A Espanha precisou de 106 minutos para transformar em gol um domínio que começou no primeiro toque na bola. Superior em intensidade, posse, movimentação e volume ofensivo, a seleção espanhola venceu a Argentina por 1 a 0, neste domingo (19), no Estádio de Nova York/Nova Jersey, e conquistou pela segunda vez a Copa do Mundo.
O gol que derrubou a resistência argentina e decidiu o Mundial saiu no segundo tempo da prorrogação. Nico Williams apareceu pelo lado esquerdo e desviou de cabeça para Ferran Torres, que concluiu diante de Emiliano Martínez e escreveu seu nome na história do futebol espanhol.
A Argentina, que entrou em campo defendendo o título conquistado em 2022, passou os 90 minutos regulamentares sem conseguir uma única finalização. A equipe de Lionel Scaloni foi empurrada para o campo defensivo, perdeu a disputa pelo meio-campo e viu Lionel Messi praticamente isolado diante da marcação espanhola.
Espanha começa pressionando
Desde a saída de bola, a Espanha deixou claro como pretendia jogar a decisão. Rodri e Fabián Ruiz comandavam a circulação no meio-campo, enquanto Lamine Yamal e Nico Williams abriam o campo pelos lados e obrigavam a defesa argentina a recuar.
A bola permanecia quase todo o tempo nos pés espanhóis. Quando perdia a posse, a equipe de Luis de la Fuente pressionava imediatamente e impedia a Argentina de construir qualquer contra-ataque.
Messi tentava se aproximar do meio para participar da criação, mas encontrava pouco espaço. Julián Álvarez ficava distante, cercado pelos defensores, e os argentinos não conseguiam superar a primeira linha de pressão da Espanha.
A primeira etapa teve um único dono. A Espanha trocou passes perto da área, finalizou de média distância e buscou cruzamentos, mas esbarrou na defesa argentina e, principalmente, em Emiliano Martínez.
Dibu mantém a Argentina viva
Se a Argentina chegou ao intervalo com o placar fechado, muito se deveu ao seu goleiro.
Emiliano Martínez suportou a pressão espanhola com defesas decisivas e segurança nas bolas aéreas. A Espanha acumulava oportunidades, mas não encontrava o toque final para transformar sua superioridade em vantagem.
A Argentina, por outro lado, não conseguiu ameaçar Unai Simón. Sem espaço para correr e incapaz de manter a posse, a equipe sul-americana limitava-se a afastar a bola e reorganizar a marcação.
O roteiro pouco mudou no segundo tempo. A Espanha voltou ao campo empurrando a Argentina para trás e intensificou as chegadas pelos lados. Yamal buscava o drible pela direita, Nico acelerava pela esquerda, e Rodri controlava o ritmo da partida no centro do gramado.
A pressão espanhola produziu uma sequência de finalizações e defesas de Martínez. Mesmo sem marcar, a Fúria não demonstrava ansiedade. Continuava girando a bola, abrindo espaços e esperando o momento de romper o bloqueio.
Gol anulado aumenta a tensão
A Espanha chegou a balançar a rede durante o tempo regulamentar, mas o lance foi anulado pela arbitragem. A decisão ampliou a tensão de uma final em que os espanhóis atacavam sem parar, enquanto a Argentina tentava sobreviver.
A equipe de Scaloni permanecia sem finalizar. Messi recebia sempre cercado e precisava recuar cada vez mais para encontrar a bola. Quando conseguia escapar da primeira marcação, logo aparecia outro espanhol para fechar o espaço.
A partida se aproximava da prorrogação quando a situação argentina ficou ainda mais complicada.
Enzo é expulso, e Argentina fica com dez
Nos minutos finais do segundo tempo, Enzo Fernández cometeu falta em Pau Cubarsí, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso.
Com um jogador a menos, a Argentina abandonou qualquer tentativa de atacar e passou a defender a área. A Espanha aumentou ainda mais a presença no campo ofensivo, mas não conseguiu marcar antes do fim dos 90 minutos.
Pela primeira vez na história de uma final de Copa do Mundo, uma seleção encerrou o tempo regulamentar sem realizar uma finalização. A Espanha, em sentido oposto, terminou a decisão com cerca de 20 tentativas e amplo controle da posse.
Resistência argentina dura até os 106 minutos
A prorrogação começou como havia terminado o tempo normal: Espanha atacando e Argentina defendendo.
Mesmo em inferioridade numérica, os argentinos mantiveram as linhas próximas da área e continuaram contando com Martínez. A seleção espanhola rodava a bola de um lado para o outro, procurando uma brecha na defesa.
Ela apareceu aos 106 minutos.
Nico Williams participou da construção pelo lado esquerdo e desviou a bola de cabeça para Ferran Torres. O atacante, que havia saído do banco, apareceu no espaço entre os defensores e concluiu para vencer Martínez.
Depois de mais de uma centena de minutos de domínio, a Espanha finalmente encontrava o gol que a partida anunciava desde o início.
Ferran correu para comemorar, os jogadores espanhóis deixaram o banco e invadiram a lateral do campo, enquanto os argentinos permaneceram paralisados. A muralha havia caído.
Argentina tenta reagir tarde demais
Somente depois de sofrer o gol a Argentina abandonou a postura defensiva e tentou avançar.
Já nos minutos finais da prorrogação, a equipe conseguiu suas primeiras tentativas na partida, mas nenhuma delas obrigou Unai Simón a realizar uma defesa. A Espanha fechou os espaços, controlou a vantagem e esperou pelo apito final.
A decisão terminou com uma diferença mínima no placar, mas enorme no desempenho. A Espanha dominou a posse, finalizou repetidamente e praticamente não permitiu que a Argentina jogasse.
O 1 a 0 não traduziu por completo o que aconteceu em campo.
Outro título decidido na prorrogação
A conquista de 2026 guarda uma coincidência com o primeiro título espanhol.
Em 2010, a Espanha também precisou da prorrogação para derrotar a Holanda por 1 a 0, com gol de Andrés Iniesta. Dezesseis anos depois, Ferran Torres assumiu o papel de herói e marcou o gol do bicampeonato.
A equipe de Luis de la Fuente encerrou uma campanha marcada pela força defensiva, pelo controle do meio-campo e pela capacidade de manter o estilo de jogo mesmo sob a pressão de uma final.
A Espanha chega ao segundo título mundial depois de superar Áustria, Portugal, Bélgica, França e Argentina nas fases eliminatórias.
Messi deixa as Copas com mais um vice
Para Lionel Messi, a noite terminou sem o desfecho sonhado.
Aos 39 anos, o camisa 10 disputou sua sexta Copa do Mundo e buscava conduzir a Argentina ao bicampeonato consecutivo. Neutralizado pela marcação espanhola, teve pouca participação e não conseguiu mudar o rumo da final.
Após o apito, Messi permaneceu no gramado e recebeu o abraço de jogadores espanhóis, entre eles Lamine Yamal, um dos principais representantes da nova geração.
O argentino encerra sua trajetória nos Mundiais com o título conquistado em 2022 e os vice-campeonatos de 2014 e 2026. Ainda que não tenha anunciado oficialmente sua despedida da seleção, a decisão contra a Espanha marcou sua última participação em uma Copa do Mundo.
Enquanto Messi deixava o palco, os espanhóis erguiam a taça. Uma era se despedia, e a Espanha voltava ao topo do futebol mundial.


