O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou nesta quarta-feira (4) que o governo pretende implementar em 2027 o Pé-de-Meia Universitário, programa voltado à permanência de estudantes de baixa renda nas universidades públicas.
A proposta prevê uma bolsa mensal de R$ 700, paga durante dez meses do ano letivo, além do depósito de R$ 250 por mês em uma poupança vinculada ao estudante. Ao concluir uma graduação de quatro anos, o universitário poderá resgatar cerca de R$ 10 mil, acrescidos de correção inflacionária.
Segundo Barchini, o público-alvo será formado por estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, o CadÚnico. O MEC ainda trabalha na regulamentação e nos critérios definitivos do programa.
A expansão foi prometida por Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial de 2026 e busca reduzir a evasão no ensino superior público.
Em entrevista Barchini afirmou que o perfil dos estudantes das universidades federais mudou nas últimas duas décadas. Segundo ele, atualmente cerca de dois terços dos universitários vêm da rede pública, o inverso do observado anteriormente.
A avaliação do MEC é que ampliar o acesso não é suficiente sem políticas que ajudem o estudante a permanecer no curso até a conclusão.
O benefício deverá exigir como contrapartida a permanência na universidade e a conclusão do curso dentro do período previsto.
O desenho anunciado é diferente do Pé-de-Meia Licenciaturas, que já existe e concede bolsa mensal de R$ 700, além de incentivo em forma de poupança para estudantes de cursos de formação de professores.
Pé-de-Meia do ensino médio também deve ser ampliado
Barchini anunciou ainda que o governo pretende universalizar o Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio público a partir de 2027.
Atualmente, o benefício é direcionado principalmente a estudantes de famílias inscritas no CadÚnico. O MEC informou que os estudos para a ampliação estão em andamento e a expectativa é de implantação a partir do início do próximo ano letivo.
O programa foi criado em 2024 para reduzir abandono e estimular a conclusão do ensino médio.
Dados do Inep mostram que, entre 2022 e 2025, o abandono escolar no ensino médio público caiu 61%, a reprovação recuou 62% e a distorção idade-série diminuiu 28%. O governo associa parte desse avanço ao conjunto de políticas de permanência adotadas nos últimos anos, entre elas o Pé-de-Meia.
A universalização, assim como a criação da versão universitária, ainda depende da conclusão dos estudos técnicos, definição orçamentária e publicação das regras oficiais para 2027.


