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Home Notícias Brasil

PF aponta Flávio como usuário master de conta de empresa dona de parte do jatinho ligado a Vorcaro

Senador havia dito que viajou apenas como convidado de Willer Tomaz e ironizou que poderia ter usado o “avião de Moraes”; relatório da PF agora aponta acesso elevado à conta da offshore que detinha um terço da aeronave

Por Redação
14 de outubro de 2026 - 10:21
em Brasil
PF aponta Flávio como usuário master de conta de empresa dona de parte do jatinho ligado a Vorcaro

O advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP). Foto: @WillerTomaz via X

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Um relatório da Polícia Federal acrescentou novos elementos à relação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o jato executivo que ele utilizou em uma viagem aos Estados Unidos e que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Segundo documentos analisados pela PF, Flávio aparecia como “usuário master” da estrutura bancária da Alcazar Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha um terço da empresa proprietária do avião.

A condição de usuário master, segundo o relatório, indicava nível elevado de acesso e gerenciamento da conta bancária da holding.

Os documentos não comprovam, até o momento, que Flávio fosse sócio formal da Alcazar ou proprietário direto do avião. A empresa tem o advogado Willer Tomaz como único sócio declarado. A própria PF, porém, registra que a existência desse nível de acesso pode ser relevante para esclarecer eventual participação econômica, societária de fato ou de gestão do senador na estrutura.

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Flávio e Tomaz negam qualquer vínculo financeiro ou societário e contestam a interpretação feita a partir dos documentos.

Funcionária pediu ao Santander retirada do nome de Flávio

A informação aparece em uma troca de e-mails obtida pela Polícia Federal no iCloud de Willer Tomaz.

Às 8h05 de 22 de maio de 2025, Fayla Menezes, funcionária do advogado, enviou uma mensagem a gestores da área corporativa e de câmbio do Santander solicitando a inclusão de um novo usuário no perfil master da conta da Alcazar.

Na mesma mensagem, pediu a retirada de contas então associadas ao gerenciador.

“Na oportunidade peço por gentileza no gerenciador do usuário master desassociar as contas abaixo”, escreveu.

Em seguida, segundo os documentos, aparecem uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e outra referente à pessoa física de Willer Tomaz.

Pouco mais de duas horas depois, às 10h21, o Santander respondeu: “As contas foram excluídas do contrato, conforme solicitado.”

Para a Polícia Federal, a comunicação indica que Flávio estava cadastrado na estrutura bancária ligada à Alcazar até maio de 2025.

A defesa do senador apresenta outra interpretação. Afirma que Flávio “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e sustenta que o próprio pedido de retirada comprovaria que a vinculação era indevida.

Tomaz também negou que os dois tenham dividido uma conta bancária e afirmou que concluir pela existência de participação econômica ou societária a partir do e-mail seria uma “ilação”.

Alcazar tinha um terço do jatinho

A relação ganha relevância porque a Alcazar Holdings detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária formal do Legacy 650 de matrícula PP-NLR.

A aeronave era dividida em três participações iguais.

Uma cota pertencia a Willer Tomaz por meio da Alcazar Holdings. Outra estava ligada ao empresário Laércio Cosentino, fundador da Totvs. A terceira havia pertencido ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da Unigel, e foi posteriormente adquirida pela Prime You.

Daniel Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025. A empresa também administrava o avião por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.

Segundo relatório da PF, cada cota de 33,33% estava avaliada em aproximadamente US$ 5,5 milhões em maio de 2025.

A Fraction 024 também manteve movimentações financeiras com empresas do universo de Vorcaro. Comunicação encaminhada ao Coaf indicou que, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a empresa transferiu R$ 7,6 milhões ao Banco Master em 36 operações e outros R$ 6,5 milhões à Prime Aviation.

Flávio viajou no avião em janeiro

Flávio Bolsonaro utilizou o Legacy 650 em janeiro de 2025.

Ele viajou acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, das duas filhas e de Willer Tomaz entre os Estados Unidos e Brasília. Registros identificaram o jato PP-NLR em voo entre Fort Lauderdale, na Flórida, e a capital federal em 19 de janeiro.

Quando a viagem veio a público, Flávio afirmou que havia recebido uma carona de Tomaz, seu amigo, e que não tinha qualquer relação com Daniel Vorcaro.

“Viagem foi em avião do Willer e não tem nada a ver com Vorcaro”, declarou posteriormente.

Tomaz também afirmou que o voo foi solicitado e custeado por ele por meio das horas correspondentes à sua cota e que Flávio e a família viajaram como convidados, sem qualquer pagamento ou contrapartida.

O advogado disse ainda que não sabia que a Prime You havia adquirido outra participação no avião e que só tomou conhecimento da ligação com Vorcaro em abril de 2026. Segundo ele, após descobrir a operação, rompeu o contrato e entrou em litígio com a empresa.

“Teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”

Ao comentar a revelação sobre a viagem, Flávio Bolsonaro usou as redes sociais para ironizar a associação da aeronave com Vorcaro.

“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu.

A frase fazia referência ao fato de o mesmo avião ter sido utilizado meses depois pelo ministro Alexandre de Moraes e por sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Moraes e a mulher utilizaram aeronaves operadas pela Prime Aviation em 2025. O escritório Barci de Moraes afirmou que contratava serviços de táxi aéreo e que a escolha específica dos aviões era feita pela empresa responsável pela operação. Também disse que Vorcaro não participou dos voos.

Os novos documentos da PF dão outro contexto à ironia feita por Flávio.

Quando o senador realizou a viagem e posteriormente afirmou ter sido apenas convidado de Tomaz, a Alcazar Holdings, empresa que detinha um terço do avião, estava ligada à estrutura bancária em que seu nome aparecia cadastrado como usuário master, segundo o relatório policial.

Isso não comprova que Flávio fosse proprietário formal da cota, mas levou a PF a considerar relevante esclarecer a extensão da relação dele com a offshore.

Outras viagens também aparecem na investigação

A Polícia Federal identificou ainda outras viagens de Flávio e de integrantes de sua família pagas ou organizadas por empresas ligadas a Willer Tomaz.

Além da Alcazar Holdings, aparece nos documentos a Cathedral Holdings, também sediada em Portugal e da qual Tomaz afirma possuir 24%.

Segundo a investigação, a Cathedral pagou viagens realizadas por meio da NetJets, empresa especializada em aviação executiva e comercialização de cotas e horas de voo.

Os documentos citam deslocamentos de Flávio e familiares em 2024 e 2025.

Tomaz é alvo de apurações relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS. A PF apura possíveis movimentações financeiras e patrimoniais ligadas ao esquema.

O advogado nega envolvimento com os desvios do INSS e afirma que não praticou irregularidades.

PF cita possível participação econômica

No relatório, a Polícia Federal registra que a associação do nome de Flávio ao perfil master merece aprofundamento justamente porque a Alcazar possuía um terço da Fraction 024.

“Eventual vínculo societário ou de gestão mantido com a Alcazar Holdings também pode assumir importância para a compreensão das relações indiretas com a Fraction 024, especialmente diante da participação de um terço do capital social dessa empresa”, registra o documento.

A PF ainda busca esclarecer por que o nome do senador estava vinculado ao perfil bancário, quais permissões efetivamente possuía e se houve operações realizadas a partir desse acesso.

Tags: Alcazar HoldingsAlexandre de MoraesBanco MasterDaniel Vorcaroeleições 2026Flávio BolsonaroFraction 024INSSjatinhoPolícia FederalpolíticaWiller Tomaz
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