Cantor gospel, evangélico, casado, pai de dois filhos e integrante da bancada evangélica da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP) construiu sua imagem pública associada à fé, à família e aos valores cristãos. Em sua própria apresentação, o parlamentar define sua trajetória a partir de três pilares: “fé, música e serviço público” e afirma que a fé guia suas decisões.
Aguiar é casado com Paula Aguiar e pai de Marcela e Davi. Em sua biografia oficial, conta que se converteu ao evangelho em 2000 e passou da música sertaneja para a música gospel. O deputado afirma ainda que seu propósito é usar a voz que Deus lhe deu para “cantar, servir e representar”. Na atuação política, apresenta-se como defensor dos valores cristãos, da família e da proteção de crianças e adolescentes.
Foi esse parlamentar que acabou levado algemado a uma delegacia na madrugada desta segunda-feira (19), depois de uma confusão seguida de um disparo de arma de fogo em uma casa noturna no Itaim Bibi, em São Paulo. O tiro atingiu o pé do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte, que estava no local, mas não participava da discussão.
Segundo relatos de testemunhas, Aguiar estaria incomodando pessoas dentro do estabelecimento e abordando mulheres. Testemunhas afirmaram que ele estava “xavecando”, pegando na mão e encostando em algumas delas. Um homem teria pedido que o deputado se afastasse, dando início a uma discussão. As circunstâncias exatas do disparo ainda estão sob investigação.
Uma das versões apresentadas aponta que Aguiar caiu durante a confusão e a arma disparou acidentalmente. Outros relatos indicam que ele teria sacado a pistola e efetuado o disparo contra o chão. A Polícia Civil deverá esclarecer a dinâmica a partir dos depoimentos e das perícias.
Imagens divulgadas após a ocorrência mostram o deputado com dificuldades para caminhar e sendo amparado por policiais na chegada ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros. O registro policial informa que ele estava em estado de exaltação e precisou ser algemado.
Testemunhas apontaram sinais de embriaguez. Não houve, entretanto, teste de alcoolemia. A assessoria do deputado afirma que ele estava sob efeito de medicamentos fortes e sofreu uma reação adversa. Segundo a equipe de Aguiar, o parlamentar não foi preso e apenas prestou esclarecimentos antes de ser liberado.
A pistola Glock G42 calibre .380 portada pelo deputado estava com registro e porte válidos. A arma foi apreendida e encaminhada para perícia. O caso será investigado pelo 15º Distrito Policial.
Tiro atingiu Fred Bruno
Fred Bruno confirmou que estava na casa noturna e foi atingido no pé, embora não tivesse qualquer participação na confusão.
“Ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé”, relatou o apresentador. Segundo ele, o local começou a latejar e queimar logo após o tiro. Fred afirmou estar bem, mas destacou a gravidade do episódio e disse que algo pior poderia ter acontecido com ele ou com outra pessoa.
O disparo atingiu seu tênis e provocou inchaço no pé. Fred não apresentou o Globo Esporte desta segunda-feira enquanto tomava as providências relacionadas ao episódio.
Da música gospel à política
Marcelo Aguiar tem 53 anos e começou a carreira artística ainda na infância. Depois de atuar na música sertaneja, direcionou a carreira para o segmento gospel após sua conversão ao cristianismo, em 2000.
Entrou na política como vereador de São Paulo, eleito em 2008, e depois exerceu dois mandatos como deputado federal. Em 2022, ficou como suplente de deputado estadual e assumiu uma cadeira na Alesp em janeiro de 2025, após Helinho Zanatta deixar o Legislativo para assumir a Prefeitura de Piracicaba.
Nas eleições deste ano, recebeu 37.585 votos e não conseguiu se reeleger, ficando como 12º suplente para a próxima legislatura.

Alesp investiga placa oficial em carro usado pelo deputado
A ocorrência ainda abriu outra frente de apuração. Um BYD preto utilizado pelo parlamentar estava com identificação de veículo oficial da Assembleia Legislativa e também foi levado à delegacia.
Consulta ao sistema da Alesp mostrou que o BYD não estava registrado como veículo oficial vinculado ao deputado. A identificação encontrada no carro aparece no sistema da Assembleia vinculada a um Toyota Corolla.
Deputados podem utilizar verba de gabinete para alugar outros automóveis, mas o veículo precisa ser devidamente cadastrado antes de receber a identificação oficial da Assembleia. O BYD utilizado por Aguiar não aparecia nesse cadastro.
Em nota, a Alesp manifestou preocupação com as informações divulgadas e informou que abriu uma apuração interna sobre as placas oficiais encontradas em um veículo que não pertence à frota registrada pela Casa.
O estabelecimento onde ocorreu a confusão informou que acionou as autoridades e está colaborando com a investigação. A casa noturna não esclareceu como o deputado entrou no local portando uma arma.


