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Home Colunas

Ricos+ricos e pobres+pobres

Por Lenin Novaes
18 de outubro de 2019 - 10:23
em Colunas

Estudo do IBGE revela que os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres. Bolsões de miséria com cerca de 1º quarto da população abaixo da linha da pobreza se espalham pelo país. (Repodução Internet)

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– Athaliba, você sabia que no Brasil os ricos estão ficando mais ricos, enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres? Esse panorama de absurda desigualdade na população do país que se observa dia a dia é confirmado pelo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Nesse contexto fica cada vez mais distante a perspectiva de justa distribuição das riquezas exuberantes oriundas do solo brasileiro. Assim, meu amigo de luta, somente através da instauração do poder popular, que seja a ferro e fogo, teremos a pátria amada para todos.

– Acompanhei, Marineth, a notícia sobre o assunto em parcos meios de comunicação. Essa notícia, infelizmente, não bomba na larga maioria da mídia, que explora fofocas, mexericos e intrigas de “famosos” e “celebridades”, nesse caldo cultural contracultura.

– Pois é Athaliba. A infinita maioria dos meios de comunicação é verdadeiros oligopólios nas mãos de poucas famílias. Diga-se de passagem: nas mãos de ricas famílias, que exploram concessões de canais de TVs em favor do acumulo de fortunas. Mas, o trabalho do IBGE mostra que o rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que da metade mais pobre, ano passado. Enquanto a parcela de maior renda arrecadou R$ 27.744,00 por mês, em média, os 50% menos favorecidos ganharam R$ 820,00.

– Sim, Marineth. Os dados fazem parte da avaliação dos rendimentos de todos os tipos de trabalho e de outras fontes de pessoas residentes no país, incluída na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua. A faixa de 1% dos brasileiros mais ricos teve aumento real de 8,4% no rendimento médio mensal em 2018. Conforme a pesquisa, além da queda de 3,2% nos rendimentos dos 5% mais pobres, o grupo de 5% até 10% teve queda de 1,4%. As perdas para o grupo entre 10% e 20% foram de 1,5%. A faixa entre 20% e 30% registrou perda de 0,8%.

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– É isso aí, Athaliba. Segundo Adriana Araújo Beringuy, analista da Coordenadoria de Trabalho e Rendimento, “houve impacto de pessoas empregadas nas áreas de telecomunicação, informação, serviços financeiros e administrativos. É um grupamento que sempre empregou com carteira assinada, mas perdeu bastante população ocupada e, na medida em que contratava, era mais sem carteira e por conta própria. Até setores mais formalizados absorveram trabalhadores com menores rendimentos”.

– Marineth, a situação absurda de ricos muito ricos e pobres empobrecendo cada vez mais é o combustível que sustenta o caos social e essa vergonhosa conjuntura política de desordem que se apregoa como “estado de direito democrático”. Estado democrático é o cacete.

– Tem razão, Athaliba. A contribuição dos ricos à pátria amada, efetivada em pagamento de impostos, sai no xixi deles, enquanto o tributo pago pelos paupérrimos sai do suor e da carne.

– Nunca, ou melhor, desde sempre, Marineth, tivemos no Brasil política de justa distribuição de renda. Nesse sistema de exploração, hoje, existe cerca 12 milhões de pessoas sem emprego. É quase quatro vezes mais toda a população do Uruguai. Pouco menos que duas vezes mais a população do Paraguai. É mais que a população da Bolívia. Quase a metade da população do Peru. O número de desempregados dá para encher, lotar, 200 vezes o Estádio do Maracanã, que tem a capacidade para 60.000 pessoas.

– Athaliba, é importante sinalizar que, além do gritante número de desempregados, o Brasil não dá oportunidade de trabalho a milhares e milhares de recém-formados em diferentes cursos nas universidades. São jovens entregues ao deus-dará.

– Bem lembrado, Marineth. Esse modelo de sistema político já se exauriu se esgotou, se fundiu em seu próprio âmbito. Deu o que tinha que dá.

– Claro, Athaliba. Veja o caso da República Popular da China. Nos últimos 70 anos o país tirou cerca de 800 milhões de pessoas da pobreza. O crescimento, com desenvolvimento social, está estruturado no tripé educação, ciência e tecnologia. Não à toa, a China, hoje, tá na órbita da terra, ocupando o chamado lado oculto da Lua. E, dentro das próximas três décadas, poderá ser potência absoluta no campo da geopolítica na terra. Quem viver verá!

– Marineth, enquanto isso, o Brasil concentra mais de 40 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Nas grandes metrópoles, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, principalmente, significativa parcela da população sobrevive de maneira informal, vendendo até bala puxa-puxa e outras bugigangas. Isso me lembra do saudoso Gonzaguinha, na música “Pobreza por pobreza”, artista engajado na luta por um Brasil para todos.

Clique no link e confira: https://www.letras.mus.br/gonzaguinha/pobreza-por-pobreza/

“Meu sertão vai se acabando
Nessa vida que o devora
Pelas trilhas só se vê
Gente boa indo embora

Mas a estrada não terá
O meu pé pra castigar
Meu agreste vai secando
E com ele eu vou secar

Pra que me largar no mundo
Se nem sei se vou chegar
A virar em cruz de estrada
Prefiro ser cruz por cá

Ao menos o chão que é meu
Meu corpo vai adubar
Se, doente, sem remédio
Remediado está

Nascido e criado aqui
Sei de espinho onde dá
Pobreza por pobreza
Sou pobre em qualquer lugar

A fome é a mesma fome
Que vem me desesperar
E a mão é sempre a mesma
Que vive a me explorar
A mão é sempre a mesma
Que vive a me explorar
A mão a sempre a mesma
Que vive a me explorar”

Tags: economiaIBGEInstituto Brasileiro de Geografia e EstatísticapobrezarendimentosRiqueza
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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