A Copa do Mundo de 2026 reserva apenas uma partida nesta sexta-feira (10), mas o confronto promete ocupar sozinho o centro das atenções. Espanha e Bélgica se enfrentam às 16h, no horário de Brasília, no Los Angeles Stadium, pelas quartas de final. Quem avançar terá a França como adversária na semifinal.
O duelo reúne duas seleções que chegaram ao mata-mata por caminhos bastante diferentes. A Espanha cresceu durante o torneio, ganhou consistência defensiva e chega invicta. A Bélgica precisou reagir após um início irregular, mas encontrou sua melhor atuação justamente na vitória por 4 a 1 sobre os Estados Unidos, nas oitavas de final.
Espanha chega embalada e sem sofrer gols
A seleção comandada por Luis de la Fuente atravessa uma sequência de 35 partidas sem derrota e ainda não sofreu gols nesta Copa do Mundo. Depois de oscilar na primeira fase, a equipe espanhola ganhou força no mata-mata, goleou a Áustria por 3 a 0 e eliminou Portugal por 1 a 0, com gol de Mikel Merino nos acréscimos.
O desempenho recolocou a Espanha entre as principais candidatas ao título. A equipe combina posse de bola, pressão alta e uma defesa que tem conseguido limitar as oportunidades dos adversários.
Luis de la Fuente, no entanto, evitou qualquer discurso de superioridade. Na véspera da partida, o treinador classificou a Bélgica como o adversário mais difícil enfrentado pela Espanha até agora na competição.
“Será o nosso teste mais difícil”, afirmou o técnico espanhol, ao destacar a experiência e a qualidade individual do elenco belga.
No setor ofensivo, as expectativas recaem sobre Mikel Oyarzabal, que já marcou quatro gols no Mundial, e Lamine Yamal. Embora tenha balançado as redes apenas uma vez, o jovem de 18 anos vem ganhando importância pela criação de jogadas e pela participação sem a bola. Rodri segue como referência no controle do meio-campo.
Bélgica deixa turbulências para trás
A trajetória belga foi menos tranquila. Os empates nos primeiros compromissos aumentaram a pressão sobre o técnico Rudi Garcia e colocaram em dúvida a capacidade da equipe de avançar. A classificação na fase de grupos veio sem convencer, mas o time mudou de comportamento no mata-mata.
Depois de uma virada dramática sobre Senegal na fase de 16 avos, a Bélgica fez sua apresentação mais sólida contra os Estados Unidos. Charles De Ketelaere marcou duas vezes e deu uma assistência na vitória por 4 a 1, enquanto Romelu Lukaku fechou a goleada nos acréscimos.
Com 13 gols, os belgas chegam às quartas como o segundo melhor ataque da competição. Mesmo reconhecendo o favoritismo espanhol, Rudi Garcia acredita que sua equipe tem condições de equilibrar o confronto.
“Sabemos que somos os azarões, mas vamos fazer a Espanha trabalhar muito”, declarou o treinador belga.
Lukaku adotou um discurso semelhante e afirmou que a Bélgica precisará fazer uma partida praticamente perfeita para eliminar a atual campeã europeia.
Polêmica com Trump marcou o caminho belga
A goleada sobre os Estados Unidos também foi cercada por uma controvérsia fora de campo. A Fifa suspendeu a punição imposta ao atacante norte-americano Folarin Balogun após o presidente Donald Trump pedir uma revisão do caso ao presidente da entidade, Gianni Infantino. A decisão permitiu que o jogador enfrentasse a Bélgica e provocou críticas de dirigentes europeus e da própria federação belga.
Mesmo com Balogun liberado, os Estados Unidos foram eliminados. Depois do quarto gol, jogadores belgas fizeram uma comemoração interpretada como referência à dança usada por Trump em aparições públicas. O episódio reforçou o clima de revanche sentido pela equipe após a intervenção política na decisão disciplinar.
A polêmica, porém, ficou para trás no discurso oficial. Às vésperas das quartas de final, jogadores e comissão técnica concentram a atenção na Espanha e no desafio de superar uma seleção que ainda não foi vazada.
Duelo de posse contra velocidade
A tendência é de uma partida marcada pelo contraste de estilos.
A Espanha deve assumir o controle da bola e tentar empurrar a Bélgica para o próprio campo. O trabalho de Rodri e a movimentação de Yamal, Oyarzabal e dos meias serão fundamentais para encontrar espaços diante de uma defesa experiente.
A Bélgica, por sua vez, pode explorar as transições rápidas e a força física de Lukaku, além da mobilidade de De Ketelaere. Jérémy Doku aparece como uma alternativa capaz de mudar o ritmo da partida com velocidade e dribles, embora tenha alternado entre a titularidade e o banco durante o torneio.
A equipe belga terá um desfalque importante no meio-campo. Amadou Onana está fora da partida por lesão, reduzindo as opções de Rudi Garcia para enfrentar o setor mais forte da seleção espanhola.
França espera pelo vencedor
A seleção que avançar encontrará a França na semifinal, marcada para terça-feira (14). Os franceses garantiram a classificação ao derrotar Marrocos por 2 a 0, com gols de Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé.
Para a Espanha, a partida desta sexta-feira representa a oportunidade de voltar a uma semifinal de Copa depois de 16 anos. Para a Bélgica, é a chance de reafirmar uma geração que chegou desacreditada ao torneio, mas voltou a sonhar após uma caminhada marcada por pressão, reação e muito poder ofensivo.


