Bernardo Mucida encerrou as eleições de 2026 com uma base eleitoral menor em Itabira, cidade que sustentou sua projeção política. Mesmo recebendo R$ 1,05 milhão do fundo eleitoral, o candidato conquistou apenas 9.061 votos no município, contra 16.482 em 2022. A redução de 45% marcou mais uma disputa sem conquistar um mandato nas urnas.
Ex-vereador, candidato à prefeitura com votação expressiva e ex-deputado estadual, Mucida já esteve entre os nomes mais competitivos da política local. Sua única vitória eleitoral, porém, continua sendo a eleição para vereador, em 2012.
Na disputa pela prefeitura em 2016, recebeu 27.375 votos e ficou em segundo lugar. Em 2018, conquistou 34.797 votos para deputado estadual, tornando-se primeiro suplente. Chegou à Assembleia Legislativa em 2021, após Marília Campos deixar o mandato para assumir a Prefeitura de Contagem.
Entre essas disputas, desistiu de concorrer à prefeitura em 2020 e apresentou Marco Antônio Lage como alternativa. Uma pesquisa do DataMG realizada em agosto de 2019 mostrava Mucida na liderança, com 22,1% das intenções de voto. João Izael, também no campo da oposição, tinha 8,5%. Lage aparecia com 0,3%, o menor percentual entre os oito nomes pesquisados.
Em entrevista ao jornalista Carlos Cruz, do Vila de Utopia, em novembro de 2019, Mucida já resistia à expectativa de uma nova candidatura. Questionado sobre o risco de deixar a oposição sem um candidato viável, afirmou: “Não quero ser o ‘salvador da pátria’, não tenho essa vocação”.
Mas ainda lançou sua pré-candidatura em março de 2020, e desistiu em julho. A justificativa foi a possibilidade de assumir uma cadeira na Assembleia caso Marília Campos fosse eleita prefeita de Contagem. Depois, confirmou apoio a Lage.
Em janeiro de 2021, o jornalista Fernando Silva, do DeFato Online, perguntou se a desistência havia custado parte de seu capital eleitoral. Mucida respondeu: “Eu acho que o meu eleitorado compreendeu essa decisão”, citando a vitória do candidato de seu partido.
Nas duas eleições seguintes, Mucida não conseguiu um mandato próprio. Em 2022, recebeu 40.815 votos para deputado estadual e ficou novamente na suplência. Em 2026, concorrendo à Câmara dos Deputados, somou apenas 16.674 votos em Minas Gerais, uma redução de 59,1%.
Em Itabira, foram 7.421 votos a menos entre as duas disputas. O resultado evidencia a perda de força em seu principal reduto, mesmo com experiência parlamentar e recursos fartos para a campanha.
Financiamento elevado, acesso desigual
A distribuição do dinheiro público também chamou atenção entre os candidatos do Avante em Itabira. Conforme o levantamento reunido pela reportagem, Mucida recebeu R$ 1,05 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), concentrando 95,4% dos recursos recebidos pelos cinco candidatos locais relacionados.
Os quatro concorrentes à Assembleia somaram R$ 50,6 mil. Fabricio Andrade recebeu R$ 28,6 mil; Wanderson da Wave, R$ 17 mil; e Dr. Caio, R$ 5 mil. Lacy Leal não recebeu nenhum repasse do FEFC.
| Candidato | Cargo disputado | Votos em Itabira | Votos totais | FEFC recebido |
| Bernardo Mucida | Deputado federal | 9.061 | 16.674 | R$ 1.050.000,00 |
| Fabricio Andrade | Deputado estadual | 302 | 1.274 | R$ 28.600,00 |
| Wanderson da Wave | Deputado estadual | 340 | 494 | R$ 17.000,00 |
| Dr. Caio | Deputado estadual | 561 | 997 | R$ 5.000,00 |
| Lacy Leal | Deputado estadual | 180 | 287 | R$ 0,00 |
O FEFC é abastecido pelo Orçamento da União. Os recursos são repassados aos diretórios nacionais, e os critérios de distribuição entre candidatos são definidos pelas executivas dos partidos. A legislação estabelece reservas obrigatórias para candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.
Para mulheres, a destinação acompanha a proporção de candidaturas femininas, respeitado o mínimo de 30%. Para pessoas negras, que incluem pretas e pardas, a reserva mínima é de 30%. Para indígenas, a distribuição segue a proporcionalidade prevista nas regras eleitorais.
Lacy declarou cor ou raça preta no registro eleitoral e integra um dos grupos contemplados pelas reservas. Ainda assim, foi o único dos cinco candidatos locais do Avante que não recebeu nenhum centavo do fundo.
Seu caso expõe a diferença entre a existência de uma reserva e o acesso efetivo ao financiamento: no mesmo partido e município, houve uma candidatura com mais de R$ 1 milhão e outra sem repasse do FEFC. A concentração dos recursos em Mucida não impediu que ele terminasse a disputa sem uma cadeira e com 45% menos votos em Itabira.


