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Home Notícias Política

Pressionado sobre Master, trama golpista e urnas, Flávio Bolsonaro defende o pai e promete anistia na Globo

Candidato do PL enfrentou questionamentos sobre Vorcaro, depoimentos de militares e relação com Adriano da Nóbrega; ao contestar ex-comandante da FAB, afirmou sem apresentar provas que Baptista Júnior estaria “pedindo voto para Lula”

Por Redação
29 de agosto de 2026 - 08:51
em Política
Pressionado sobre Master, trama golpista e urnas, Flávio Bolsonaro defende o pai e promete anistia na Globo

Foto: Globo/ Manoella Mello

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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou uma sequência de questionamentos sobre episódios envolvendo sua trajetória política, o pai, Jair Bolsonaro, e pessoas próximas à família durante entrevista de cerca de 40 minutos à TV Globo, nesta sexta-feira (28).

Conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, a sabatina começou pelo financiamento do filme Dark Horse pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, passou pela condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista, pelos depoimentos dos antigos comandantes das Forças Armadas, pela desconfiança lançada pelo próprio Flávio sobre as urnas eletrônicas e pelas relações políticas do candidato no Rio de Janeiro.

As propostas para um eventual governo ficaram concentradas principalmente na parte final. Flávio prometeu um “tesouraço” nas despesas públicas, redução de ministérios e cargos comissionados, mas não apresentou uma meta para a dívida pública nem quantificou o ajuste fiscal que pretende fazer.

Vorcaro e os R$ 61 milhões para “Dark Horse”

A entrevista começou com Renata Vasconcellos confrontando Flávio com as diferentes versões dadas por ele sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

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A jornalista lembrou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro e que Flávio inicialmente negara ter pedido dinheiro ao banqueiro. Posteriormente, vieram a público áudios nos quais ele aparece pedindo e cobrando recursos para a produção.

Renata também recordou que o candidato inicialmente omitiu encontro com Vorcaro e depois reconheceu ter ido à casa do banqueiro, inclusive após sua primeira prisão. Diante das contradições, perguntou como o candidato poderia convencer o eleitor de que não mantinha uma relação próxima com ele.

Flávio respondeu que não havia irregularidade na busca por financiamento privado para um filme sobre o pai e sustentou que sua relação com Vorcaro esteve restrita à produção.

A pressão continuou quando Renata lembrou uma mensagem enviada por Flávio ao banqueiro na qual dizia que estaria “sempre” com ele. O candidato afirmou que a declaração se referia ao desejo de garantir a continuidade do filme.

Os jornalistas também cobraram a prestação de contas prometida pelo candidato. César Tralli observou que a perícia apresentada pela produtora não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes bancários ou informações suficientes para esclarecer origem e destino de parte do dinheiro.

“Por que o senhor não apresenta o contrato? Não é do seu interesse dar completa transparência a isso?”, questionou Tralli.

Flávio respondeu que não assinou contrato com Vorcaro, que sua participação foi autorizar o uso de sua imagem e captar investidores e que caberia à produtora apresentar os documentos.

Trama golpista e depoimentos dos comandantes

Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando o assunto passou para a condenação de Jair Bolsonaro.

Renata lembrou que o Supremo Tribunal Federal identificou uma sequência de atos na trama que começou antes das eleições de 2022 e culminou no 8 de Janeiro, incluindo ataques às urnas e à Justiça Eleitoral, pressão sobre as Forças Armadas, uso de órgãos públicos contra adversários, elaboração da chamada minuta do golpe e plano para assassinar autoridades.

A jornalista perguntou então quais garantias o eleitor teria de que o mesmo grupo político não voltaria a atacar a democracia caso Flávio fosse eleito.

O candidato classificou o processo contra o pai como uma “grande farsa” destinada a retirá-lo da vida pública e afirmou que Jair Bolsonaro teria sido julgado por seus inimigos.

Tralli então citou elementos concretos da investigação. Lembrou que o general Mário Fernandes confirmou ser autor do plano que previa a morte de autoridades, que o arquivo foi localizado no Palácio do Planalto e que as investigações rastrearam sua chegada ao Palácio da Alvorada.

“Planejar matar autoridades não é crime contra a democracia brasileira?”, perguntou o jornalista.

Flávio respondeu que, caso o general tenha planejado os assassinatos, a responsabilidade seria dele.

