Opinião

Deputado pendurou na ALERJ placa de Marielle que quebrou

O diagnóstico de psiquiatra seria de sadismo de psicopata a atitude irracional do deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ)? Como vocês, estimados leitores d’O Folha de Minas, classificam o comportamento dele, que emoldurou parte da placa com o nome da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), que quebrou, em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ? A placa que homenageava a parlamentar assassinada a tiros, juntamente com o seu motorista Anderson Gomes, fora fixada na Praça Marechal Floriano, em frente à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia, no ano passado. A foto do parlamentar, tendo na parede do gabinete a imagem do quadro, repercutiu nos jornais, creditada a um leitor.

Rodrigo Amorim, ao lado de Daniel Silveira, quebrou placa em homenagem a Marielle Franco (Foto: Reprodução)
Rodrigo Amorim, ao lado de Daniel Silveira, quebrou placa em homenagem a Marielle Franco (Foto: Reprodução)

 

Justificando que “o quadro é uma peça de decoração”, exibindo como troféu, o deputado Rodrigo Martins Pires de Amorim é filiado ao mesmo partido político do presidente Jair Bolsonaro. Na mesma legenda partidária (Partido Social Liberal) estão filiados três filhos do presidente da República: o senador Flávio Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro;

Ao confirmar a atitude ao jornal O Globo, o deputado disse que “o fragmento da falsa placa é o símbolo da restauração da ordem no Rio de Janeiro. Há alguns dias me manifestei no plenário da ALERJ quanto à desordem protagonizada por alguns deputados da esquerda que pretendem transformar os corredores do Legislativo em local de doutrinação ideológica. Minha manifestação é na privacidade do meu gabinete sem afrontar absolutamente ninguém”. Referia-se às placas com o nome de Marielle Franco que deputados do PSOL fixaram nas portas de seus gabinetes na ALERJ.

No alto da parede do gabinete, à direita, o deputado tripudia sobre o assassinato de Marielle Franco (Foto: Reprodução)
No alto da parede do gabinete, à direita, o deputado tripudia sobre o assassinato de Marielle Franco (Foto: Reprodução)

O comportamento do deputado Rodrigo Amorim, formado em direito, mostra de forma inquestionável péssimo caráter. Ao quebrar a placa ainda em campanha eleitoral (acabou sendo o deputado mais votado no Rio de Janeiro, contando com o apoio de Jair Bolsonaro), ele disse que estava “restaurando a ordem”. Tripudiar sobre o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco - ela teve o rosto desfigurado pelos tiros - é uma demonstração de covardia. O assassinato, quase às vésperas de completar um ano, ocorrido em março de 2018, ainda não foi esclarecido pela polícia. Por que mataram Marielle e o motorista Anderson? Quem matou ou mandou matar Marielle e Anderson?

Ainda sobre Rodrigo Amorim, ele propôs homenagear com moção de congratulações e aplausos, na ALERJ, os PMs que mataram a tiros 13 jovens, alguns memores de idade, nos morros de Santa Teresa e do Catumbi, recentemente. Familiares das vítimas acusam PMs do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e do Batalhão de Choque de terem executado os jovens. O deputado disse que “a ação foi heroica do BOPE e do Choque. Eles ceifaram da sociedade bandidos que tentavam render o Rio. Esses marginais estão muito bem acomodados no inferno”.

O caso é investigado pela Divisão de Homicídios, em inquéritos acompanhados pelo Ministério Público.

 

LENIN NOVAES* é jornalista e produtor cultural. Co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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