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Home Colunas

Quem ama não mata

Por Nilson Lattari
17 de julho de 2026 - 09:12
em Colunas
Quem ama não mata

Foto: Andrew Small na Unsplash

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Essa frase surgiu dentro de um movimento criado em Belo Horizonte – Minas Gerais e, inclusive, foi tema de uma minissérie na televisão a respeito de feminicídios. Sim, nada é mais verídico que isso, ninguém pode ser eliminado, fisicamente, por conta de desavenças, desencontros, ciúmes ou, simplesmente, por se julgar o dono do companheiro ou da companheira.

A morte, no entanto, a eliminação do outro ou da outra não passa, tão somente, pela parte física. Assim como não se mata por amor, ou suposto amor, também não se matam os sonhos de alguém, por conta dos mesmos argumentos do parágrafo anterior.

A morte dos sonhos tem um significado amplo, porque envolve as possibilidades e estratégias que alguém tem na vida. Muitas vezes, por conta de um relacionamento, um dos companheiros abre mão desses sonhos. É claro que, muitas vezes, abrir mão de sonhos também envolve as dificuldades da vida, a lida com os filhos, enfermidades, enfim, uma quantidade grande de eventos que foge ao controle das pessoas.

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A luta em conjunto envolve uma importância muito maior entre companheiros, nos casamentos ou relacionamentos. Ambos devem lutar por seus sonhos e se ajudar mutuamente, ou se não podem, pelo menos não devem atrapalhar a caminhada do outro.

Nesses tempos pós-modernos, as mulheres, cada vez mais, alcançam posições que podem estar em superioridade em relação aos companheiros. Essa inversão de papéis causa um pouco de ciúme e insegurança. Ao contrário de tempos idos, onde as mulheres, culturalmente, tinham o papel de lidar com a casa, davam ao homem uma certa liberdade de andar pelas ruas, enquanto a companheira era prisioneira no padecer do paraíso.

Essa inversão de papéis causa um outro aspecto de matar, quando se tolhe a possibilidade do outro seguir um caminho próprio e, muitas vezes, mais próspero. Afinal, a inteligência, perspicácia, expertise não são mais os privilégios dos homens; há competição na área.

Ouvi, uma vez, a expressão de quem se você quer ser feliz não se case, só se case para fazer o outro feliz. Isso tem uma importância grande, porque a maior prova de amor é o sacrifício de um sonho para o bem do outro, No passado e até hoje, essa prova é incentivar o outro a ser o que queira. É satisfazer ou proporcionar que esse sonho se torne realidade, sem medo, sem ciúmes, apenas por amor.

O trabalho de um homem ou de uma mulher são muito importantes, porque pode ser a realização de uma vida de sonhos, independentemente de os sonhos envolverem, também, alguém para amar e ser amado. Uma combinação perfeita: ter o trabalho dos sonhos e voltar para casa e abraçar quem se ama, ou esperar quem se ama chegar do seu trabalho dos sonhos.

Os dois conversarem sobre o que fazem, receber cumprimentos ou dar consolo para vitórias e derrotas fazem parte desse cotidiano onde não se mata física ou espiritualmente, seja por que motivo for.

Tags: AMORCasamentoColunafeminicídioNilson LattariReflexãorelacionamentosSONHOS
Nilson Lattari

Nilson Lattari

Crônicas e Contos. NILSON LATTARI é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br, vencedor duas vezes do Prêmio UFF de Literatura (2011 e 2014) e Prêmio Darcy Ribeiro (Ribeirão Preto 2014). Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em crônicas, contos e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. "Ambos levam ao infinito, porém, em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação".

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