“Eu nunca sonhei com você/Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba/Não vou a Ipanema
Não gosto de chuva/Nem gosto de sol
E quando eu lhe telefonei/Desliguei foi engano
Seu nome não sei/Esqueci no piano/As bobagens de amor
Que eu iria dizer/Não, Lígia, Lígia
Eu nunca quis tê-la ao meu lado/Num fim de semana
Um chope gelado/Em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon/E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão/O seu nome rasguei
Fiz um samba canção/Das mentiras de amor
Que aprendi com você/Lígia, Lígia
E quando você me envolver/Nos seus braços serenos
Eu vou me render/Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo/Que um raio de sol/Lígia, Lígia”
– Marineth, a música “Lígia” faz parte do repertório do virtuoso disco Urubu de Tom Jobim, o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, que completa cinquentenário neste ano de 2026. O álbum é aberto com “O boto”, parceria dele com Jararaca; e “Correnteza”, em parceria com Luiz Bonfá. Tem as autorais “Saudade do Brasil” e “Arquitetura de morar” (instrumentais). “O homem”, parceria com Vinícius de Moraes (instrumental, da peça “Brasília, sinfonia da alvorada”). E a também instrumental “Valse”, de Paulo Jobim.
– Athaliba, o Tom Jobim faleceu em Nova York, nos EUA, em 8/12/1994, país, inclusive, no qual gravou Urubu nos dias 16, 17, 20, 22 e 23 de outubro de 1975. Ele utilizou piano acústico e elétrico, além de violão. Contou com a participação de Ron Carter, no baixo. A foto do maestro na capa do LP é do renomado fotógrafo Januário Garcia, em parceria com o fotógrafo estadunidense Raymond Ross. Carioca, nascido em 25/1/1927, o nosso consagrado músico e compositor terá o seu centenário de nascimento, portanto, celebrado ano que vem, em 2027. Que seja supimpa!
– Marineth, a importância do maestro, compositor, pianista, arranjador e violonista à MPB – Música Popular Brasileira -, sem analogia, não se mede pelo batismo do nome dele ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. O aeródromo, na Ilha do Governador, que tem a maior pista comercial do Brasil, quatro km de extensão, registra operações memoráveis. Em 1971, o avião supersônico Concorde pousou no aeroporto pela 1ª vez, em vôo experimental. Outro acontecimento marcante data de 22 de março de 2012, com o pouso do maior avião comercial do mundo: Airbus A380.
– Athaliba, diz-se que Tom internacionalizou a Bossa Nova. E que ele contou com a ajuda de importantes artistas estadunidenses para fundir o nosso gênero musical com o jazz nos anos 1960, criando uma nova sonoridade. Ele é autor de músicas incluídas em repertórios clássicos do jazz e do pop. A “Garota de Ipanema”, por exemplo, já foi gravada por mais de 240 vezes por outros artistas. O LP Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, de 1967, teve indicação de Álbum do Ano, em 1968. O maestro tem oito das 15 músicas nacionais mais regravadas.
– Marineth, uma das homenagens mais marcantes dedicadas a Tom Jobim foi o desfile da Estação Primeira de Mangueira, em 1992. A agremiação classificou-se em 6º lugar com o enredo Se todos fossem iguais a você, que é título da música dele com Vinícius de Moraes. Do alto do carro alegórico, o artista auferiu o reconhecimento e a admiração do público. Entre integrantes da agremiação carnavalesca, o amigo e parceiro, Chico Buarque de Holanda, participou ativamente do coro e da ala musical, contando o samba-enredo de Hélio Turco, Jurandir e Alvinho.
– Athaliba, a trajetória artística do Tom é memorável. Vale destacar o disco, Elis & Tom, de 1974, gravado de 22/2 a 9/3 no MGM Studios de Los Angeles, Califórnia, EUA, daquele ano. Tem a extraordinária “Águas de março”, “Pois é”, “Só tinha que ser com você”, “Modinha”, “Triste”, “Corcovado”, “O que tinha de ser”, “Retrato em branco e preto”, “Brigas, nunca mais”, “Por toda a minha vida”, “Fotografia”, “Soneto da separação”, “Chovendo na roseira” e “Inútil paisagem”. Ouço uma vez por mês, pelo mesmo. O disco é um dos preferidos da minha discografia.
– Marineth, ocê não tem esse privilégio exclusivo. É da legião de fãs da Elis e do Tom.






