É falsa a informação de que um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma mulher usando uma substância aparentemente ilícita durante um ato em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.
O O Folha de Minas investigou a origem da gravação por meio de busca reversa de imagens e constatou que o conteúdo já circulava fora do país antes de ser associado às manifestações pró-Lula realizadas no Brasil.
A busca identificou uma publicação feita por um perfil da Argentina na rede social X em 10 de outubro, às 16h18.
Depois disso, a mesma gravação passou a circular com diferentes legendas no Chile, em 11 de outubro, às 14h32, e no Brasil, no mesmo dia, às 17h41.
A busca reversa permite localizar ocorrências anteriores de uma imagem ou de quadros extraídos de um vídeo, ajudando a identificar quando e em que contexto determinado conteúdo começou a circular.
Vídeo já havia aparecido em julho
A investigação encontrou ainda um registro mais antigo.
O mesmo perfil argentino que publicou o vídeo em outubro já havia compartilhado a mesma gravação em 21 de julho de 2026, quase três meses antes dos atos eleitorais brasileiros aos quais o conteúdo passou a ser associado.
Esse registro é suficiente para descartar a versão de que as imagens tenham sido feitas durante uma manifestação pró-Lula realizada em outubro no Brasil.
O vídeo foi reutilizado posteriormente com novas legendas, que alteraram o contexto original e tentaram associar a cena a eleitores brasileiros de esquerda.
Outras agências chegaram à mesma conclusão
A conclusão do O Folha de Minas coincide com verificações realizadas por outras organizações especializadas em checagem.
O Aos Fatos identificou que o vídeo não foi gravado durante ato pró-Lula e que a publicação utilizava imagens antigas e descontextualizadas para atribuir o episódio a manifestantes brasileiros.
A Agência Lupa também rastreou a circulação anterior da gravação e concluiu que não há relação entre o vídeo e os atos eleitorais realizados no Brasil.
O Fato ou Fake, do g1, chegou à mesma conclusão após localizar registros anteriores do conteúdo nas redes sociais.
As três verificações reforçam que a gravação foi retirada de seu contexto original e reutilizada para construir uma narrativa falsa durante o segundo turno da eleição presidencial.
Vídeo foi compartilhado por canal ligado à campanha de Flávio
O conteúdo também foi divulgado em grupos de WhatsApp e redes sociais ligados à campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
A postagem associava a mulher mostrada no vídeo a participantes de uma manifestação pró-Lula e sugeria que manifestantes teriam usado drogas durante o ato.
A legenda, entretanto, não informava onde nem quando as imagens haviam sido gravadas.
Após a circulação do conteúdo, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações que utilizavam o vídeo para fazer essa associação.
Segundo a decisão, o material apresentava conteúdo descontextualizado utilizado para criar uma vinculação falsa entre a cena e apoiadores de Lula.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada por veículos de checagem para comentar a publicação, mas não havia apresentado resposta até o fechamento das verificações consultadas.
O que mostra a checagem
A sequência encontrada pela busca reversa é clara:
- 21 de julho de 2026: o vídeo já aparece publicado por um perfil argentino.
- 10 de outubro: o mesmo perfil volta a compartilhar a gravação.
- 11 de outubro, 14h32: o conteúdo circula no Chile com outra legenda.
- 11 de outubro, 17h41: surge no Brasil associado a manifestação pró-Lula.
É possível afirmar que a gravação é anterior às manifestações brasileiras e foi reutilizada fora de seu contexto para criar uma associação falsa com apoiadores de Lula.
Veredito
FAKE.
O vídeo não foi gravado em um ato pró-Lula no Brasil. A gravação já circulava em perfil argentino meses antes e foi posteriormente reutilizada com legendas diferentes em outros países.


