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Home Ciência e Tecnologia

Estudo identifica reprodução de anfíbios em cavernas da Serra do Espinhaço

Pesquisa registra 18 espécies de sapos, rãs e pererecas associadas a ambientes subterrâneos em Minas Gerais

Por Redação
27 de janeiro de 2026 - 14:42
em Ciência e Tecnologia
Estudo identifica reprodução de anfíbios em cavernas da Serra do Espinhaço

Perereca Bokermannohyla Martinsi | Foto: Mauricio Andrade

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Um estudo científico realizado na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, identificou a presença de 18 espécies de anuros — grupo que inclui sapos, rãs e pererecas — associadas a ambientes cavernícolas. A pesquisa concentrou-se principalmente no Parque Estadual do Itacolomi e no Monumento Natural Estadual da Serra da Piedade, áreas protegidas administradas pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF).

O levantamento integra o projeto Ecologia de Vertebrados Associados a Cavernas do Espinhaço Meridional, que também abrangeu unidades de conservação federais, como o Parque Nacional da Serra do Gandarela, o Parque Nacional da Serra do Cipó, o Parque Nacional das Sempre-Vivas e a Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira.

Espécies e uso das cavernas

De acordo com os pesquisadores, algumas espécies foram encontradas nas cavernas apenas na fase adulta, entre elas os sapos Rhinella gr. crucifer e Rhinella rubescens; as rãs Physalaemus erythros e Thoropa megatympanum; e as pererecas Scinax fuscovarius e Scinax machadoi.

O principal achado do estudo, no entanto, foi o registro simultâneo de girinos e indivíduos adultos em cavernas com presença de corpos d’água, o que indica a possibilidade de reprodução dentro desses ambientes subterrâneos. Esse padrão foi observado especialmente em espécies do gênero Bokermannohyla, como B. martinsi, B. alvarengai, B. nanuzae e B. saxicola.

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Foram observados girinos, fêmeas e machos vocalizando em praticamente todas as estações do ano. Segundo o analista ambiental Maurício Andrade, coordenador do projeto, a hipótese de reprodução cavernícola foi reforçada após a constatação de que não existiam cursos d’água superficiais acima das cavernas estudadas.

“Isso indica que não havia possibilidade de os girinos serem carregados para o interior das cavernas, o que confirma que algumas espécies efetivamente se reproduzem nesses ambientes”, explicou.

Comparação com estudos anteriores

Pesquisas anteriores já haviam identificado o uso sazonal de cavernas ferruginosas por Bokermannohyla martinsi no Parque Nacional da Serra do Gandarela, principalmente como abrigo contra condições climáticas adversas. Essas cavernas, porém, não apresentavam cursos d’água. Já nas cavernas quartzíticas do Parque Estadual do Itacolomi, os pesquisadores encontraram condições ambientais favoráveis à reprodução, como água permanente e microclima estável.

Outros vertebrados em ambientes subterrâneos

Além dos anfíbios, o estudo também registrou a presença de outros vertebrados em cavernas da região. Foram identificadas oito espécies de aves, duas de lagartos, duas de serpentes e uma espécie de lagartixa. Entre as aves, destaca-se o tapaculo-serrano (Scytalopus petrophilus), espécie típica de ambientes montanos.

Importância para a conservação

Segundo os pesquisadores, estudos ecológicos e comportamentais em ambientes subterrâneos ainda são pouco frequentes no Brasil, apesar de sua relevância para entender o papel das cavernas nos ciclos de vida da fauna. As informações levantadas podem subsidiar ações de manejo e conservação tanto das espécies quanto dos próprios ambientes cavernícolas.

A realização de pesquisas em unidades de conservação exige autorização prévia do órgão gestor. Para o gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, Edmar Monteiro Silva, o procedimento garante que os estudos ocorram de forma controlada.

“A autorização permite acompanhar as atividades desenvolvidas, assegurando o cumprimento das normas ambientais e contribuindo para a gestão das unidades de conservação”, afirmou.

Tags: anfíbiosBiodiversidadecavernasMinas Geraispesquisa científicaSerra do Espinhaçounidades de conservação
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