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Home Colunas

ELZA & MANÉ

Por Ediel Ribeiro
9 de março de 2022 - 14:21
em Colunas

Reprodução -  

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Eu já tinha lido “Estrela Solitária, um Brasileiro Chamado Garrincha”, a biografia do jogador Garrincha, escrita pelo Ruy Castro (Companhia das Letras – 520 páginas), e “Elza”, biografia da cantora Elza Soares, escrita pelo Zeca Camargo (Editora Leya – 400 págs.) de onde, provavelmente, saíram várias cenas da série documental “Elza & Mané – Amor por Linhas Tortas”, que estreou nessa sexta-feira, na Globoplay.

Fui ver a série. 

Dividida em quatro capítulos, a produção de autoria e direção de Caroline Zilberman, é um dos mais belos e cruéis documentos sobre a lendária Elza Soares e o imortal Mané Garrincha. 

A série relembra o relacionamento entre a cantora Elza Soares (1937-2022) e o jogador Mané Garrincha (1933-1983), que começou durante a Copa de 62 e durou 17 anos.

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A produção passeia por temas como alcoolismo, violência doméstica, preconceito, perseguição política e luto. Um dos pontos principais é a violência doméstica sofrida  pela cantora, que, inclusive, é vista como “destruidora de lares” e, apesar de ter se sacrificado para tentar curar o jogador, foi acusada de  responsável pelo agravamento do vício em álcool sofrido por Garrincha e  carregou até o fim da vida, a culpa pela decadência do ídolo.

Nos quatro episódios da série, acompanhamos a trajetória de duas das maiores estrelas do Brasil no século passado: o romance intenso, a fama, o sucesso, a derrocada do craque – que mesmo no auge sumia dos treinos para beber – e as quase duas décadas de ostracismo da cantora. 

A série da Globo Play reúne depoimentos de outros gênios da raça como Caetano Veloso e Chico Buarque. Além de jornalistas como Ruy Castro, José Trajano, Zeca Camargo e Juca Kfouri, entre outros.

A primeira das quatro partes do documentário explora as origens dos dois – personagens que vieram de regiões pobres do Rio de Janeiro e alcançaram a fama e a idolatria de milhões. 

Em um trecho do documentário, Elza detalha os primeiros contatos dela com Garrincha, em 1962. Do encontro por acaso em janeiro daquele ano até o primeiro beijo, antes da Copa do Mundo daquele ano.

Nos outros episódios, a série aborda o preconceito de uma sociedade extremamente moralista, o alcoolismo de Garrincha, a violência doméstica e as mortes prematuras de Mané e do filho do casal e como, mesmo diante de tantos infortúnios, Elza encontrou forças para se reerguer e se consolidar como uma das grandes cantoras do país.

Elza e Garrincha foram perseguidos pela ditadura brasileira tiveram a casa invadida e receberam ameaças até se mudarem para a Itália. Em 2000, Elza foi eleita, numa votação realizada pela BBC de Londres, a Voz do Milênio. 

“A ditadura considerava Garrincha perigoso porque estaria sendo influenciado por jornalistas do Partido Comunista. A perseguição a eles foi muito cruel, fruto do conservadorismo, do racismo e do machismo. Quando falo que é uma história sobre o Brasil, é também sobre os nossos piores lados como sociedade” – diz a diretora. 

Mané chegou ao auge da carreira entre 1957 e 1962, quando foi tricampeão carioca pelo Botafogo – 1957, 1961 e 1962 – e bicampeão mundial pela seleção brasileira, em 1958, ao assombrar o planeta na Suécia, e em 1962, no Chile, ao comandar  o time, sem Pelé, rumo ao título.

Antes de ir à Copa do Mundo de 1962, Garrincha fez uma promessa a Elza Soares: “Vou trazer a Copa para você”. Pelé se machucou, e Mané brilhou —dribou, fez gols de cabeça, de fora da área, correu todo o campo e carregou o time rumo ao bicampeonato.

Jogou 60 jogos com a camisa amarela, saiu vitorioso 52 vezes e derrotado apenas uma – na Copa de 1966, na Inglaterra – quando já estava em franca decadência, da qual não se recuperaria.

A cantora e o jogador assumiram o relacionamento em 1963, casaram-se em 1966, se separaram em 1982 e em 1983 Garrincha morreu de cirrose. Os dois morreram na mesma data. Elza partiu, aos 91 anos, no dia 20 de janeiro de 2022, precisamente 39 anos depois da morte de Garrincha, aos 49.

Tags: ColunaEdiel Ribeiro
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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