CARACAS (Venezuela) — A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste domingo (25) que o país não aceitará mais “ordens de Washington” em sua política interna, em declaração feita durante um evento com petroleiros no estado de Anzoátegui, um dos principais centros de produção de petróleo do país.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que seja a política venezuelana que resolva nossas divergências e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, declarou Rodríguez, em discurso transmitido pela TV estatal e citado por agências internacionais.
Contexto da transição de poder e pressão externa
Rodríguez assumiu a presidência interina no início de janeiro após a captura do ditador Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em uma operação militar em 3 de janeiro de 2026. Conforme registros de agências internacionais e organismos diplomáticos, o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano determinou que a então vice-presidente deveria exercer as funções presidenciais para garantir a continuidade administrativa no país.
A Casa Branca, no entanto, tem afirmado repetidamente que possui influência significativa na Venezuela após a operação e que trabalha em estreita cooperação com o governo interino venezuelano, sobretudo em questões relacionadas à produção e comercialização de petróleo.
Acordos e desafios econômicos
Em paralelo à crítica à ingerência externa, Rodríguez confirmou que a Venezuela recebeu US$ 300 milhões em receitas derivadas de um acordo energético com os Estados Unidos — referentes a um fornecimento inicial de petróleo estimado em 50 milhões de barris, negociado após a mudança de governo em Caracas. Segundo a presidente interina, os recursos visam contribuir para a estabilização econômica e reforçar o mercado interno de divisas.
A postura de Rodríguez já gerou críticas de setores da sociedade civil. Organizações de direitos humanos apontam que, apesar de algumas libertações de presos políticos terem ocorrido, centenas de detidos ainda aguardam a soltura sob condições consideradas pouco claras. Familiares de detentos continuam acampados fora de centros de detenção exigindo explicações e reformas no sistema judicial.
Internamente, a declaração de “fim das ordens de Washington” ressoa em meio a um debate acirrado sobre soberania, intervenção estrangeira e o papel dos Estados Unidos na agenda energética e política da Venezuela, especialmente no contexto da maior reserva comprovada de petróleo no mundo.
Pressão diplomática e cenário internacional
Analistas internacionais observam que as críticas de Rodríguez contrastam com o amplo apoio que a administração norte-americana tem demonstrado à liderança interina venezuelana, mesmo após advertências públicas do presidente dos EUA, Donald Trump, de que ela poderia “pagar um preço alto” em caso de não cooperação.
Enquanto isso, propostas de reformas estruturais no setor petrolífero e nos setores de mineração e recursos — que incluem aumento da produção de ouro e incentivos a investimentos estrangeiros — refletem o esforço do governo interino de reconstruir a economia venezuelana, marcada por anos de crise e conflitos internos prolongados.






