O Cruzeiro fez exatamente o que precisava neste domingo (9): venceu, poupou parte de seus principais jogadores e ganhou novas alternativas para a sequência mais importante da temporada. Com uma equipe bastante modificada, a Raposa derrotou o Mirassol por 3 a 1, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, e agora vira a chave para o confronto com o Flamengo pelas oitavas de final da Copa Libertadores.
João Marcelo, Kaio Jorge e Wesley marcaram os gols celestes. Reinaldo fez o único gol do Mirassol.
Mais do que os três pontos, a partida entregou boas notícias ao técnico Artur Jorge. O Cruzeiro conseguiu preservar jogadores importantes, viu atletas menos utilizados responderem dentro de campo e manteve o embalo depois da classificação sobre a Chapecoense na Copa do Brasil.
Era uma vitória importante para sustentar a reação no Brasileirão. Mas também era impossível ignorar o que vem pela frente.
Na quarta-feira, o nível de exigência será outro.
Artur Jorge preserva titulares
A Libertadores teve influência direta na escalação.
Artur Jorge deixou no banco Fabrício Bruno, William, Gabriel Rojas, Gerson e Kaio Jorge, todos titulares na vitória sobre a Chapecoense pela Copa do Brasil. Matheus Henrique, suspenso, também ficou fora.
A estratégia permitiu testar alternativas e, ao mesmo tempo, diminuir o desgaste de peças importantes antes do duelo continental.
Mesmo bastante modificado, o Cruzeiro começou melhor.
Aos 11 minutos, João Marcelo apareceu no ataque para abrir o placar e colocar a Raposa em vantagem.
O cenário parecia confortável, mas o Mirassol conseguiu equilibrar a partida. Reinaldo empatou aos 26 minutos e expôs um Cruzeiro que passou a encontrar dificuldades principalmente na construção das jogadas.
O forte calor em Belo Horizonte, com temperaturas acima dos 30 graus no horário da partida, também pesou sobre o ritmo das equipes.
Pontas voltam a encontrar dificuldades
Com jogadores importantes preservados, o Cruzeiro perdeu parte da fluidez apresentada nas últimas partidas.
Arroyo e Kenji tiveram dificuldades para transformar as jogadas pelos lados em oportunidades mais perigosas. Bruno Rodrigues, utilizado como referência ofensiva, participou do primeiro gol com uma assistência, mas não conseguiu oferecer a mesma presença que Kaio Jorge normalmente entrega no comando do ataque.
O problema ficou mais evidente quando o Cruzeiro conseguia superar a primeira linha de marcação do Mirassol. Havia espaço, mas faltava precisão para transformar as chegadas em chances claras.
Defensivamente, a equipe também permitiu espaços pouco habituais desde a chegada de Artur Jorge.
Otávio praticamente não foi exigido com grandes defesas, mas o Mirassol conseguiu circular a bola e incomodar mais do que o treinador certamente gostaria.
O intervalo chegou com o placar empatado e a sensação de que o Cruzeiro precisaria encontrar outra dinâmica para confirmar os três pontos.
E encontrou.
Banco muda o jogo
O segundo tempo mostrou talvez a melhor notícia da manhã para Artur Jorge.
O banco de reservas, que já foi motivo de preocupação em outros momentos da temporada, ajudou a mudar a partida.
Lucas Silva entrou e formou uma dupla consistente com Lucas Romero. Mesmo sem Gerson e Matheus Pereira, dois dos jogadores responsáveis pela organização do meio-campo celeste, o Cruzeiro passou a controlar melhor a posse e determinar o ritmo do jogo.
Também houve espaço para novidades.
João Costa e Wesley fizeram suas estreias e deram mais movimentação ao setor ofensivo. O Cruzeiro ficou mais agressivo pelos lados e voltou a encontrar espaços na defesa paulista.
Kaio Jorge, um dos poucos titulares acionados no decorrer da etapa final, mostrou novamente sua importância.
Aos 30 minutos, o atacante colocou o Cruzeiro novamente em vantagem. O gol confirmou a boa sequência do camisa 19, que também havia marcado na vitória sobre a Chapecoense pela Copa do Brasil.
Oito minutos depois veio o golpe definitivo.
Wesley partiu para a jogada individual e marcou o terceiro, fechando o placar em 3 a 1 e transformando a estreia em uma excelente primeira impressão diante da torcida celeste.
Vitória vale mais que três pontos
Para o Cruzeiro, vencer o Mirassol tinha importância que ultrapassava a tabela do Campeonato Brasileiro.
A equipe precisava confirmar sua evolução como mandante, permanecer próxima do grupo da frente e, principalmente, evitar qualquer tropeço capaz de interferir no ambiente antes da Libertadores.
Conseguiu tudo isso.
E ainda apresentou alternativas.
Villalba e João Marcelo voltaram a oferecer segurança defensiva. Lucas Silva respondeu bem quando acionado. João Costa e Wesley mostraram que podem aumentar as opções ofensivas, enquanto Kaio Jorge voltou a ser decisivo.
O momento também representa uma mudança importante na temporada celeste.
Depois de conviver com lesões e limitações no elenco, Artur Jorge começa a receber mais opções justamente quando o calendário aperta.
O Cruzeiro vem de classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, volta a crescer no Campeonato Brasileiro e agora entra na fase eliminatória da Libertadores.
Agora é Flamengo
A partir desta segunda-feira, todas as atenções se voltam para o Flamengo.
O confronto pelas oitavas de final coloca frente a frente dois dos elencos mais fortes do futebol brasileiro e representa, até aqui, o maior desafio do Cruzeiro na temporada.
Pelo investimento e pela qualidade individual do elenco, o Flamengo entra no confronto cercado de expectativas. Mas o Cruzeiro chega em um momento diferente daquele apresentado em outras fases do ano.
O time de Artur Jorge tem mostrado maior organização coletiva, recuperou jogadores importantes e começa a encontrar respostas também no banco de reservas.
A vitória sobre o Mirassol não serve como parâmetro definitivo para aquilo que acontecerá contra o Flamengo. O nível de dificuldade será muito maior.
Mas serviu para algo igualmente importante.
O Cruzeiro chega ao confronto mais aguardado do ano vencendo, crescendo e, principalmente, mostrando que já não depende apenas dos mesmos onze jogadores para encontrar soluções.
Contra o Flamengo, precisará de muito mais.
Pela sequência apresentada nas últimas semanas, porém, a Raposa chega à Libertadores com motivos para acreditar.