Tralli avançou então para os depoimentos dos antigos comandantes das Forças Armadas. Citou o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, então comandante da Aeronáutica, que relatou risco de golpe e pressões para que os militares aderissem a uma ruptura institucional, e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que confirmou que uma minuta de teor golpista foi apresentada e discutida em reunião com Jair Bolsonaro.

“Isso não é grave?”, perguntou Tralli.

Flávio respondeu que não e tentou desqualificar Baptista Júnior atribuindo a ele uma posição política na atual disputa presidencial.

“Esse comandante da Aeronáutica hoje está pedindo voto para o Lula”, afirmou, classificando o militar como “completamente parcial”.

A declaração não foi acompanhada de qualquer prova durante a entrevista. Também não há registro público conhecido de Baptista Júnior declarando apoio ou pedindo votos para Lula na eleição de 2026.

As manifestações públicas recentes do brigadeiro apontam justamente para um histórico político diferente daquele sugerido por Flávio. Baptista Júnior já declarou que votou em Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022 e admitiu que chegou a se considerar bolsonarista. Mais recentemente, passou a relatar publicamente sua resistência às articulações para impedir a posse de Lula após a eleição de 2022.

Flávio promete anistia e indulto

Depois de contestar os depoimentos dos militares, Flávio reafirmou que pretende buscar uma anistia para condenados pela tentativa de golpe e pelos atos de 8 de Janeiro.

O candidato disse que trabalharia para que a medida fosse aprovada ainda durante a transição, caso vença a eleição.

Se isso não acontecer, afirmou que poderá recorrer ao indulto depois de assumir a Presidência.

A declaração ocorreu após os jornalistas lembrarem que Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF e que os relatos sobre a articulação golpista não partiram apenas das investigações da Polícia Federal, mas também de militares que ocupavam o comando das Forças Armadas durante seu governo.

Flávio é confrontado por repetir gesto do pai com diplomatas

A discussão sobre democracia levou a outro episódio recente da campanha.

Renata Vasconcellos lembrou que o próprio Flávio havia se reunido com diplomatas estrangeiros e levantado dúvidas sobre as urnas eletrônicas, em movimento semelhante ao protagonizado por Jair Bolsonaro antes das eleições de 2022.

Em julho, durante encontro com representantes diplomáticos de dezenas de países, Flávio associou as urnas utilizadas no Brasil a uma empresa venezuelana e pediu o envio do maior número possível de observadores internacionais para acompanhar a eleição.

A informação sobre a origem venezuelana das urnas estava errada e foi contestada pela Justiça Eleitoral.

Na entrevista, Renata foi direta ao relacionar o episódio ao comportamento do pai:

“Por que voltar a atacar a credibilidade das urnas eletrônicas como fez seu pai?”

Flávio negou que tivesse colocado o processo eleitoral brasileiro sob suspeita, mas reconheceu que divulgou uma informação incorreta.

“Falei errado”, admitiu ao tratar da suposta fabricação das urnas por uma empresa venezuelana.

O candidato afirmou que respeitará as regras atuais e o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

Renata insistiu: respeitaria o resultado mesmo em caso de derrota?

“Com certeza”, respondeu inicialmente. Quando a jornalista repetiu “mesmo se perder?”, Flávio evitou trabalhar com essa hipótese: “Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: eu vou ganhar no primeiro turno”.

Tarifaço: Flávio admite que Eduardo errou ao agradecer a Trump

A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também foi alvo de questionamentos.

Tralli lembrou que, no dia em que Donald Trump anunciou tarifas de 50% contra produtos brasileiros, Eduardo publicou uma mensagem agradecendo ao presidente americano e pediu que brasileiros fizessem o mesmo.

O jornalista perguntou por que o deputado teria colocado interesses da família Bolsonaro à frente dos interesses nacionais.

Flávio defendeu o irmão e afirmou que Eduardo atuava para denunciar o que considera violações cometidas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Tralli insistiu mostrando que Eduardo agradeceu a Trump justamente depois do anúncio das tarifas.

Diante da sequência de perguntas, Flávio acabou reconhecendo: “Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas”.

Sobre o Pix, o candidato afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos é “sagrado” e “inegociável”.

Homenagem e ligação com a família de Adriano da Nóbrega

Outro momento de forte cobrança ocorreu quando César Tralli trouxe à entrevista a relação de Flávio com o ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, posteriormente apontado como chefe da milícia Escritório do Crime.

“O senhor concedeu a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega. Ele estava preso por homicídio, era um dos maiores assassinos de aluguel do Brasil e foi morto numa operação policial na Bahia. Por que homenagear um dos maiores matadores do Rio de Janeiro?”, perguntou Tralli.

