A atuação de um ciclone extratropical de rápida intensificação, conhecido como ciclone-bomba, mantém em alerta parte do Sul e do Sudeste do Brasil nesta sexta-feira (7). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o sistema provoca vendavais, chuvas intensas e uma acentuada queda nas temperaturas, com reflexos que se estendem do litoral de São Paulo ao Rio Grande do Sul e alcançam áreas do Mato Grosso do Sul, Sul de Minas Gerais e sul do estado do Rio de Janeiro.
Os maiores impactos são registrados na Região Sul. Durante a manhã, as previsões indicam chuva forte acompanhada de trovoadas no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul. Ao longo da tarde e da noite, a instabilidade permanece concentrada principalmente entre o Paraná e o centro-norte catarinense, enquanto o avanço da massa de ar polar derruba as temperaturas em todo o território gaúcho.
No Rio Grande do Sul, a expectativa é de queda entre 3°C e 5°C nas temperaturas, com frio ainda mais intenso no sábado (8). Em áreas do centro-sul do estado, os termômetros podem se aproximar de 0°C, favorecendo a formação de geadas, enquanto o norte gaúcho ainda poderá registrar pancadas isoladas de chuva.
A força do sistema também resultou na confirmação de um tornado no município de Pedro Osório, na região sul do Rio Grande do Sul. A Defesa Civil estadual informou que havia emitido um alerta laranja para tempestades severas antes da ocorrência do fenômeno, advertindo para ventos fortes, granizo e alto risco de destelhamentos. Durante a madrugada, outras 19 cidades receberam alerta vermelho devido ao avanço das tempestades.
De acordo com o balanço mais recente da Defesa Civil, aproximadamente 100 municípios gaúchos registraram algum tipo de dano. As principais ocorrências envolvem queda de árvores, interrupção de vias, destelhamentos e prejuízos em residências e estruturas públicas.
O que é um ciclone-bomba?
Apesar do nome chamar a atenção, um ciclone-bomba não é um tipo diferente de ciclone. O termo é utilizado quando um ciclone extratropical sofre uma queda muito rápida da pressão atmosférica em seu centro, processo conhecido pelos meteorologistas como ciclogênese explosiva. Essa intensificação faz com que o sistema produza ventos muito fortes, mar agitado e temporais de grande intensidade.
O fenômeno costuma se formar sobre o oceano, especialmente na costa sul da América do Sul, onde massas de ar frio e quente se encontram. Embora nem todo ciclone extratropical se transforme em ciclone-bomba, quando isso ocorre os impactos tendem a ser significativamente maiores.
Especialistas destacam que o principal risco não está no centro do ciclone, mas nos efeitos provocados por ele, como rajadas de vento, chuvas intensas, ressacas e brusca queda de temperatura.
Reflexos em Minas Gerais
Em Minas Gerais, os efeitos do sistema são mais sentidos no Sul do estado. A previsão indica aumento da nebulosidade, rajadas de vento e queda das temperaturas nas áreas próximas à divisa com São Paulo e ao Sul fluminense. Embora o estado não esteja na área de maior impacto do ciclone, a passagem da frente fria associada ao fenômeno modifica o tempo em diversas regiões mineiras.
As autoridades orientam a população das áreas sob alerta a evitar deslocamentos durante tempestades, manter distância de árvores e estruturas metálicas e acompanhar os avisos emitidos pela Defesa Civil e pelos serviços oficiais de meteorologia.


