O desmatamento caiu 41,8% na Amazônia Legal e 23,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal e são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Na Amazônia, foram desmatados 3.335 km², contra 5.731 km² no período anterior. É a menor extensão registrada desde o início da série histórica, em 1988. O recorde anterior havia sido alcançado em 2012, quando o desmatamento ficou em 4.571 km².
No Cerrado, a área de vegetação nativa suprimida caiu de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², também o menor resultado da série histórica do bioma, iniciada em 2001. O menor valor anterior havia sido registrado em 2019, com 6.319 km².
Considerando os últimos quatro anos, a redução acumulada chega a 71,2% na Amazônia e 48,4% no Cerrado.
Pará ainda concentra maior área desmatada na Amazônia
Apesar da queda geral, o Pará continua liderando em área desmatada na Amazônia Legal. Foram 1.130 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma redução de 45,3% sobre os 2.064 km² registrados anteriormente.
Mato Grosso aparece em seguida, com 849 km² e queda de 46,7%, enquanto o Amazonas registrou 525 km², recuo de 46,4%.
Entre os nove estados da Amazônia Legal, Roraima foi o único a apresentar aumento, passando de 285 para 286 km², variação de 0,4%.
As maiores reduções percentuais foram registradas em Tocantins, com 73,3%, Amapá, com 52,9%, e Mato Grosso, com 46,7%.
Matopiba responde por 74% do desmatamento no Cerrado
No Cerrado, a maior pressão permanece concentrada no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país.
Os quatro estados responderam por 74,3% de toda a vegetação suprimida no bioma durante o período analisado.
O Maranhão liderou com 1.718,59 km² desmatados, apesar de uma redução de 14,3%. Tocantins ficou em segundo, com 1.263,06 km² e queda de 15,2%.
O Piauí teve uma das maiores reduções, de 53,7%, passando de 1.350,44 km² para 625,24 km². Na Bahia, a queda foi de 38%, para 489,75 km².
Minas reduz desmatamento em 8,7%
Em Minas Gerais, onde parte do território pertence ao Cerrado, o desmatamento passou de 512,02 km² para 467,34 km², redução de 8,7%.
A queda mineira ficou abaixo da média de 23,8% observada em todo o bioma.
Mato Grosso apresentou praticamente estabilidade, passando de 455,39 km² para 454,52 km², redução de apenas 0,2%. Goiás registrou queda de 8,9%, enquanto Mato Grosso do Sul reduziu a área desmatada em 23,3%.
Governo atribui queda a fiscalização e políticas de controle
O Ministério do Meio Ambiente atribui os resultados à combinação de monitoramento por satélite, fiscalização ambiental, ordenamento territorial e políticas de incentivo à conservação.
Entre as medidas citadas estão a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).
Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou 76.095 ações de fiscalização em todo o país e lavrou 25.101 autos de infração relacionados à flora, que somaram R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, foram embargados 18.630 km².
O ICMBio registrou outros 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas e mais de 5 mil termos de embargo.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a redução resulta de uma política contínua envolvendo governo federal, estados e municípios.
“A redução do desmatamento não é um episódio isolado, nem resultado da sorte”, afirmou. Segundo ele, a estratégia está baseada em ciência, participação da sociedade e cooperação entre os entes federativos.
O governo anunciou ainda R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para ampliar o monitoramento do Inpe, com integração entre Prodes e Deter, uso de inteligência artificial e criação de ferramentas para identificar antecipadamente áreas de risco de desmatamento, degradação e incêndios.


