A derrota do Brasil por 2 a 1 para a França, em Boston, deixou mais do que o resultado no placar. A atuação da seleção brasileira expôs limitações diante de um adversário mais consistente e serviu como um alerta a poucos dias da Copa do Mundo.
Em campo, o confronto teve clima de decisão. Mas, na prática, o que se viu foi um time brasileiro consciente de suas dificuldades diante de uma França que controlou boa parte do jogo — mesmo quando esteve com um jogador a menos.
O gol de Ekitiké, em jogada iniciada por Olise, resume bem o cenário. Em poucos movimentos, os franceses aceleraram e definiram a partida justamente no momento em que o Brasil tentava reagir.
Volume não virou controle
Os números até sugerem equilíbrio. O Brasil finalizou 17 vezes, criou oportunidades e esteve perto do empate nos acréscimos com Igor Thiago e Vinícius Júnior. Ainda assim, a sensação em campo foi diferente.
A França ditou o ritmo, ocupou melhor os espaços e jogou com mais organização. Mesmo com desfalques e ajustes, a seleção brasileira adotou uma postura mais conservadora: marcação baixa, posse cedida ao adversário e aposta em transições rápidas.
Em alguns momentos, funcionou — especialmente com Vini, Martinelli e Raphinha em velocidade. Mas sem consistência.
O principal ponto de atenção esteve na ocupação de espaços. Casemiro e Andrey Santos frequentemente ficaram em inferioridade numérica, enquanto Matheus Cunha precisou recuar para ajudar na recomposição.
O resultado foi um time que parecia sempre jogar com menos gente, tanto atacando quanto defendendo.
Foi nesse cenário que surgiu o primeiro gol francês: perda de bola de Casemiro, defesa exposta, passe de Tchouaméni e finalização de Mbappé.
Reação curta e nova frustração
No segundo tempo, Luiz Henrique trouxe energia nova e mudou o ritmo da equipe. Mais agressivo, criou as melhores jogadas do Brasil e reacendeu a esperança — ainda mais após a expulsão de Upamecano.
Mas a reação durou pouco.
O gol de Ekitiké, novamente, esfriou o jogo e evidenciou a dificuldade do Brasil em se impor. As mudanças de Ancelotti deram fôlego, Danilo entrou bem, e o gol de Bremer manteve o time vivo até o fim.
Ainda assim, o empate não veio — e, se viesse, poderia esconder problemas mais profundos.
Após a partida, o técnico Carlo Ancelotti destacou o desempenho competitivo da equipe, mesmo com a derrota.
“O jogo de hoje deixa muito claro para mim: podemos competir com as melhores equipes do mundo. Não tenho nenhuma dúvida”, afirmou.
O treinador reconheceu o resultado negativo, mas valorizou a postura do time.
“Quando você perde um jogo nunca tem que estar contente, não estamos contentes. Mas, no contexto geral, estou satisfeito porque a equipe competiu até o último minuto”, completou.
Mais dúvidas do que respostas
A poucos dias da Copa, o amistoso deixa um recado claro: o Brasil ainda precisa evoluir para enfrentar seleções do mais alto nível.
O modelo com quatro atacantes ainda carece de equilíbrio, principalmente na recomposição defensiva e na ocupação do meio-campo.
O próximo compromisso será contra a Croácia, na terça-feira (31), no último teste antes da convocação final.
A partida em Boston, no entanto, já deixou uma impressão difícil de ignorar: mais preocupação do que convicção.






