Dois episódios de vazamento de água em operações da mineradora Vale S.A. no interior de Minas Gerais mobilizaram autoridades ambientais e de segurança na última semana. As ocorrências foram registradas em minas localizadas em Congonhas e na divisa com Ouro Preto, sem feridos, mas com impactos ambientais relatados por órgãos públicos.
O primeiro extravasamento foi registrado na mina de Fábrica na madrugada de domingo (25), quando a estrutura de contenção de água se rompeu após fortes chuvas e liberou cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva contendo sedimentos e materiais de beneficiamento mineral. A água correu por áreas rurais e atingiu instalações da CSN Mineração, além de alcançar o rio Goiabeiras, que deságua no rio Maranhão.
Já na segunda-feira (26), a mina Viga, em Congonhas, teve um novo extravasamento de água e lama, com parte do líquido alcançando o mesmo curso d’água, o rio Maranhão, segundo a prefeitura municipal e equipes de defesa civil.
Ações de fiscalização e multas
Em resposta aos incidentes, o governo de Minas Gerais autuou a Vale e anunciou aplicação de multas, com base na legislação ambiental estadual. As infrações apontadas incluem causas de poluição e degradação de recursos hídricos e o atraso na comunicação dos acidentes — em ambos os casos, as notificações às autoridades teriam sido feitas horas depois de os vazamentos ocorrerem.
Autoridades estaduais também exigem que a mineradora apresente planos de recuperação ambiental, com ações de limpeza das margens dos cursos d’água afetados, desassoreamento de leitos e monitoramento contínuo das áreas impactadas.
Em paralelo, a prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento das unidades de Fábrica e Viga, o que, na prática, impede certas operações até que a mineradora demonstre medidas de controle e mitigação claras.
Cobrança federal por solução imediata
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, encaminhou nesta segunda-feira (26) um ofício à Agência Nacional de Mineração (ANM) exigindo uma postura mais firme diante do problema registrado na mina Viga. No documento, o ministro citou a possibilidade de interdição de operações caso medidas imediatas não sejam adotadas para proteger o meio ambiente e as comunidades locais. Ele também solicitou a abertura de procedimento de apuração de responsabilidades.
A ANM informou que as ocorrências não envolveram ruptura ou colapso de barragens ou pilhas de mineração, e equipes técnicas seguem em campo para verificar as condições das estruturas e das áreas afetadas.
Impactos observados
Mesmo sem feridos, moradores e autoridades destacam a preocupação com os impactos ambientais. A água turva liberada pela mina de Fábrica atravessou áreas naturais e chegou a alagamentos em instalações da CSN Mineração, onde almoxarifado, oficinas e áreas de embarque foram inundados.
Segundo registros locais e técnicos, o fenômeno ocorreu em meio a uma sequência de fortes chuvas que atingiram a região central de Minas Gerais, elevando o volume de água em reservatórios e estruturas de drenagem das operações mineiras.
A mineradora afirmou que os vazamentos foram contidos e que não houve carreamento de rejeitos de mineração — apenas água com sedimentos —, além de reforçar que as barragens da região continuam estáveis e sob monitoramento contínuo.






