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Home Notícias Brasil

Caso Bacabal: PF descarta crianças nos EUA, mas buscas por Ágatha e Allan chegam à Interpol

Família acreditou reconhecer Allan entre 163 crianças resgatadas nos Estados Unidos; hipótese foi descartada, mas irmãos poderão entrar em alerta internacional de desaparecidos

Por Redação
10 de setembro de 2026 - 19:43
em Brasil
Caso Bacabal: PF descarta crianças nos EUA, mas buscas por Ágatha e Allan chegam à Interpol

Arquivo Pessoal

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Mais de oito meses depois do desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, no Maranhão, o caso ganhou uma nova frente de investigação e ultrapassou as fronteiras brasileiras.

A possibilidade de que pelo menos uma das crianças estivesse nos Estados Unidos surgiu depois que a família teve acesso a imagens de menores resgatados durante uma grande operação realizada na Flórida.

Clarice Cardoso, mãe dos irmãos, acreditou reconhecer Allan em uma das fotografias divulgadas pelas autoridades americanas. A semelhança levou a família a procurar a Polícia Federal e pedir que a informação fosse investigada.

Nesta quinta-feira (10), porém, a PF informou que, de acordo com informações fornecidas pelas autoridades dos Estados Unidos, nenhuma criança brasileira está entre as 163 localizadas na operação.

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A informação afasta a possibilidade específica de que Ágatha ou Allan estejam entre os menores encontrados naquela ação, mas não encerra a investigação sobre a possibilidade de os irmãos terem sido levados para outro local ou até mesmo para fora do Brasil.

A Polícia Civil do Maranhão ressalta que, até o momento, não existe qualquer elemento concreto indicando que as crianças estejam no exterior.

Foto reacendeu esperança da mãe

A operação que despertou a atenção da família foi realizada entre 17 e 21 de agosto nos Estados Unidos.

Batizada de “Statewide Shield”, a ação envolveu autoridades da Flórida e agências federais e resultou na localização de 163 crianças e adolescentes, com idades entre 2 meses e 17 anos.

Parte delas apresentava histórico de abuso, negligência, exploração ou exposição a atividades criminosas.

Ao observar uma das imagens divulgadas depois da operação, Clarice percebeu características que considerou semelhantes às de Allan.

“Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual a do Michael”, afirmou a mãe ao procurar a Polícia Federal.

Clarice chegou a fornecer material genético para permitir futuras comparações de DNA.

A família mantém a convicção de que as crianças estão vivas e trabalha com a possibilidade de que tenham sido retiradas da região onde desapareceram.

A Polícia Civil, entretanto, não confirma publicamente a hipótese de sequestro.

Interpol entra nas buscas

Mesmo com a informação de que os irmãos não estão entre as 163 crianças resgatadas nos Estados Unidos, a movimentação abriu uma nova etapa nas buscas.

Clarice esteve na Superintendência da Polícia Federal em São Luís nesta quarta-feira (9), acompanhada da advogada Nathaly Moraes, para pedir a inclusão de Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol.

A Difusão Amarela é um alerta internacional utilizado para localizar pessoas desaparecidas, especialmente crianças, e identificar pessoas que não conseguem fornecer informações sobre a própria identidade.

O pedido será analisado pela Polícia Federal e, posteriormente, poderá ser encaminhado à Interpol. Caberá à organização decidir pela publicação e distribuição do alerta aos países membros.

A medida permitiria que os dados e fotografias dos irmãos fossem compartilhados internacionalmente, facilitando eventual identificação em outros países.

Segundo a advogada da família, Ágatha e Allan nunca tiveram documentos oficiais de identificação, circunstância que dificulta a comparação com bancos de dados nacionais e internacionais.

O material genético coletado da mãe poderá agora servir de referência caso surjam crianças com características semelhantes em outras localidades.

A Polícia Civil do Maranhão fez questão, entretanto, de esclarecer que o acionamento dos mecanismos internacionais não significa que exista confirmação de que os irmãos tenham saído do Brasil.

Oito meses sem respostas

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal.

Naquele dia, eles saíram para brincar acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos.

Três dias depois, Wanderson foi encontrado vivo por carroceiros em uma estrada vicinal próxima ao povoado Santa Rosa, a aproximadamente quatro quilômetros, em linha reta, do ponto onde as crianças haviam desaparecido.

O menino estava debilitado e sem roupas e foi levado para atendimento médico. Exames realizados posteriormente não encontraram indícios de violência sexual.

O relato de Wanderson ajudou a orientar parte das buscas. Cães farejadores chegaram a identificar sinais da passagem das crianças por uma casa abandonada próxima ao rio Mearim, uma das poucas pistas concretas encontradas desde o desaparecimento.

A região foi vasculhada por terra, água e ar. Mergulhadores realizaram buscas no rio, cães farejadores foram empregados e uma grande mobilização chegou a reunir forças policiais, bombeiros, militares e voluntários.

Nenhum vestígio conclusivo de Ágatha e Allan foi encontrado.

As buscas ostensivas foram reduzidas com o passar dos meses, enquanto a Polícia Civil manteve o inquérito aberto. O conteúdo da investigação permanece sob sigilo.

A ausência de vestígios capazes de explicar o que aconteceu depois que as crianças entraram na mata mantém abertas diferentes possibilidades. A polícia não divulgou suspeitos nem anunciou até agora uma linha conclusiva para o desaparecimento.

Com o pedido feito à Interpol, a família tenta agora ampliar o alcance das buscas para além das bases brasileiras, enquanto a investigação no Maranhão permanece sem uma resposta sobre o que aconteceu com Ágatha e Allan depois daquele 4 de janeiro.

Tags: Ágatha IsabellyAllan MichaelBacabalcrianças desaparecidasdesaparecimentoEstados UnidosInterpolMaranhãoPolícia CivilPolícia Federal
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