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Home Saúde

Ferida na boca e rouquidão persistente podem ser sinais de câncer de cabeça e pescoço

Campanha Julho Verde alerta que sintomas mantidos por mais de duas semanas exigem avaliação; Santa Casa BH realiza cerca de 300 consultas e 40 cirurgias por mês pelo SUS

Por Redação
23 de julho de 2026 - 13:50
em Saúde
Ferida na boca e rouquidão persistente podem ser sinais de câncer de cabeça e pescoço

Divulgação / Santa Casa BH

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Uma ferida na boca que não cicatriza, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço podem parecer problemas passageiros. Quando permanecem por mais de duas semanas, porém, esses sintomas precisam ser investigados, pois podem indicar câncer de cabeça e pescoço.

O alerta faz parte do Julho Verde, campanha nacional de conscientização e prevenção dos tumores que atingem regiões como boca, língua, garganta, laringe, faringe, glândulas salivares, cavidade nasal, seios da face e tireoide.

Em Belo Horizonte, a Santa Casa BH chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce. Segundo a instituição, muitos pacientes ainda chegam ao serviço quando a doença já está em estágio avançado, situação que reduz as possibilidades de tratamento, pode exigir procedimentos mais agressivos e comprometer funções como fala, mastigação e deglutição.

A orientação médica é que sinais persistentes não sejam tratados apenas com soluções caseiras ou sucessivas tentativas de automedicação. Embora esses sintomas também possam decorrer de condições benignas, somente uma avaliação profissional pode determinar a causa.

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Sintomas por mais de duas semanas exigem atenção

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • ferida na boca que não cicatriza;
  • rouquidão ou alteração persistente da voz;
  • dificuldade ou dor para engolir;
  • manchas brancas ou avermelhadas na boca;
  • caroço ou inchaço no pescoço;
  • sensação de objeto preso na garganta;
  • dor de garganta prolongada;
  • perda de peso sem explicação;
  • sangramento ou dor persistente na boca.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço orienta que feridas, alterações na voz, dores de garganta e dificuldades para engolir que persistam por cerca de 15 dias devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Esses sintomas não significam necessariamente a existência de câncer, mas não devem ser ignorados.

O coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa BH, Vinícius Antunes Freitas, destaca que o tempo entre o aparecimento dos sintomas e a procura por atendimento influencia diretamente o tratamento.

“Muitas pessoas ainda acreditam que uma ferida na boca ou uma rouquidão persistente são problemas sem importância. Quando esses sintomas permanecem por mais de duas semanas, é fundamental procurar avaliação médica. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e pode reduzir o impacto do tratamento na vida do paciente.” Dr. Vinícius Antunes Freitas.

Divulgação / Santa Casa BH

Santa Casa BH realiza cerca de 40 cirurgias por mês

A Santa Casa BH mantém um dos maiores serviços de cirurgia de cabeça e pescoço destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde em Minas Gerais.

De acordo com a instituição, são realizadas mensalmente cerca de 300 consultas, entre atendimentos ambulatoriais e hospitalares, além de aproximadamente 40 cirurgias. Os procedimentos incluem desde biópsias até operações de maior complexidade.

O serviço atua há mais de cinco décadas e reúne profissionais de diferentes especialidades. Os atendimentos podem envolver cirurgia de cabeça e pescoço, oncologia, radioterapia, neurocirurgia, oftalmologia, odontologia e fonoaudiologia, conforme as necessidades de cada paciente.

A integração entre as áreas é especialmente importante porque o tratamento pode afetar funções essenciais, como a capacidade de falar, respirar, engolir e se alimentar.

Brasil pode ter mais de 40 mil novos casos por ano

As estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil deverá registrar aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença. Excluídos os tumores de pele não melanoma, são estimados cerca de 518 mil casos anuais.

Dentro do grupo relacionado à cabeça e ao pescoço, são esperados anualmente aproximadamente:

  • 17,2 mil casos de câncer da cavidade oral;
  • 8,5 mil casos de câncer de laringe;
  • 16,4 mil casos de câncer de tireoide.

