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Home Educação

Mais da metade dos universitários com filhos já interrompeu os estudos para cuidar da família, revela levantamento

Pesquisa ligada ao MEC mostra que conciliar maternidade, paternidade e vida acadêmica ainda é um dos principais desafios do ensino superior brasileiro, especialmente entre mulheres e estudantes de baixa renda

Por Redação
14 de julho de 2026 - 15:34
em Educação
Mais da metade dos universitários com filhos já interrompeu os estudos para cuidar da família, revela levantamento

Foto: Marcelo Camargo/ABR

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Conciliar a rotina universitária com a criação dos filhos continua sendo um dos maiores obstáculos enfrentados por estudantes brasileiros. Um levantamento produzido por um grupo de trabalho vinculado ao Ministério da Educação (MEC) revela que 54,4% dos alunos de graduação com filhos já precisaram trancar a matrícula ou abandonar temporariamente os estudos para dar conta dos cuidados familiares.

Na pós-graduação, o cenário também preocupa: 36,4% dos estudantes afirmaram ter interrompido a trajetória acadêmica pelo mesmo motivo.

O estudo, que ouviu mais de 7,4 mil estudantes, traça um panorama inédito sobre os desafios enfrentados por mães e pais universitários e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à permanência desses alunos no ensino superior.

Mães são maioria entre os estudantes com filhos

A pesquisa mostra que a realidade da parentalidade na universidade tem rosto predominantemente feminino.

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Entre os participantes, 86,5% são mães, enquanto a maior parte cursa a graduação presencial, com idade média de 33 anos.

O perfil predominante aponta ainda para estudantes:

  • solteiros (46%);
  • negros (pretos e pardos), que representam 60,2% do total;
  • matriculados em universidades federais (79,5%);
  • com apenas um filho (59,6%);
  • vivendo em famílias de três pessoas;
  • e com renda de até um salário mínimo por pessoa.

Os dados revelam que a maternidade, somada à vulnerabilidade econômica, torna ainda mais difícil a permanência na universidade.

Alimentação dos filhos também preocupa

Outro ponto destacado pelo levantamento é o acesso aos restaurantes universitários.

Mais da metade dos estudantes de graduação (51%) informou que seus filhos não podem utilizar os restaurantes universitários, enquanto quase metade dos pós-graduandos (49,3%) relatou a mesma situação.

Mesmo entre aqueles que têm acesso, a gratuidade é exceção.

Apenas 7,1% dos estudantes da graduação e 2,9% da pós-graduação disseram que os filhos podem se alimentar gratuitamente nesses espaços.

O estudo chama atenção também para um dado considerado preocupante: cerca de um terço dos entrevistados sequer sabe se existe esse direito, indicando falhas na divulgação das políticas de assistência estudantil.

Rede de apoio ainda é insuficiente

A pesquisa mostra que a maioria dos estudantes depende da ajuda de familiares e amigos para conseguir continuar estudando.

Esse apoio foi citado por 43,3% dos participantes.

Por outro lado, quase um terço (32,9%) afirmou não contar com qualquer rede de apoio, enfrentando sozinho a rotina de estudos e os cuidados com os filhos.

A contratação de serviços particulares também está distante da realidade da maioria.

Apenas 5,9% dos estudantes de graduação conseguem pagar por babás ou cuidadores, enquanto 7,5% utilizam algum serviço público de apoio.

Projetos comunitários e organizações sociais aparecem com participação inferior a 1%.

Pós-graduação apresenta cenário diferente

Entre estudantes de especialização, mestrado e doutorado, a pesquisa identifica uma situação econômica mais favorável.

Nesse grupo, predominam estudantes casados (50,6%) e autodeclarados brancos (56,1%).

Também há uma concentração maior de famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos, realidade bastante distinta da observada entre alunos da graduação.

Apesar disso, mais de um terço dos pós-graduandos com filhos também relatou já ter interrompido os estudos para atender às demandas familiares.

Debate sobre permanência

Para os pesquisadores responsáveis pelo levantamento, os dados evidenciam que ampliar o acesso ao ensino superior não é suficiente.

Segundo o grupo de trabalho, garantir condições para que mães e pais permaneçam na universidade exige políticas permanentes de assistência estudantil, ampliação das redes de apoio, acesso facilitado aos restaurantes universitários e medidas que reduzam o impacto da parentalidade na vida acadêmica.

O estudo deverá subsidiar futuras discussões do Ministério da Educação sobre políticas públicas voltadas aos estudantes com filhos.

Tags: assistência estudantilEducaçãoensino superiorMATERNIDADEMECpaternidadepesquisaUniversidades
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