A Colômbia chegou nesta quinta-feira (13) ao momento mais dramático das operações de resgate após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na segunda-feira (10). O número de mortos subiu para 265, enquanto quase 500 pessoas continuam desaparecidas.
Mais de 3,5 mil pessoas ficaram feridas e milhares de famílias perderam suas casas. O terremoto atingiu com força cidades como Cali e Pereira e provocou uma destruição que deverá exigir uma longa operação de reconstrução.
As equipes de emergência trabalharam durante três noites consecutivas em busca de sobreviventes. Nesta quinta, porém, chega ao fim o período inicial de 72 horas após o terremoto, considerado especialmente importante porque as possibilidades de encontrar pessoas com vida sob os escombros diminuem à medida que o tempo passa.
Em alguns pontos de Cali, as operações já começaram a passar da busca e salvamento para a retirada de destroços. Equipes continuam procurando sobreviventes nos locais onde ainda existem indícios de pessoas soterradas.
Mais de 150 réplicas
Além da destruição provocada pelo terremoto principal, a Colômbia continua enfrentando sucessivas réplicas.
Mais de 150 novos tremores foram registrados desde segunda-feira. As movimentações aumentam a preocupação com construções que ficaram comprometidas e representam risco adicional para os socorristas que trabalham entre estruturas instáveis.
O terremoto atingiu o país pouco depois das 7h30, no horário local, e derrubou edifícios, casas e outras estruturas no oeste colombiano.
Pereira, uma das principais cidades da região cafeeira, registrou pelo menos 83 mortes. Em Cali, terceira maior cidade colombiana, foram contabilizadas 74 vítimas fatais no balanço divulgado na quarta-feira.
Milhares de casas destruídas
A dimensão dos prejuízos começa a aparecer com maior clareza.
Dados divulgados pelas autoridades apontam mais de 11 mil residências destruídas, além de dezenas de milhares de imóveis danificados. Ao menos 140 edifícios desabaram.
Hospitais, escolas, estradas e outras estruturas também foram atingidos.
O terremoto afetou ainda a região produtora de café. As operações no porto de Buenaventura foram interrompidas para avaliações, enquanto exportações passaram a ser direcionadas principalmente aos portos colombianos no Caribe. A Colômbia está entre os maiores produtores mundiais de café.
Governo declara emergência econômica
Diante da dimensão da tragédia, o presidente Abelardo De La Espriella anunciou a declaração de emergência econômica e a criação de um fundo especial para financiar a reconstrução.
Os recursos deverão ser destinados à recuperação de casas, hospitais, escolas e infraestrutura destruída pelo terremoto. O país também decretou três dias de luto pelas vítimas.
A tragédia representa um desafio imediato para o novo governo colombiano. De La Espriella havia tomado posse apenas três dias antes do terremoto e agora enfrenta uma emergência humanitária de grandes proporções.
Em algumas localidades também foram adotados toques de recolher durante a noite diante do temor de saques nas regiões atingidas.
Brasil envia ajuda humanitária
A resposta internacional também começa a ganhar força.
O governo brasileiro anunciou o envio de ajuda humanitária à Colômbia, após uma solicitação feita pelo país e uma conversa entre representantes dos dois governos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas e colocou o Brasil à disposição das autoridades colombianas.
Além do Brasil, países como Estados Unidos, México, Peru, Panamá e El Salvador estão entre os que anunciaram assistência. Equipes e carregamentos de ajuda internacional começaram a chegar ao território colombiano.
Esperança diminui, mas buscas continuam
Apesar do fim das primeiras 72 horas, as buscas não foram completamente encerradas.
Familiares continuam acompanhando os trabalhos na expectativa de encontrar parentes desaparecidos, enquanto equipes especializadas utilizam cães farejadores e equipamentos capazes de detectar movimentos e sinais sob os escombros.
Ao mesmo tempo, a dimensão da emergência começa a mudar as prioridades do país. Além da procura pelos desaparecidos, cresce a necessidade de abrigar milhares de pessoas, recuperar hospitais e serviços públicos e garantir assistência às famílias que perderam suas casas.
Com quase 500 pessoas ainda desaparecidas, o número de vítimas poderá sofrer novas alterações nas próximas horas e dias.


