Rio de Janeiro - O livro “Jet Lag” (Companhia das Letras - 128 págs.) é uma viagem à poesia de Waly Salomão.
Organizado e apresentado por seu filho Omar Salomão - também poeta, letrista, escritor, cantor e artista plástico - e com belas monotipias do artista Luiz Zerbini, o livro marca o 80º aniversário de nascimento do letrista - parceiro de Caetano Veloso e Jards Macalé em músicas eternizadas nas vozes das cantoras Gal Costa e Maria Bethânia - e os 20 anos que o poeta e compositor Waly Salomão, como diz o também poeta Marcus Lucenna, encantou-se.
Waly Dias Salomão foi um poeta de origem síria nascido em Jequié, no sertão da Bahia, no dia 3 de setembro de 1943, e radicado no Rio de Janeiro, filho de Maximino Hage Suleiman e Elizabeth Dias Salomão.
Waly Salomão é uma das figuras emblemáticas do Tropicalismo sessentista. Também importante nome da contracultura no Brasil, nos anos 1970. Uma das principais vozes da cultura brasileira do século 20. Poeta , letrista, articulador cultural, artista visual e diretor de espetáculos.
Foi letrista de canções de sucesso como o clássico "Vapor Barato", em parceria com Jards Macalé. Gilberto Gil, Itamar Assumpção, João Bosco, Caetano e Moraes Moreira são alguns dos parceiros de Salomão, além de Lulu Santos, com quem o poeta divide a autoria de "Assaltaram a Gramática", gravada pelos Paralamas do Sucesso.
Em 1970, abordado em uma blitz na Avenida São João, em São Paulo, Waly é preso por porte de maconha. No presídio do Carandiru, o poeta escreve seu primeiro texto, “Apontamentos do Pavilhão 2”. A mente efervescente do artista multimídia produziu a obra e o caos delirante, em versos transbordantes, com a alma em ebulição.
O livro mostra ainda, entre os poemas, alguns versos escritos como letras de música, casos de "Revendo amigos" (Jards Macalé e Waly Salomão), "Alteza" (Caetano Veloso e Waly Salomão) – música-título de álbum de Maria Bethânia – e "Vapor Barato" (Jards Macalé e Waly Salomão), canção amplificada na voz cristalina de Gal Costa no show Gal a todo vapor, concebido e dirigido por Waly.
A viagem surge como um dos temas centrais no livro e na obra do poeta. "Viajar, para quê e para onde, se a gente se torna mais infeliz quando retorna?", questiona Waly Salomão no emblemático "Poema Jet-lagged" que faz parte da obra.
Waly encerra o poema assim:
Escrever é se vingar da perda.
Embora o material tenha se derretido todo,
Igual queijo fundido.
Escrever é se vingar?
Da perda?
Perda?
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