Um jovem ambicioso, nascido em uma cidade do interior, sonhava em ser o comandante de um navio que ficava atracado em um porto seguro a alguns quilômetros da praia. Ele observava o navio todos os dias e criticava o comandante e toda a tripulação. Garantia que se um dia fosse o comandante, aquele navio serviria ao povo, que era seu proprietário, passaria por uma grande reforma e voltaria a navegar com toda segurança. Prometia também por fim aos atravessadores, abrir concorrências para contratar empresas e acabar com toda a corrupção. Garantia que seria pulso firme com seus subordinados.
imagem ilustrativa*
Então o tempo passou e um dia o jovem assumiu o comando do navio. Exonerou parte dos marinheiros e levou consigo novos companheiros que ele garantia serem técnicos. A bordo do navio o comandante chamou os capitães e passou ordens, designando para cada um, uma função. Ele queria reformar o navio, como havia prometido, e colocá-lo a serviço do povo.
Entre os escolhidos havia um que se considerava o mais inteligente e astuto. Então tratou logo de manipular os demais tripulante para que a administração do navio ficasse bem ao seu modo. Daí, instalou-se um motim e as ordens do comandante passaram a não ser ouvidas. Todas as ordens do comandante eram criticadas por este tripulante.
O manipulador era responsável por auditar as documentações, se estavam corretas ou não, mas deixava tudo correr solto, preocupava apenas com seus interesses e dos demais que faziam parte do motim. O navio que era para servir a população continuou atracado no mesmo lugar. O tempo foi passando e dois anos se foram. Mais um mês e o navio no mesmo lugar. As pequenas reformas que anteriormente eram feitas foram também deixadas de lado e com o sacudir do mar, o navio foi se tornando a cada dia mais inseguro.
Vendo que o navio ia naufragar, alguns marinheiros com medo queriam tomar providencias e conscientizar o comandante do perigo. Um dia, durante o almoço, o farmacêutico da embarcação disse ao líder do motim: “Precisamos fazer alguma coisa. Temos que levar ao conhecimento do comandante. O navio esta afundando.” O jovem que dava as ordens em tudo, levantou apenas os olhos em direção ao farmacêutico e enquanto comia a sua marmita disse: “Você é fraco! Lembre-se que precisamos cuidar dos nossos interesses, apenas dos nossos interesses. Estamos a poucos quilômetros da praia e quando o navio afundar nós temos botes para nos salvar. Lembre-se que não somos nós os responsáveis pelo comando. Em um naufrágio podemos abandonar o navio a qualquer hora. Apenas o comandante é obrigado a ficar.” O outro insistiu: “Se ele abandonar antes pode ser preso e se ficar até o navio afundar, o que pode acontecer a ele?” O líder do motim mais uma vez retrucou: “Você é mesmo fraco! Agora não é momento para pensar nisso. Deixe-me comer sossegado a minha marmita.”
Então, o farmacêutico da embarcação que percebia o perigo cada vez mais iminente, apresentou um documento ao líder do grupo e questionou: “Isto esta errado!” Mais uma vez sem tirar os olhos da marmita ele disse: “O comandante é você ou ele?” e completou: “O negocio é dele, deixa entrar.”





