Rio – Ao que parece, os bolsonaristas acreditavam que todos nos Estados Unidos estavam a fim de votar no pessoal da extrema direita e nos arqui-conservadores.
Para eles, os Republicanos estavam decididos a combater os democratas, o comunismo, o socialismo, o republicanismo liberal, Beyoncé, Bad Bunny, e a suprema corte dos Estados Unidos
Eufóricos, Flávio e Eduardo Bolsonaro se reuniram com Paulo Figueiredo, Alexandre Ramagem, Allan dos Santos, Mário Frias e Rodrigo Constantino para um churrasco, na casa do Zero Três, no Texas, para assistir pela TV às eleições americanas de meio de mandato (midterms):
– Com a vitória do irmãozão Trump, os tentáculos do Xandão vão ficar cada dia mais longe de nós – anteviu Flávio.
– Viva o Fascismo!!! – gritou o blogueiro Allan dos Santos.
De repente, o mapa dos Estados Unidos na TV, que era vermelho, começou a se pintar de azul.
– Viramos! Viramos! – berrou Paulo Figueiredo, o neto do ditador João Batista Figueiredo.
– Idiota, o azul são “eles”, os Democratas. Nós somos vermelhos! – ensinou Flávio, que parecia ser o “mais inteligente” do grupo.
– Mas seu pai diz que nossa bandeira nunca será vermelha – questionou Figueiredo.
– Lá no Brasil! Aqui, nós Republicanos somos vermelhos! – berrou o
Senador.
O efeito Lula chegou aos Estados Unidos. A esquerda americana, como a brasileira, fez o ‘L’ para comemorar a vitória dos democratas nos EUA. Americanos, pela primeira vez, elegeram musulmanos, gays, trans, negros, indígenas e até 7 brasileiros para deputados estaduais.
Os Democratas estão vencendo no Senado. Venceram em Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas e chegaram a 54 das 100 cadeiras, com duas disputas (Alasca e Mississippi) ainda sem definição. Na Câmara dos Representantes, renovada integralmente a cada dois anos, o partido já superou as 237 cadeiras necessárias para a maioria entre as 435 em disputa.
A conquista da maioria no Senado e na Câmara dos Estados Unidos pelo partido Democrata poderá ampliar a pressão política sobre Flávio, Eduardo e seus amigos conspiradores em território norte-americano. Mas, a principal preocupação do clã Bolsonaro é outra:
– E toda aquela grana do filme Dark Horse? Onde vamos escondê-la? – perguntou o senador.
– Não se preocupe Flávio – acalmou Dudu Bananinha. – Já cuidei de
tudo. Ninguém vai botar a mão no nosso dinheiro! – concluiu.
– O que você fez? – quis saber Zero Um, apreensivo.
– Depositei tudo no Ueno Bank, um dos maiores bancos do Paraguai, país do nosso amigo, o presidente Santiago Peña, conservador e de centro-direita. Todos os empresários de direita no Brasil estão depositando suas reservas lá, fugindo da política monetária do Lula. Nossa grana tá bem guardada, longe da sanha do Alexandre de Moraes – disse Eduardo, rindo.
– Idiota!! – gritou Flávio, desesperado – O Ueno Bank faliu. Fechou as portas e deixou milhões de correntistas temporariamente sem acesso ao saldo!!!!
– Por isso que vi uma fila na porta do banco, ontem – concluiu Dudu.
O celular do senador toca:
– Flávio, é o Marco Rubio. Não se desespere, amigo. Se precisar de um avião para fugir de outra democracia, eu arranjo.


