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Home Notícias Brasil

Ex-enteada relata agressões e afogamentos em julgamento de Dr. Jairinho

Por Redação
28 de maio de 2026 - 15:03
em Brasil
Psiquiatra diz em júri que Dr. Jairinho demonstrava “prazer em provocar dor” em crianças

Divulgação / TJRJ

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O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros foi marcado por um depoimento considerado devastador pela acusação no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, afirmou nesta quinta-feira (28) ter sofrido agressões físicas quando era criança e convivia com o ex-vereador.

Kaylane é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-companheira de Jairinho antes do relacionamento dele com Monique Medeiros. O depoimento foi prestado no 2º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, onde o casal responde pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, em março de 2021.

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Segundo a jovem, os episódios de violência começaram quando ela tinha entre 6 e 7 anos.

Ela contou aos jurados que conheceu Jairinho aos 3 anos, quando a mãe iniciou relacionamento com o então vereador, e que o convívio durou cerca de quatro anos.

Durante o depoimento, Kaylane relatou agressões físicas constantes.

“Era tudo junto, ele pegava a minha cabeça, ficava batendo na quina, depois torcia o meu braço, me dava moca [socos na cabeça], ia repetindo e depois eu ia embora para casa”, afirmou emocionada.

A testemunha chorou em alguns momentos da audiência.

A pedido dela, Jairinho foi retirado do plenário durante o depoimento. Monique Medeiros permaneceu presente.

Jovem relatou episódios de afogamento

Um dos relatos que mais chamou atenção no júri envolveu episódios ocorridos em uma piscina de um local que Kaylane acredita ser um motel frequentado pelo casal.

Segundo ela, Jairinho a afundava repetidamente na água utilizando o pé sobre sua barriga.

“Na piscina, ele me afogava com o pé na minha barriga até eu encostar no chão. Ele me soltava, eu subia, respirava um pouco, e ele me afundava com o pé”, contou.

A estudante negou qualquer tipo de abuso sexual, mas afirmou que entendia claramente que aquilo não se tratava de brincadeira.

“Ele dizia que eu atrapalhava”

Kaylane também relatou episódios de violência psicológica.

Segundo a jovem, Jairinho dizia frequentemente que ela atrapalhava a vida do casal e que seria melhor se ela não existisse.

“Ele falava que, se eu não existisse, se fossem só ele e a minha mãe, iria ser muito melhor”, declarou.

A acusação considera o depoimento relevante porque a fala se aproxima de relatos envolvendo Henry Borel, que, segundo as investigações, teria perguntado à mãe se também atrapalhava sua vida.

Testemunha disse que sentia medo do ex-vereador

A estudante contou que passou a desenvolver medo intenso de Jairinho ainda durante a infância.

“Sempre que via o carro dele chegando, eu corria e vomitava”, afirmou.

Segundo ela, os episódios de violência permaneceram em silêncio durante anos porque o ex-vereador orientava que nada fosse contado à mãe.

Ela revelou que só conseguiu relatar o que viveu cerca de um ano após o término do relacionamento entre Jairinho e Natasha, depois de assistir na televisão um caso semelhante de agressão infantil.

Caso Henry despertou sentimento de culpa

Ao acompanhar a repercussão nacional da morte de Henry Borel, Kaylane afirmou ter revivido os traumas da infância.

Ela contou ao júri que chegou a sentir culpa por não ter denunciado Jairinho anteriormente.

“Se eu tivesse revelado antes, não chegaria onde chegou”, declarou.

Segundo a estudante, esse sentimento levou ela e a mãe a procurarem Leniel Borel para colaborar com as investigações.

Mãe diz que desconfiava de comportamento estranho

Natasha Machado também prestou depoimento ao júri.

Ela afirmou que nunca percebeu marcas de agressões na filha enquanto mantinha relacionamento com Jairinho, mas revelou que passou a desconfiar de atitudes do então companheiro.

Segundo Natasha, em uma ocasião simulou ingerir um comprimido dado por Jairinho e, durante a madrugada, o viu levantando Kaylane da cama.

Ao questioná-lo, ele teria respondido que a menina havia acordado.

Natasha ainda afirmou acreditar que foi vítima de violência psicológica após o fim do relacionamento.

Defesa reforça estratégia no júri

O julgamento também marcou o retorno do advogado Fabiano Lopes, que havia se afastado após sofrer um infarto no último sábado.

A ausência dele no início do julgamento havia sido usada pela defesa para tentar adiar o júri.

Além de Kaylane e Natasha, outra ex-companheira de Jairinho ainda deve ser ouvida. A expectativa é que Débora Mello Saraiva relate agressões sofridas pelo filho dela, que teria tido fratura no fêmur.

Caso mobiliza o país desde 2021

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Henry Borel morreu em decorrência de agressões cometidas por Jairinho dentro do apartamento onde vivia com a mãe.

A acusação sustenta que Monique Medeiros sabia das agressões e foi omissa.

Dr. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo.

Já Monique responde por homicídio, tortura por omissão, fraude processual e outros crimes ligados ao caso.

O julgamento segue no Rio de Janeiro e a decisão será tomada por sete jurados.

Tags: Caso HenryDr JairinhoHenry BorelLeniel BorelMonique MedeirosRio de Janeirotribunal do júri
Redação

Redação

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