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Home Colunas

Frontão de Sonhos

Por Nilson Lattari
23 de outubro de 2026 - 08:11
em Colunas
Frontão de Sonhos

Foto: Harshit Joshi / Unsplash

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Vocês sabem o que é um frontão? Pois bem, frontão, na arquitetura, é o ápice da construção, como se fosse um triângulo com o vértice apontando para o céu. Ele pode significar o final da obra, um marco na construção ou uma espécie de troféu erguido ao fim de meses de trabalho.

Em edifícios seculares, o frontão aparece como um dedo apontando para o céu significando, na visão barroca, o homem diante de Deus. Para os arquitetos, significa um desafio alcançado: tudo bem, pura metáfora.

No meio do burburinho das grandes cidades, dessas com uma história secular, com edifícios que contam a sua passagem pelo tempo, nossos olhares se elevam buscando o antigo no meio do moderno, abundante em vidros e fachadas exuberantes. Nossos olhares deveriam buscar esses pequenos monumentos, testemunhas da história, frontões do passado, e tentar um reencontro com ela. Ícones para alguns, coisa desnecessária para outros, esses prédios são os frontões que resistem à insana busca por espaço e exploração imobiliária.

São eles sempre necessitados de uma reforma que mantenha o conteúdo original, e são símbolos entre os conservacionistas e os modernistas, disfarçados de modernos, mas cheios de cobiça porque enxergam outros frontões como um bolso cheio de dinheiro. Alguns questionam suas manutenções, mas como compreender a história sendo preservada ao vivo e a cores, embora esmaecida? A história não é algo colado em nossa memória, ainda que existam alguns que a vejam como lugar de aprendizagem e não como uma miragem para ser recontada. Preservar a história é preservar um tempo que, estudado a fundo, tem muito a nos proporcionar, sejam histórias tristes ou não.

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Mas sendo o ponto culminante de uma realização, devemos pensar que as nossas vidas, se cheias de conquistas, apresentam frontões invisíveis. Aquele emprego tão desejado rumo ao ápice da carreira, a nova casa, agora construída com todos os apetrechos desejados e o encontro com o príncipe ou a princesa que vão nos encantar, e, claro, com o advento dos filhos e sua criação, o ápice de um amor.

Os frontões também estão no mundo sonhado que vamos construindo ao longo do tempo, ultrapassando obstáculos, enfrentando preconceitos e encarando os estudos como forma de desabrochar nossas ambições. Todos os frontões do mundo físico começam com os sonhos e com a imaginação.

Mesmo não sendo de materiais duráveis e permanentes no tempo, os sonhos podem se tornar ápices sólidos ou se desfazer diante de um projeto malsucedido. Vê-los caídos por terra é como construções malfeitas desfeitas pelo tempo.

Frontões são baluartes dos nossos desejos, são lanças que enviamos para o futuro na esperança de que tragam bons frutos. Podem se desmoronar, mas a nossa perseverança em continuar e resistir talvez seja o frontão que nunca devamos abandonar. Desejos, esperança e disciplina são os frontões que levam nossas vidas adiante.

Tags: arquiteturaColunasconquistasCrônicaesperançaFrontão de SonhosmemóriaNilson Lattaripatrimônio históricoperseverançaReflexãoSONHOS
Nilson Lattari

Nilson Lattari

Crônicas e Contos. NILSON LATTARI é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br, vencedor duas vezes do Prêmio UFF de Literatura (2011 e 2014) e Prêmio Darcy Ribeiro (Ribeirão Preto 2014). Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em crônicas, contos e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. "Ambos levam ao infinito, porém, em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação".

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