Mesmo com esse cenário, a tendência majoritária entre analistas é de que o Banco Central inicie um ciclo de corte da Selic, ainda que de forma mais cautelosa.
Guerra pressiona petróleo e muda cenário
Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o preço do petróleo tem registrado oscilações intensas. Em poucos dias, o barril chegou a subir mais de 30% e superou a marca de US$ 100 em momentos de maior tensão .
Esse movimento está diretamente ligado ao risco de interrupção no fornecimento global. Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial . Qualquer bloqueio ou instabilidade na região impacta imediatamente os preços internacionais.
Além disso, ataques a navios e incertezas sobre a duração da guerra aumentam o chamado “prêmio de risco” da commodity — ou seja, o mercado passa a incorporar a possibilidade de escassez futura no preço atual.
Impacto direto na inflação
A alta do petróleo tem efeito quase imediato sobre combustíveis e cadeia produtiva. No Brasil, estimativas indicam que o barril na faixa de US$ 80 pode adicionar cerca de 0,25 ponto percentual à inflação .
Com preços mais altos de gasolina e diesel, o impacto se espalha para transporte, alimentos e produtos industriais, pressionando o custo de vida.
Esse cenário levou o mercado a revisar para cima as projeções inflacionárias e, consequentemente, reduzir as apostas em cortes mais agressivos da Selic.
Corte de juros deve ser moderado
A expectativa atual é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano.
Antes da escalada do conflito, parte do mercado projetava um corte maior, de 0,5 ponto. A mudança reflete justamente o aumento das incertezas externas.
Ainda assim, o Copom sinalizou anteriormente a intenção de iniciar o ciclo de flexibilização monetária, após um longo período de juros elevados.
Inflação ainda sob controle, mas com riscos
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, mostrou desaceleração em 12 meses, mas os dados mais recentes já indicam pressões pontuais.
O Banco Central trabalha com meta contínua de 3%, com tolerância até 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional. Com a guerra, as projeções se aproximam desse limite.
Economia entre dois vetores
A decisão do Copom ocorre em meio a um equilíbrio delicado.
De um lado, há espaço para reduzir juros após um ciclo prolongado de aperto monetário. De outro, o cenário internacional impõe cautela, com risco de inflação mais persistente caso o conflito se prolongue.
Se a guerra continuar pressionando o petróleo, o ritmo de cortes pode ser ainda mais lento nos próximos meses.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, se reúne nesta quarta-feira (18) em um ambiente mais delicado para a economia global. A escalada da guerra no Oriente Médio provocou forte volatilidade no mercado de petróleo e passou a influenciar diretamente as expectativas sobre inflação e juros no Brasil.
Mesmo com esse cenário, a tendência majoritária entre analistas é de que o Banco Central inicie um ciclo de corte da Selic, ainda que de forma mais cautelosa.
Guerra pressiona petróleo e muda cenário
Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o preço do petróleo tem registrado oscilações intensas. Em poucos dias, o barril chegou a subir mais de 30% e superou a marca de US$ 100 em momentos de maior tensão .
Esse movimento está diretamente ligado ao risco de interrupção no fornecimento global. Um dos principais pontos de preocupação é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial . Qualquer bloqueio ou instabilidade na região impacta imediatamente os preços internacionais.
Além disso, ataques a navios e incertezas sobre a duração da guerra aumentam o chamado “prêmio de risco” da commodity — ou seja, o mercado passa a incorporar a possibilidade de escassez futura no preço atual.
Impacto direto na inflação
A alta do petróleo tem efeito quase imediato sobre combustíveis e cadeia produtiva. No Brasil, estimativas indicam que o barril na faixa de US$ 80 pode adicionar cerca de 0,25 ponto percentual à inflação .
Com preços mais altos de gasolina e diesel, o impacto se espalha para transporte, alimentos e produtos industriais, pressionando o custo de vida.
Esse cenário levou o mercado a revisar para cima as projeções inflacionárias e, consequentemente, reduzir as apostas em cortes mais agressivos da Selic.
A expectativa atual é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano.
Antes da escalada do conflito, parte do mercado projetava um corte maior, de 0,5 ponto. A mudança reflete justamente o aumento das incertezas externas.
Ainda assim, o Copom sinalizou anteriormente a intenção de iniciar o ciclo de flexibilização monetária, após um longo período de juros elevados.
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, mostrou desaceleração em 12 meses, mas os dados mais recentes já indicam pressões pontuais.
O Banco Central trabalha com meta contínua de 3%, com tolerância até 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional. Com a guerra, as projeções se aproximam desse limite.
Economia entre dois vetores
A decisão do Copom ocorre em meio a um equilíbrio delicado.
De um lado, há espaço para reduzir juros após um ciclo prolongado de aperto monetário. De outro, o cenário internacional impõe cautela, com risco de inflação mais persistente caso o conflito se prolongue.
Se a guerra continuar pressionando o petróleo, o ritmo de cortes pode ser ainda mais lento nos próximos meses.