Flávio respondeu que a homenagem ocorreu há mais de 20 anos e que, naquele momento, considerava Adriano um policial injustamente acusado.

O candidato disse que o conheceu no Bope e que, à época, ele seria um “policial exemplar”.

Tralli rebateu lembrando que Adriano posteriormente se tornou suspeito de envolvimento em mais de dez assassinatos e morreu em confronto com policiais na Bahia.

Adriano deixou o Rio de Janeiro enquanto era procurado pela Justiça e passou a viver escondido. Em fevereiro de 2020, foi localizado em uma propriedade rural em Esplanada, no interior da Bahia. Segundo a investigação e a perícia realizadas pelas autoridades baianas, ele resistiu à prisão e morreu após trocar tiros com policiais durante a operação.

Renata acrescentou outro elemento da relação entre as famílias. Lembrou que a mãe e a mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e foram citadas na investigação sobre a chamada “rachadinha”.

“Por que empregar a família de um chefe de um grupo de matadores?”, questionou.

Flávio voltou a sustentar que, quando contratou as duas, Adriano ainda não era conhecido pelas acusações que posteriormente surgiriam. Disse que sua mãe participava de movimentos de familiares de policiais e fazia a interlocução dessas demandas com seu gabinete.

Bacellar e ligação apontada pela PF com o Comando Vermelho

Renata também questionou Flávio sobre Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que chegou a receber seu apoio político.

A jornalista lembrou que Bacellar está preso e que a Polícia Federal apontou que ele exerceria liderança política de um núcleo ligado ao Comando Vermelho.

“Não é grave?”, perguntou.

Dessa vez, Flávio respondeu que sim.

“É muito grave. Se eu soubesse disso, jamais”, afirmou, acrescentando que as acusações ainda precisam ser comprovadas judicialmente.

“Tesouraço” sem meta para a dívida

Somente na parte final da entrevista os apresentadores conseguiram avançar de forma mais extensa sobre propostas para um eventual governo.

Tralli observou que o programa de Flávio promete estabilizar e reduzir a dívida pública “no menor prazo possível”, mas não apresenta números nem datas.

O jornalista perguntou diretamente qual seria o tamanho do ajuste fiscal, em reais ou pontos do PIB, e de onde sairiam os recursos.

Flávio respondeu criticando os gastos do governo Lula e prometendo um ajuste forte, mas não apresentou o número solicitado.

Quando Tralli perguntou para qual patamar pretendia levar a dívida pública, o candidato novamente não estabeleceu uma meta.

Flávio prometeu reduzir ministérios, cargos comissionados e burocracia e disse que fará um “tesouraço” nas despesas.

Ao mesmo tempo, afirmou que não pretende fazer economia sobre aposentados nem retirar ganhos reais do salário mínimo.

O candidato também disse acreditar que sua eleição, acompanhada do anúncio de uma equipe econômica de credibilidade, produziria confiança suficiente para permitir redução dos juros.

Clima e Saúde encerram entrevista

Nos minutos finais, Flávio foi questionado sobre declarações anteriores em que colocou em dúvida o aquecimento global.

O candidato reconheceu a ocorrência de eventos climáticos extremos, mas voltou a relativizar a influência humana sobre as mudanças do clima. Ao ser perguntado sobre políticas para enfrentar os efeitos desses eventos, citou principalmente investimentos em saneamento básico.

Foi também no encerramento que anunciou o médico Cláudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein, como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde caso seja eleito.

Flávio terminou a entrevista reclamando, de forma indireta, do espaço ocupado pelos temas relacionados ao passado político dele e de sua família.

“Eu queria ter falado mais de proposta, mais de futuro”, disse.

A frase acabou resumindo os 40 minutos de sabatina: Master, Jair Bolsonaro, tentativa de golpe, urnas eletrônicas, tarifaço e relações políticas no Rio ocuparam a maior parte da entrevista, enquanto as propostas para um eventual governo ficaram concentradas nos minutos finais.

A série de entrevistas da TV Globo termina neste sábado (29), com a participação de Augusto Cury (Avante).

Tags: 8 de janeiroAdriano da NóbregaanistiaBanco MasterCarlos Baptista JúniorDaniel VorcaroDark HorseDonald TrumpEduardo Bolsonaroeleições 2026Flávio BolsonaroFreire GomesJair BolsonaroPLRodrigo Bacellartrama golpistaTV Globournas eletrônicas
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