O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) deu início à retirada de aliados do ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP) da administração estadual, um dia após tornar público o rompimento político entre os dois.
A primeira baixa foi a exoneração de Castellar Modesto Guimarães Neto, secretário de Estado de Governo e um dos principais nomes ligados a Aro dentro do Executivo mineiro. A decisão foi publicada na edição desta sexta-feira (31) do Diário Oficial de Minas Gerais. Para o cargo, Simões nomeou Juliano Fisicaro Borges, que ocupava a função de secretário-adjunto da pasta.
A troca é vista nos bastidores como apenas o início de uma ampla reestruturação no governo. Integrantes do grupo político de Marcelo Aro, conhecido informalmente como “Família Aro”, também deverão deixar cargos de confiança nos próximos dias. A expectativa é de que as exonerações possam atingir cerca de 500 nomeações.
“Quatro anos parasitando o Governo”
Em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, repercutida pela CNN Brasil, Mateus Simões fez o mais duro ataque público ao ex-aliado desde que assumiu o comando do Palácio Tiradentes.
O governador acusou Marcelo Aro de ter utilizado sua passagem pelo governo para construir um projeto político próprio.
“Marcelo Aro passou quatro anos parasitando o Governo de Minas para construir um projeto político pessoal.”
Simões afirmou ainda que a administração estadual não poderia servir de plataforma para interesses eleitorais individuais e que o rompimento tornou inevitável a reorganização da equipe de governo.
No dia anterior, o governador já havia demonstrado o desgaste da relação ao afirmar estar decepcionado com o antigo aliado.
“A decepção acaba perseguindo a gente na política, porque a gente lida com gente de todos os tipos. No caso dele, que foi meu aluno, é um pouco maior porque foi abrigado no governo durante quatro anos.”
Segundo Simões, Marcelo Aro “virou as costas” ao projeto político construído desde a gestão de Romeu Zema ao optar por disputar o Governo de Minas.
De aliado a adversário
Marcelo Aro foi um dos principais articuladores políticos do governo Romeu Zema e, posteriormente, ocupou o cargo de secretário de Estado de Governo, responsável pela articulação política do Executivo com prefeitos, Assembleia Legislativa e demais instituições.
Em março deste ano, ele deixou o cargo para viabilizar sua pré-candidatura ao Senado. Nas últimas semanas, porém, passou a ser apontado como possível candidato ao Governo de Minas após o enfraquecimento de outras alternativas da direita, movimento que aprofundou o distanciamento em relação a Mateus Simões.
Reestruturação no Executivo
A saída de Castellar Modesto é interpretada como o primeiro passo para reduzir a influência de Marcelo Aro dentro do governo.
Além de substituir o comando da Secretaria de Governo, o Palácio Tiradentes deve promover novas mudanças em cargos estratégicos ocupados por indicados do ex-secretário, consolidando o afastamento entre dois políticos que, até poucos meses atrás, atuavam lado a lado na construção da sucessão de Romeu Zema.
A expectativa é de que novas exonerações sejam oficializadas nos próximos dias.


