candidatura e foi eleita deputada federal no último domingo (4).
Aos 21 anos, recebeu 524.219 votos em Minas Gerais, ficando entre os candidatos mais votados do estado e tornando-se uma das principais surpresas da eleição para a Câmara.
Natural de Divinópolis, Ana Elisa construiu sua campanha principalmente pelas redes sociais e ganhou projeção nacional durante o processo eleitoral. Ela assume o mandato em fevereiro de 2027.


