Um navio petroleiro carregado foi atingido e incendiado nesta terça-feira (31) próximo a Dubai, em mais um episódio da escalada militar envolvendo o Irã, os Estados Unidos e aliados na região do Golfo Pérsico.
Autoridades locais informaram que o incêndio na embarcação Al-Salmi, de bandeira do Kuwait, foi controlado após um ataque com drones. Não houve feridos nem vazamento de petróleo, apesar dos danos no casco.
Carga milionária e possível alvo equivocado
O navio transportava cerca de dois milhões de barris de petróleo — sendo 1,2 milhão de origem saudita e 800 mil do Kuwait — com destino à China.
Dados de navegação indicam que o Al-Salmi pode não ter sido o alvo principal. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que mirava um navio de contêineres com supostos vínculos com Israel, que estava próximo à embarcação atingida.
O ataque ocorreu nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. Pela região passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente.
Desde o início do conflito, há cerca de um mês, navios mercantes têm sido alvo recorrente, ampliando o risco para o transporte marítimo e para o abastecimento internacional.
Após o ataque, os preços do petróleo voltaram a subir, refletindo o aumento das tensões e o risco de interrupções na oferta global.
A embarcação atingida tem capacidade para transportar volumes avaliados em mais de US$ 200 milhões, o que evidencia o impacto potencial de ataques desse tipo no mercado internacional.
Pressão política e risco de escalada
O episódio ocorre após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que poderá atingir infraestrutura energética iraniana caso não haja acordo para manter aberto o Estreito de Ormuz.
O governo iraniano, por sua vez, classificou propostas de paz mediadas por terceiros como “irrealistas” e sinalizou que seguirá respondendo às ações militares.
Diante do avanço do conflito, países como Paquistão tentam intermediar negociações, enquanto a China, principal compradora de petróleo iraniano, voltou a pedir o fim das operações militares.
A União Europeia também alertou para o risco de uma interrupção prolongada no fornecimento de energia, caso não haja redução das hostilidades.
Com a escalada dos ataques e a ausência de sinais de trégua, cresce a preocupação com os efeitos econômicos do conflito, especialmente sobre os preços da energia e a estabilidade do comércio internacional.






