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Home Colunas

WALY SALOMÃO: “A POESIA É SEMPRE MARGINAL”

Por Ediel Ribeiro
1 de março de 2021 - 08:33
em Colunas

Waly Salomão (Divulgação)

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Rio – Há 50 anos, o poeta Waly Salomão escrevia, de uma pequena cela do Pavilhão 2, no Presídio do Carandiru, o livro apocalíptico “Me Segura Qu’eu Vou Dar um Troço”.

O escritor baiano, preso pela Ditadura Militar, escreveu de dentro do presídio um texto que mudaria a contracultura. Seu livro de estreia traz desenhos e textos em prosa, com projeto gráfico do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980). 

O texto, escrito no início dos anos 70, se chamava “Apontamentos do Pav 2”. Wally deixou com o amigo Hélio Oiticica os textos escritos na prisão e sumiu logo que saiu da prisão, porque na época não tinha pouso certo. O texto diagramado por Hélio foi apreendido pela polícia do Exército que invadiu o apartamento e levou todo o projeto gráfico do livro como material subversivo.

“Hélio fez uma diagramação geométrica cubo construtivista e aquilo para os militares imbecis era como uma linguagem cifrada.” – disse Waly. 

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Outros livros do autor são: “Gigolô de Bibelôs”, “Surrupiador de Souvenirs”, “Algaravias, Lábia e Tarifa de Embarque”, e a coletânea “O Melhor do Melhor”.

Waly Salomão era, acima de tudo, poeta. Uma pessoa inquieta, vigorosa, criativa, imaginativa e muito instigadora. 

Sempre deixou claro que todo o resto de seu trabalho fazia parte de ter que ganhar o pão que sustentava a família, e assim poder fazer o que queria: poesia. 

Era o quinto de sete filhos de um imigrante sírio com uma sertaneja.  Formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1967, mas nunca exerceu a profissão. Cursou a Escola de Teatro da mesma universidade (1963-1964) e estudou inglês na Columbia University, Nova York (1974-1975). 

Na década de 1960, participou do movimento tropicalista. Movimento criado no fim da década de 1960 com o objetivo de romper fronteiras na cultura. Waly Salomão se integrou a ele com suas poesias e letras de música. Foi também uma figura importante da contracultura no Brasil, nos anos 1970.

Em 1972, participa da organização de “Os Últimos Dias de Paupéria”, que reúne poemas e artigos de Torquato Neto (1944-1972), seu parceiro na poesia tropicalista e com quem edita o número único da revista “Navilouca”. 

Considerada uma das principais revistas de vanguarda da década de 1970, “Navilouca” publicou autores como Augusto de Campos (1931) e Décio Pignatari (1927-2012), e teve colaboração do compositor Caetano Veloso (1942) e de Hélio Oiticica. 

Publica Armarinho de Miudezas (1993) e a biografia Hélio Oiticica – Qual é o Parangolé? (1996). Também em 1996 lança Algaravias: Câmaras de Eco, considerada a obra de maturidade do poeta. 

Atuou em diversas áreas da cultura brasileira. Em 1997 ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia “Algaravias”. Seu último livro foi “Pescados Vivos”, publicado em 2004, após sua morte.

Além de poeta, Waly Salomão também era letrista e produtor cultural. Como letrista, fez canções de sucesso, como (Vapor Barato), em parceria com Jards Macalé; colaborou com  artistas, como Caetano Veloso (Talismã); Lulu Santos (Assaltaram a Gramática); sucesso também com os Paralamas do Sucesso, Adriana Calcanhotto (Pista de Dança), entre outros. 

Nos anos 1990, Waly produziu dois trabalhos de Cássia Eller: Veneno Anti
Monotonia (1997) e Veneno Vivo (1998).

Amigo do poeta Torquato Neto, editou seu único livro, “Os Últimos Dias de Paupéria”, lançado postumamente. 

Em 2003, atuou como personagem principal no filme Gregório de Matos sob a direção de Ana Carolina. 

Morreu em 5 de maio de 2003, vítima de um tumor no intestino.

Em 2010, recebeu homenagem póstuma do Grupo Cultural AfroReggae, do Rio de Janeiro. A sede do grupo foi batizada como Centro Cultural Waly Salomão. 

Tags: ColunaEdiel RibeiroWALY SALOMÃO
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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