As vozes de Negra Silva, José Junior e Ge Vieira ganham um novo capítulo nesta quarta-feira, 29 de julho. O trio carioca Soul de Brasileiro lança nas plataformas digitais o álbum “SOU”, trabalho que reúne canções sobre identidade, ancestralidade, afeto, espiritualidade e pertencimento.
Lançado pelo selo Toca Discos, com distribuição da Universal Music, o disco marca a consolidação de uma nova fase artística do grupo e traz participações da cantora Paula Lima, do trombonista Josiel Konrad e do rapper baiano Hiran. Na mesma data, o público poderá conferir o videoclipe de “Oxum Rabane”, uma das faixas do projeto.
Gravado no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, “SOU” tem direção artística de Constança Scofield e produção musical de Felipe Rodarte. O repertório atravessa soul music, samba, MPB, jazz, funk, neo soul, R&B e diferentes expressões da música afrodiaspórica, sempre com as harmonias vocais do trio no centro dos arranjos.
O resultado dialoga com a tradição da música negra brasileira, representada por artistas como Cassiano, Tim Maia, Sandra de Sá e Jorge Ben Jor, ao mesmo tempo que se aproxima de referências internacionais como Marvin Gaye, Lauryn Hill, Jill Scott, Fela Kuti e Erykah Badu.
Da Vila Kennedy para novos palcos
A história do Soul de Brasileiro começou muito antes da chegada ao estúdio. Os três integrantes cresceram na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e começaram a cantar juntos em uma igreja católica, em 2005. O projeto ganhou forma como trio em 2011, depois da participação no Favela Festival, iniciativa realizada pela Central Única das Favelas (Cufa) em parceria com a TV Globo.
Desde então, Negra Silva, José Junior e Ge Vieira vêm construindo um repertório que combina formação em canto lírico, referências populares e experiências vividas na periferia carioca. A trajetória inclui apresentações no Circo Voador e no Sofar Sounds, além do EP “Ciclo4i”, lançado em 2021 com produção e direção musical de Sandra de Sá.
O trio também passou pelo programa Aceleração Musical Labsonica – Toca do Bandido, experiência que aproximou os artistas de Constança Scofield e Felipe Rodarte. A partir desse encontro, o grupo gravou singles, participou de sessões de criação e começou a desenvolver o repertório que desembocaria em “SOU”.
Antes do álbum, o público conheceu faixas como “De Onde Eu Vim”, “Minha Vibe” e “Aí Tem Coisa”. A primeira abriu o atual ciclo do trio com uma celebração à Vila Kennedy e às origens negras e periféricas dos integrantes.
Encontros com Paula Lima, Josiel Konrad e Hiran
As participações especiais surgiram a partir da identidade de cada composição. Em “Aí Tem Coisa”, o trombone de Josiel Konrad reforça o groove inspirado na música negra carioca dos anos 1970.
Paula Lima divide os vocais com o trio em “Eu Segui”. Segundo José Junior, a cantora aceitou o convite antes mesmo de conhecer a música escolhida para o encontro.
“A Paula Lima é um amor antigo. Quando finalmente nos conhecemos pessoalmente, a conexão foi tão natural que ela aceitou o convite antes mesmo de saber qual seria a música. Em ‘Eu Segui’, a Paula trouxe uma emoção muito especial”, conta.
Já Hiran participa de “Glória”. O rapper baiano foi convidado depois que os integrantes ouviram “Imundo”, álbum no qual o artista combina rap, experimentação, sexualidade, religiosidade e afirmação identitária.
“Sentimos que ele era a voz certa. Ele nos enviou, em tempo recorde, uma poesia poderosa, com sua voz marcante e inconfundível”, afirma José Junior.
Canções sobre aquilo que o tempo transforma
Mais do que registrar os anos de estrada, “SOU” procura traduzir as mudanças vividas pelos próprios integrantes. As composições abordam as contradições, os afetos e as experiências de três artistas negros que construíram suas trajetórias entre a periferia, os palcos e os espaços de formação musical.
“‘SOU’ não fala exatamente do tempo que passou, e sim do que adquirimos com a passagem dele. O álbum reflete quem somos hoje, principalmente nossa humanidade e nossas contradições”, resume Ge Vieira.
Para o trio, a maturidade também aparece na liberdade de transitar por diferentes ritmos sem perder a conexão com as origens.
“Depois de mais de dez anos de caminhada, nos sentimos mais maduros, mais conscientes das nossas escolhas e mais à vontade com as nossas complexidades. Tudo o que cantamos nasce das nossas vivências, das nossas raízes”, acrescenta José Junior.
Rock in Rio será próximo passo
Após a chegada do álbum às plataformas, o Soul de Brasileiro se prepara para um dos maiores palcos de sua trajetória. No dia 12 de setembro, o trio se apresenta no Espaço Favela do Rock in Rio.
A programação oficial do festival coloca o grupo no mesmo dia de atrações como Timbalada e Priscila Senna no Espaço Favela. Nos demais palcos, a data terá shows de Maroon 5, Demi Lovato, J Balvin, Pedro Sampaio, Mumford & Sons, João Gomes, Gilsons, Daniela Mercury, Olodum e Criolo.
O site do Rock in Rio destaca a brasilidade, a identidade vocal e a mistura entre soul, MPB, jazz e cultura afro-diaspórica como marcas do trio.
Antes de alcançar a Cidade do Rock, “SOU” apresenta ao público o momento atual de Negra Silva, José Junior e Ge Vieira: três vozes que nasceram do mesmo território, atravessaram mais de uma década de encontros e agora transformam essa história em música.
“Esse álbum tem a nossa cara, é fruto da nossa maturidade e da nossa bagagem artística. Estamos prontos para levar a nossa arte para esse mundão afora”, celebra Negra Silva.

Serviço
Lançamento: álbum “SOU”, do Soul de Brasileiro
Data: 29 de julho
Onde ouvir: principais plataformas digitais
Selo: Toca Discos
Distribuição: Universal Music
Lançamento adicional: videoclipe de “Oxum Rabane”


