A Argentina iniciou nesta quinta-feira (19) uma greve geral de 24 horas em protesto contra o pacote de reforma trabalhista impulsionado pelo presidente Javier Milei. A paralisação, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) — maior central sindical do país — coincide com o início da apreciação da proposta na Câmara dos Deputados da Argentina após aprovação no Senado.
A greve tem como objetivo pressionar deputados a rejeitarem ou emendarem profundamente o texto, que sindicatos e partidos de oposição classificam como um ataque aos direitos trabalhistas conquistados ao longo de décadas. A paralisação vem logo após mobilizações anteriores no início do mês e protestos violentos fora do Congresso durante a votação no Senado.
Impacto imediato da paralisação
A adesão ao movimento tem causado interrupções significativas no funcionamento do país. Serviços públicos, transportes terrestres, trens, metrôs e ônibus foram amplamente afetados, com grande parte das cidades ficando sem transporte coletivo regular. Escolas, bancos, hospitais e atividades administrativas seguem operando de forma reduzida ou suspensa em várias regiões.
Além da greve nacional, outras categorias também vêm realizando ações de protesto, como os trabalhadores marítimos que iniciaram uma paralisação de 48 horas contra a proposta de reforma, afetando operações nos portos e a exportação agrícola do país.
Reforma trabalhista no centro do debate
O texto em discussão pretende modernizar o marco legal trabalhista argentino, que em grande parte remonta aos anos 1970, segundo analistas. Entre as mudanças previstas estão a ampliação da jornada diária de trabalho para até 12 horas, a redução e reestruturação de multas e indenizações trabalhistas, a limitação do direito de greve em setores essenciais e a flexibilização de regras de contratação e demissão.
Para o governo de Milei, a reforma tem propósito econômico, argumentando que ajustes nas regras reduzirão custos e atrairão investimento estrangeiro, além de incentivar a formalização do emprego em um país onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade. Já os sindicatos afirmam que as mudanças representam um retrocesso nos direitos dos trabalhadores, fragilizando garantias históricas como proteção contra demissões arbitrárias, negociação coletiva e a própria ação sindical como instrumento de defesa.
Governo adota postura dura e emite alertas
Em meio à tensão nas ruas, o governo argentino emitiu avisos incomuns à imprensa, recomendando medidas de segurança e alertando para o “risco” de confrontos nos protestos programados próximos ao Congresso. Autoridades também afirmaram que forças de segurança estão preparadas para agir caso ocorram atos de violência, reforçando a presença policial nas áreas de mobilização.
Repercussão social e política
As mobilizações sindicais contra a reforma trabalhista marcam a quarta greve geral desde a posse de Milei, refletindo uma crescente tensão entre sua agenda de mercado liberal e a força histórica dos sindicatos na Argentina. Protestos anteriores reuniram milhares de trabalhadores e já haviam gerado confrontos com a polícia, resultando em detidos e em dispersão de manifestantes com uso de balas de borracha e jatos d’água.
A reforma segue no centro do debate político argentino, com forte impacto nas relações entre governo, trabalhadores e sociedade civil, em um momento em que a economia do país enfrenta desafios como inflação elevada e fechamento de importantes indústrias.





