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Home Colunas

O BAR DO JAGUAR

Por Ediel Ribeiro
8 de setembro de 2025 - 14:05
em Colunas

Divulgação. 

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Rio de Janeiro – Recentemente, com a morte do cartunista Jaguar, li em um texto escrito pelo Miguel Paiva que o cartunista que criou o Pasquim, era dono de um bar em Itaipava, na serra do Rio, junto com Lan e Hugo Carvana.

Pensei: taí uma coisa que tenho em comum com Jaguar – além do fato de termos sido expulsos das aulas de desenho: também fui dono de boteco, no Rio de Janeiro. Uns vinte.

Já estava pensando em convidar a Sheila – minha parceira de aventuras – para uma visita ao Bar do Horto – nome do suposto boteco do Jaguar -, em Itaipava. Mas, por sorte, descobri antes que o bar do Jaguar inexiste – o verbo inexistir é uma invenção de Paulo Francis que ele usava quando queria dizer que alguma coisa não existe.

Hoje, vamos separar o joio da cevada e contar a história real por trás do lendário Bar do Horto. O suposto bar dos amigos Jaguar, Lan e Hugo Carvana, era, na verdade, um boteco que vendia cachaça para os peões da obra do Hortomercado. Os amigos que subiam a serra nos fins de semana, começaram a frequentar o lugar. “Levávamos uísque e gim. Seu Manoel, o proprietário construiu um puxadinho, onde cabiam um monte de mesas (antes só tinha duas). Lotou geral, foi um tremendo sucesso. Houve até inauguração, com direito a cortar fita e ata de fundação escrita em portugês castiço pelo Carvana, que tinha lido os clássicos, mas escondia sua cultura para não desmoralizar a imagem de malandro”, dizia Jaguar.

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É. O boteco existe mesmo. Fica no Hortomercado Municipal de Itaipava, na Estrada União e Indústria, 9.726 – Itaipava, Petrópolis, no Rio de Janeiro, um point de compras e de encontro de serranos e cariocas, desde os anos 80. O bar fica no meio do Hortomercado e pertence ao simpático ‘Seu’ Manuel; o filho, Daniel, aprendeu com a turma a fazer dry-martini, gim-tônica e Bloody Mary.

Jaguar, Lan e Carvana eram fregueses ilustres e não “sócios fundadores”, como circulou em recentes posts na internet. Na verdade, em 1997, rolou uma “ata de fundação” escrita por Carvana, no próprio Bar do Horto. Era uma brincadeira formalizada: texto em tom solene, mesa com a ata gravada no tampo, e assinaturas de amigos — entre eles Lan e Jaguar. Não era contrato social, nem sociedade comercial, era uma sacanagem, bolada depois de várias rodadas de cerveja.

A Ata, datada de 19 de julho de 1997, foi assinada, na mesa do bar, por uma turma de habitués, entre eles, Hugo Carvana, Martha Alencar, Paulo Casé, Guga, Jaguar, Célia Pierantoni (mulher do cartunista), Beto Sardinha, Marisa, Germaninho (dono do hotel arquitetado pelo Casé) e o Lan, com o “de acordo” do dono, Seu Manuel. O objetivo: celebrar o puxadinho que lotou o bar nos fins de semana.

Hoje, os amigos já não se reúnem mais naquela mesa pra contar histórias – como na canção (Naquela Mesa) de Nelson Gonçalves e Raphael Rabello. Jaguar, Lan e Hugo Carvana foram tomar a saideira no céu, quem sabe, no Bar Esperança: o último que fecha.

O único vestígio que pode servir para identificar, deduzir ou confirmar a ocorrência da farra daquele bando de bebuns é a tal ata gravada no tampo de uma das mesas, o resto ficou na memória afetiva do lugar.

Jaguar morreu sem nunca ter conseguido sentar nela: é a mais requisitada.

Tags: BarDoHortoColunaCulturaEdiel RibeirohistoriaJaguar
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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