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Home Colunas

A POESIA DE FELIPE GRANADOS

Por Ediel Ribeiro
8 de dezembro de 2022 - 07:21
em Colunas

Divulgação - 

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Conheci a poesia de Felipe Granados pouco depois de sua morte, em 2009.  

Granados morreu jovem, aos 33 anos. O poeta ainda hoje é lembrado como o grande poeta cartaginês dos últimos tempos. 

Viveu pouco. Levava uma vida boêmia, bebendo de bar em bar e passando noites buscando asilo em pousadas para migrantes, onde dormia por pouco dinheiro em catres nem sempre limpos. 

Não teve muito tempo para mostrar ao mundo sua poesia. Publicou uma única coletânea de poemas (Soundtrack, Ediciones Perro Azul, 2005). Colaborou em dezenas de revistas como ‘Amigos de lo Ajeno’, no suplemento ‘Áncora’ do jornal ‘Nación’, de Costa Rica e inúmeras resenhas na revista ‘Soho’. 

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Foi um poeta louco; o amigo inconstante; o pai fiel; o errante; o marginal; o doente. A poesia pessoal de Felipe Granados em vez de rebaixar sua obra a fortalece, quando na maioria das vezes essa circunstância costuma produzir o efeito contrário, pois a poesia meramente autobiográfica não costuma resistir ao passar dos séculos.

Granados foi obrigado a realizar um trabalho de vinte anos em poucos meses. Foi da poesia irreverente e juvenil à poesia adulta. Foi forçado a crescer porque não teria tempo. Sua poesia me causa dor e, ao mesmo tempo, uma  profunda alegria.

A acidez sombria de sua obra fala de amor e solidão. A contundência dos versos, se derrama sobre o verso que dói. 

Fã de Nina Simone e da poesia de Charles Bukowski – que lia sempre antes de dormir – Felipe Granados morreu de AIDS, em 26 de agosto de 2009. 

Sua obra poética de alguma forma representa e dá origem à poesia atual de jovens autores da América Latina, como Luis Chaves (San José, 1969); Patricio Grinberg (Buenos Aires, 1970); Frank Báez (República Dominicana, 1978); Héctor Hernández Montecinos (Santiago, 1979) e Gladys González (Santiago, 1981), que compartilham com ele a certeza de uma vida sem futuro, decididos a se redimir pela beleza das coisas mais tangíveis do universo imediato.

Um dos poemas mais bonitos de Felipe Granados

ONE BOURBON, ONE SCOTCH, ONE BEER

Chorei por ti
como se deve chorar
para que seja genuíno.
Chorei embriagado.

Percorri a cidade
com enorme vontade
de não levar meu nome
apenas para que não me tocasse
esta tristeza.

Chorei por ti
caído nos esgotos
como um tipo qualquer
soube então
que às vezes a lua
é melhor vista de um bueiro.

Chorei por ti
em um carro da polícia:
é a primeira vez
que prendem um fulano
pelo delito menor da nostalgia.

Chorei embriagado
e em meu delirium tremens
cheguei a crer
que todos os bêbados
choravam por ti
.

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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