O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decidiu levar a júri popular Douglas Alves da Silva, acusado de atropelar e arrastar a ex-companheira Tainara Souza Santos na Marginal Tietê, em São Paulo.
O crime aconteceu em 29 de novembro do ano passado e ganhou repercussão nacional pela violência da ação. Segundo as investigações, Tainara foi atingida pelo veículo, ficou presa embaixo do carro e acabou sendo arrastada por aproximadamente um quilômetro.
A vítima chegou a ser socorrida com vida, mas sofreu ferimentos gravíssimos. Ela teve as duas pernas amputadas e permaneceu internada por semanas até morrer no dia 24 de dezembro, aos 31 anos.
Tainara deixou dois filhos.
Justiça decide levar caso ao Tribunal do Júri
Segundo o TJSP, durante a audiência de instrução foram ouvidas 12 testemunhas, além do interrogatório do acusado.
Ao final da audiência, a Justiça decidiu pronunciar Douglas Alves da Silva, etapa em que o juiz entende existir indícios suficientes para que o réu seja submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri.
A data do julgamento ainda não foi divulgada.
Responsável pela investigação, o delegado Fernando Barbosa Bossa classificou o caso como tentativa de feminicídio praticada sem possibilidade de defesa da vítima e com requintes de crueldade.
Segundo o delegado, partes das pernas de Tainara foram arrancadas durante o trajeto em que ela foi arrastada pela Marginal Tietê.
De acordo com as investigações, Tainara e Douglas tiveram um relacionamento breve e o suspeito não aceitava o término.
A Polícia Civil concluiu que o atropelamento foi intencional.
Acusado foi preso um dia após o crime
Douglas Alves da Silva foi preso pela Polícia Civil de São Paulo no dia seguinte ao atropelamento.
Desde então, ele permanece à disposição da Justiça.
O caso passou a integrar estatísticas de feminicídio no país e reacendeu debates sobre violência contra a mulher e crimes motivados pela não aceitação do fim de relacionamentos.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra números recordes de feminicídios nos últimos anos, com crescimento dos crimes praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Estudos apontam que muitos casos são precedidos por ameaças, perseguições e episódios anteriores de violência doméstica.






