O diretor comercial da Cemig SIM Rubens Soalheiro de Oliveira Matos foi desligado do cargo em meio à repercussão de suspeitas envolvendo suas relações empresariais com uma rede de negócios no setor de energia que alcança pessoas e empresas relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O caso ganhou dimensão política depois que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de investigação sobre relações empresariais envolvendo Vorcaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro e Soalheiro.
A representação foi apresentada a partir de informações reveladas originalmente pelo jornal O Tempo, que identificou conexões societárias e empresariais entre os envolvidos e negócios relacionados à geração de energia fotovoltaica em Minas Gerais.
Diretor da Cemig SIM também administrava empresas privadas
Um dos pontos centrais dos questionamentos é a atuação simultânea de Soalheiro na Cemig SIM e em empresas privadas.
Segundo a apuração de O Tempo, o então diretor comercial aparece como administrador da NPower Energia S.A. e da Aroeira Agropecuária Ltda., além de possuir vínculo com a estrutura societária da Saxum Gestão e Participações Ltda., controlada pela M. Aro Participações e Empreendimentos Ltda.
Na representação encaminhada à PGR, Rogério Correia pede que seja apurado se essas relações privadas tiveram alguma influência em decisões tomadas dentro da Cemig SIM.
O deputado quer saber, por exemplo, se Soalheiro participou de decisões, negociações ou procedimentos envolvendo empresas com as quais mantinha vínculos societários ou administrativos. Também solicita a análise de reuniões, pareceres, processos internos e comunicações envolvendo empresas citadas na denúncia.
“Situação extremamente grave”, diz Rogério Correia
Ao comentar o caso, Rogério Correia afirmou que as relações precisam ser investigadas para esclarecer se interesses privados tiveram alguma influência dentro da subsidiária da Cemig.
“Estamos diante de suspeitas de uma teia de relações entre empresários, agentes políticos e dirigentes de uma empresa pública.”
Em declaração ao O Tempo, o parlamentar classificou a situação como “extremamente grave” e defendeu uma investigação aprofundada. Correia também afirmou que, caso seja comprovado o uso da estrutura pública para favorecer grupos privados, os responsáveis deverão responder.
Negócios chegam ao entorno de Vorcaro
A representação também cita a Green Investimentos S.A., relacionada ao grupo econômico de Daniel Vorcaro e na qual Ciro Nogueira adquiriu participação societária.
Correia pede que sejam investigados o valor da participação adquirida pelo senador, a origem dos recursos e as condições da operação, além de eventual relação com outros negócios entre os envolvidos.
Segundo as informações reveladas pelo O Tempo, a expansão dos empreendimentos fotovoltaicos relacionados ao grupo de Vorcaro ocorreu no mesmo período em que foram estruturados negócios relacionados a Marcelo Aro e pessoas próximas ao seu grupo passaram a ocupar posições na Cemig SIM.
A representação solicita ainda que sejam reconstruídos os fluxos financeiros entre as empresas, incluindo aportes, empréstimos, pagamentos e transferências, para identificar a origem e o destino dos recursos e seus beneficiários.
Rogério Correia pede também que a PGR verifique se os fatos possuem conexão com investigações já existentes envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Como Ciro Nogueira possui foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (STF), caberá à Procuradoria avaliar o encaminhamento da apuração.
Até o momento, as relações empresariais apontadas e os possíveis conflitos são objeto de suspeitas e pedidos de investigação, sem conclusão das autoridades sobre a existência de irregularidades ou crimes por parte dos citados.