Somados, esses três grupos representam mais de 42 mil diagnósticos por ano. A classificação “câncer de cabeça e pescoço”, contudo, também pode abranger tumores em outras regiões, como orofaringe, hipofaringe, cavidade nasal, seios paranasais e glândulas salivares.

As estimativas ajudam a dimensionar o desafio para o SUS, mas não indicam quantas pessoas efetivamente desenvolverão a doença. Os números são projeções epidemiológicas utilizadas para orientar políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Tabaco e álcool estão entre os principais fatores de risco

O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam entre os fatores mais associados aos tumores da boca, faringe e laringe. A combinação dos dois hábitos aumenta ainda mais o risco.

O cigarro expõe a boca, a garganta e as vias respiratórias a substâncias cancerígenas. Já o álcool pode facilitar a ação desses compostos sobre as células e provocar danos repetidos nos tecidos.

O INCA aponta o tabagismo e o consumo excessivo de álcool como os principais fatores de risco para o câncer de laringe, sobretudo quando estão associados.

Também podem elevar o risco:

  • exposição frequente ao sol sem proteção, especialmente para câncer de lábio;
  • higiene bucal inadequada;
  • exposição ocupacional a determinadas substâncias;
  • alimentação pobre em frutas e vegetais;
  • infecção por tipos de alto risco do papilomavírus humano.

HPV está relacionado a tumores da orofaringe

A infecção persistente pelo HPV ganhou importância entre os fatores associados ao câncer de orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua. O HPV 16 está entre os tipos mais frequentemente relacionados a esses tumores.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço considera a infecção pelo vírus um fator relevante para o desenvolvimento de cânceres nessa região.

A vacinação contra o HPV é uma das principais formas de prevenção. A vacina é oferecida pelo SUS para os públicos definidos pelo Ministério da Saúde e protege contra tipos do vírus associados a diferentes cânceres.

A imunização não elimina a necessidade de acompanhamento médico ou odontológico, mas reduz o risco de infecções persistentes pelos tipos contemplados pela vacina.

Diagnóstico precoce pode evitar tratamentos mais agressivos

O tratamento depende da região atingida, do tipo de tumor, do tamanho da lesão, da presença de metástases e das condições clínicas do paciente.

As opções podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens.

Quando a doença é identificada no início, pode ser possível remover uma lesão menor e preservar melhor estruturas importantes. Em estágios avançados, o paciente pode precisar de operações mais extensas, reconstruções cirúrgicas e tratamentos combinados.

Esses procedimentos podem causar impactos na fala, na deglutição, na respiração, na alimentação e na aparência. Por isso, a reabilitação com fonoaudiólogos, nutricionistas, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais pode integrar o tratamento.

“O câncer de cabeça e pescoço tem tratamento e pode ser curado quando identificado precocemente. Quanto antes o paciente procurar atendimento especializado, maiores serão as chances de um tratamento menos agressivo, melhores resultados e mais qualidade de vida”, afirma Vinícius Antunes Freitas.

Como reduzir os riscos

As medidas de prevenção incluem:

  • não fumar;
  • evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • manter boa higiene bucal;
  • consultar regularmente médicos e dentistas;
  • usar protetor solar nos lábios;
  • utilizar chapéu ou boné durante exposição prolongada ao sol;
  • manter alimentação equilibrada;
  • vacinar-se contra o HPV;
  • procurar atendimento diante de sintomas persistentes.

A avaliação odontológica também tem papel importante, porque lesões na boca, na língua e nos lábios podem ser percebidas durante consultas de rotina.

A campanha Julho Verde reforça que o objetivo não é provocar medo diante de qualquer rouquidão ou afta, mas evitar que sinais prolongados sejam normalizados. Quanto mais cedo uma alteração suspeita for investigada, maiores são as possibilidades de um tratamento com menor impacto sobre a vida do paciente.

Tags: câncer de bocacâncer de cabeça e pescoçocâncer de laringediagnóstico precoceHPVjulho verdeoncologiaprevençãoSanta Casa BHSUS
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