A Petrobras reduziu em 23,8% a intensidade de carbono do combustível sustentável de aviação (SAF) produzido a partir de óleo técnico de milho na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro.
O resultado foi reconhecido durante a recertificação internacional ISCC CORSIA realizada na primeira quinzena de outubro. A auditoria avaliou mudanças adotadas nas fontes de hidrogênio utilizadas no processo de produção do combustível.
Com a atualização, passou a ser considerada a contribuição do hidrogênio proveniente da reforma catalítica de nafta, que apresenta menor intensidade de carbono. A mudança reduziu em 29% a intensidade de carbono do hidrogênio empregado na fabricação do SAF.
O efeito chegou ao produto final. No combustível produzido com óleo técnico de milho, conhecido como TCO, a intensidade de carbono caiu 23,8%.
A intensidade de carbono mede, de forma simplificada, a quantidade de gases de efeito estufa associada ao combustível ao longo de seu ciclo de vida. Quanto menor o indicador, menor é a quantidade de emissões atribuída à energia produzida.
Segundo a Petrobras, o resultado coloca o SAF da Reduc entre os combustíveis sustentáveis de aviação de menor intensidade de carbono disponíveis no mercado e aumenta sua competitividade para fornecimento às companhias aéreas.
Combustível para reduzir emissões da aviação
O SAF é uma alternativa ao querosene de aviação de origem fóssil e pode ser produzido a partir de matérias-primas como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e óleo de cozinha usado.
Dependendo da matéria-prima e do processo empregado, o combustível sustentável pode reduzir em até 80% as emissões de dióxido de carbono ao longo de seu ciclo de vida, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
A certificação obtida pela Reduc segue os critérios do CORSIA, sistema criado no âmbito da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para redução e compensação das emissões do transporte aéreo internacional.
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determina que o SAF produzido no país ou importado seja certificado quanto aos critérios de sustentabilidade. O produtor poderá utilizar a certificação nacional ou metodologias reconhecidas pelo CORSIA.
Metas começam em 2027
A ampliação da oferta de SAF ocorre às vésperas da entrada em vigor das metas brasileiras para redução das emissões da aviação.
A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu que, a partir de 2027, os operadores aéreos deverão reduzir em 1% as emissões de gases de efeito estufa nas operações domésticas por meio do uso de SAF. O percentual aumenta gradualmente até alcançar 10% a partir de 2037.
A Petrobras já produz SAF comercialmente na Reduc. Em junho deste ano, a companhia anunciou a produção e comercialização de 3,8 mil metros cúbicos do combustível obtido a partir de óleo de soja certificado.
A empresa também prepara outras refinarias para ampliar a produção. A Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, está em processo de certificação para produzir SAF coprocessado.
Na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, Minas Gerais, a implantação da produção já foi concluída, enquanto a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, está na etapa final. As duas unidades ainda deverão passar pelo processo de certificação.
Para o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, a redução das emissões do SAF envolve tanto a escolha das matérias-primas quanto mudanças no próprio processo industrial para diminuir a pegada de carbono dos insumos empregados na produção.


